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Palavra do Mês de Dezembro – José no Egito: o seu deserto

 José levantou-se, de noite, com o menino e a mãe e retirou-se para o Egito” (Mt 2, 13).

Vamos continuar a caminhar em comunhão com o Papa Francisco, meditando sobre a pessoa de São José. Neste mês, desejo parar e refletir com todos sobre o porquê Deus permitiu que José ficasse alguns anos no Egito.

Sim, é verdade que a motivação exterior, visível, foi fugir de Herodes para salvar o filho Jesus. Mas, acredito que Deus tivesse também outros planos que José foi descobrindo, lentamente, no Egito. Também nós, podemos entrar em profundidade sobre este tempo de emigração da Sagrada Família, vendo a experiência deles, para se tornar vida também para nós.

José levantou-se, de noite, com o menino e a mãe e retirou-se para o Egito” (Mt 2, 13).

O termo, “de noite”, não é somente um fato natural, indica também no profundo do coração uma preocupação, medo, insegurança, sofrimento que José está sentindo como esposo de Maria.

José se encontra fora do seu país, da sua terra natal. Deus o chama a um lugar desconhecido. Sente que neste tempo de exílio deve também viver em plenitude. Está longe da sua casa, em plena solidão, sem nenhum apoio familiar ou conhecido. De fato, vive um deserto. Podemos dizer que vive não somente em um lugar geograficamente desértico, mas que entra também em uma dimensão de deserto espiritual.

Perante essa realidade, podemos e devemos nos deter e perguntar: “ora, o que significa este se encontrar em um espaço desértico, longe de sua vida cotidiana?”. É a mesma experiência vivenciada por tantas pessoas também hoje: passar por um tempo de deserto.

Desde os primeiros séculos do cristianismo, alguns cristãos sentiam um desejo de se afastar do caos das cidades. São os anacoretas. Eles se retiravam para um lugar de silêncio, desértico, como fazia Jesus, indo para uma montanha, ou mesmo no deserto e se recolhiam para se encontrar com o Pai do Céu.

Para nós, o “ir ao deserto” é uma expressão simbólica. Pode significar: ir a um parque, a um bosque para meditar, a um mosteiro, ou fazer alguns dias, um mês de retiro espiritual como os exercícios espirituais de Santo Inácio de Loyola, ou mesmo permanecer no próprio quarto. Enfim, viver um tempo de silêncio. Esta experiência é um tempo que nos é pedido por Deus.

Portanto, poderíamos dizer que este pedido também é direcionado a José! Viver este tempo de deserto, distante das seguranças e apoio da família, dos amigos; distante do Templo de Jerusalém, da sinagoga… José se encontra somente consigo mesmo, observando e meditando sobre sua nova família.

José levantou-se, de noite, com o menino e a mãe e retirou-se para o Egito” (Mt 2, 13).

 Muitas vezes, também nós sentimos em nosso coração esta necessidade, que é também um dever: ficar longe da vida comum, dos barulhos, preocupações e viver profundamente a oração, a meditação do nosso relacionamento com o Divino. José, neste tempo de deserto, vive com sua família, está só com ela, longe da vida cotidiana em Israel… retirou-se para o Egito!

Tentemos aprofundar um pouquinho. Com certeza, muitos de nós sentimos a necessidade de ter, em determinados momentos, breves intervalos, distâncias da vida cotidiana, das preocupações e confusões da vida, do trabalho e, ao viver esse distanciamento, sentimos que isso nos ajuda a ver as coisas com mais clareza. José vive este tempo de deserto no Egito, não só para fugir de Herodes, mas para se encontrar, escutar profundamente a Deus. Para entender, meditar, aprofundar e contemplar sua nova vida.

Isto, então, se torna para nós um grande ensinamento: saber nos distanciar das coisas! Concretamente, é importante para todos. Por exemplo, para os casais, ter este tempo que não é separação ou um querer estar longe de seu cônjuge. Não! É ter um tempo necessário para olhar para si, se avaliar, escolher e contemplar diante do “Sim” dado para toda a vida.

O mesmo direcionamento pode ser dado para os consagrados celibatários e celibatárias. Ter um tempo para se avaliar, se questionar e contemplar sobre a vida comunitária, o “sim” ou o “não” dado aos irmãos e irmãs com os quais se vive é necessário. Isto não significa estar longe daquilo que não se aguenta mais, é até mesquinho pensar assim, mas quando se torna um momento de desejo em estar mais próximo do Divino, se torna um renovar do espírito, um “Sim” para um crescimento na vida espiritual e fraterna.

José levantou-se, de noite, com o menino e a mãe e retirou-se para o Egito” (Mt 2, 13).

De fato, a José é pedido, neste tempo no Egito, viver aquilo que os israelitas vivem cada sábado: parar com todas as atividades e viver o que Deus viveu no sétimo dia, depois ter criado tudo. Porém, podemos dizer que é “imposto” a José viver este tempo de exílio, este deserto. Contudo, será que Deus aproveitou deste momento para propiciar momentos de silêncio, reflexão e contemplação a São José para ser mais plenamente de Deus?

E para nós, terá Deus os mesmos propósitos? É momento de REPOUSO, tempo para louvar e agradecê-Lo. É tempo de voltar a si mesmo e meditar: “como vivo e como posso viver melhor a Palavra?” Ser mais grato a Ele porque me criou e me dá gratuitamente: família, amigos, natureza, um trabalho…

É um tempo em que tudo se renova e se faz novas escolhas espirituais. No tempo do deserto, a Palavra se torna o centro e podemos ver tudo com os olhos de Deus. José nos ensina isso! No Egito, olha a Palavra, descobre uma forma nova de meditar e entender as profecias dos grandes Profetas: Elias, Jeremias, Isaías. Ele se descobre no caminho com eles. E, diante dele está a Mãe de Deus e a segunda Pessoa da Santíssima Trindade: Jesus. Ele contempla e se sente frágil, pequeno, no entanto, é necessário para o cumprimento da Vontade de Deus.

E nós? Decidimo-nos viver este tempo? Percebemos e sentimos a necessidade deste deserto? Estamos nos preparando e organizando para estar só com a Palavra? Ou os apegos aos afazeres, preocupações nos tiram desta possibilidade?

É maravilhoso testemunhar e realizar tantas missões: casa de acolhida, evangelizações, estruturas etc. Entretanto, o esgotamento, nervosismo, orgulho, individualismo já estão em nossa vida? Se sim, coragem filhos! Tenhamos a humildade de dizer que não sou eu que realizo e faço. E, para compreender isso, devemos silenciar, entrar no deserto como São José.

Você já se programou neste ano para ter um tempo de deserto? Se não fez isso, cuidado porque a superficialidade está na sua porta pronta para entrar. Escolher um tempo de silêncio te permitirá voltar mais forte para amar, servir, ser mais profundo; te permitirá compreender que só na Palavra e no silêncio nos encontramos com Jesus. Isso nos levará viver o que José e também Maria viveram.

Buscando estes momentos, poderemos contemplar e sentir o que José e Maria experimentavam com Jesus: “Desceu então com eles para Nazaré e era-lhes submisso. Sua mãe, porém, conservava a lembrança de todos esses fatos em seu coração” (Lc 2,51).

Como Ela e como José, devemos guardar todas as coisas e meditar, refletir, renovar a nossa vida. Certamente, isso só foi possível porque José soube viver este deserto em plenitude, pôde guardar tudo e contemplar.

Pe. Antonello Cadeddu

 

Acesse aqui as Palavras do Mês deste ano de São José

Palavra do Mês de Abril – José: herdeiro da promessa

Palavra do Mês de Maio – José: o homem dos sonhos de Deus

Palavra do Mês de Junho – José: o homem do Sim Incondicional

Palavra do Mês de Julho: O Natal de São José

Palavra do Mês de Agosto – José: o homem do sim à Obra de Deus

Palavra do mês de Setembro: José, Maria e Jesus: a Família de Nazaré

Palavra do Mês de Outubro – José: esposo de Maria

Palavra do Mês de Novembro – A família de Nazaré: fonte de cura

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