Palavra do Mês de Novembro – A família de Nazaré: fonte de cura

 A Família de Nazaré, fonte de Cura, Paraíso na Terra

“José, filho de Davi, não tenha medo de receber Maria como esposa, na sua casa” (Mt 1,20).

Olhando para a família de Nazaré, percebemos logo como ninguém vive para si mesmo. José, Maria e Jesus vivem uma relação de amor recíproco pela qual eles se tornam uma imagem viva da vida Trinitária, experiência do Paraíso na Terra. Imagino que quando Jesus nos ensinou a orar no Pai Nosso “assim na terra como no céu” voltava à Sua mente a memória de Seus 30 anos em Nazaré, com José e Maria. Queremos hoje olhar para a família de Nazaré como escola de amor e fonte de cura nos nossos relacionamentos.

José nos mostra, primeiramente, que ser família é morar um dentro do outro.

“Receber Maria como esposa” significa receber Maria em sua casa, literalmente; isso expressa o chamado a habitar um dentro do outro, “ser casa” um para o outro. Esta dimensão do amor é universal. Todo homem, casado ou celibatário, é chamado a ser comunhão, a não ter medo de deixar-se habitar pelos outros.

A salvação está na comunhão. O inferno está na solidão. Ser Igreja é ser família e não “fazedores de ilhas”. Ser Aliança é ser família, é revelar ao mundo que a salvação é a acolhida do outro, mesmo do mais miserável, dos excluídos, abandonados… ser pontes entre centro e periferia, pobres e ricos, Igreja e Igreja…

É em uma casa – e não no Templo – que o Anjo anunciou à Maria o mistério da salvação; é em sua casa que José acolheu Maria, é nessa casa que Jesus cresceu em idade, sabedoria e graça; é numa casa que os primeiros discípulos seguiram Jesus para ver onde morava; é na casa do Cenáculo que eles receberam o Espírito Santo; é nas casas dos primeiros cristãos que nasceu a Igreja… E o Espírito enviou os apóstolos para o mundo para tornar a humanidade toda uma verdadeira família, fazer do mundo a “casa comum, onde sejamos todos irmãos”, como sempre nos fala o Papa Francisco.

Quando deixei a minha casa, a casa dos meus pais, foi porque – como dizia meu pai: “filho não podemos guardar para nós o amor que recebemos”. Foi para ser casa de quem não tem casa, ser família de quem não tem família, que deixei a minha família.

Nestes dias fiquei comovido perante as lágrimas de Luiz, um irmão acolhido nas nossas casas, que dizia: “eu não tive família, não tenho casa onde voltar, mas agora sei que cheguei na minha casa e na Aliança encontrei a família que nunca tive!”.

“Não tenha medo de levar Maria na sua casa”.

Hoje precisamos entender bem as palavras que a Virgem de Fátima disse para a Irmã Lúcia e que já citamos em outras ocasiões: “a última batalha do demônio será contra a família!”. Precisamos conhecer o inimigo e sua estratégia para poder vencer essa batalha apocalíptica e alcançar o triunfo do Coração Imaculado de Maria, prometido em Fátima.

O “anticristo”, vale a pena repetir, tenta destruir a família pela cultura materialista que exalta o individualismo e a realização do indivíduo, com livre satisfação dos seus próprios instintos. Prazer, poder, dinheiro, vaidade, autorrealização se tornam objetivo que a sociedade contemporânea aponta como metas da vida humana.

Acontece, de fato, que, paradoxalmente, com o crescimento do progresso e do bem-estar, aumentam paralelamente o uso de psicofármacos, drogas e álcool, a depressão, o suicídio, a angústia existencial… Os ataques contra a família são sistemáticos e contínuos na promoção de todo tipo de perversidade sexual, pornografia, prostituição, ideologia de gênero, relativismo moral. Este engano satânico visa a destruição da comunhão Trinitária, da família como “escola do amor” (como dizia São João Paulo II), da própria vida humana e da nossa mãe Terra, envenenada por uma poluição não apenas ecológica, mas moral e espiritual.

São José, que os santos consideravam “Terrível contra os demônios”, nos acompanha e nos abençoa nesta batalha, com sua autoridade espiritual sobre a Família de Nazaré e, consequentemente, sobre a Igreja, como o Magistério Pontifício deste último tempo tem várias vezes afirmado.

São José, com a sua vida e o seu exemplo, nos ensina que, como diz Santo Agostinho, só existem duas civilizações: de um lado aquela que edifica a cidade da “Jerusalém espiritual”, cuja lei é o amor a Deus acima de todas as coisas, no “desprezo”  de nós mesmos, dos nossos instintos carnais, para servirmos os irmãos; e de outro lado, a civilização que edifica a “Babilônia”, cuja a lei é o desprezo a Deus, no amor a si mesmo, no seu exacerbado individualismo, para “servir-nos dos nossos irmãos”.

“Não tenha medo de acolher Maria na sua casa”.

Em Siracusa, na Itália, uma imagem da Virgem Maria chorou por três dias, oito anos depois da Segunda Guerra Mundial. O milagre, reconhecido pela Igreja e confirmado pela ciência e que levou à conversão de médicos ateus que examinaram as lágrimas, aconteceu numa casa de jovens esposos. A imagem de “Nossa Senhora das Lágrimas” estava sobre a cama matrimonial do casal. Muitos viram nesse sinal a preocupação da Virgem com os ataques contra as famílias.

Acolher Maria na nossa casa, como fez José, significa acolher suas mensagens, suas lágrimas, sua preocupação com as nossas famílias e fraternidades. Significa sermos violentos na batalha apocalíptica deste tempo para nos decidirmos para a santidade, pureza, justiça e caridade. Significa sermos adoradores no Espírito e na Verdade. Significa amar a Deus acima de todas as coisas e fazer da nossa vida um dom de amor para os outros, partilhar os nossos bens materiais e espirituais, para revelar ao mundo a alegria do Evangelho, pois há mais alegria em dar do que em receber.

Como, então, viver esta Palavra?

Decidindo-nos para a santidade que é comunhão, superando toda tentação do individualismo autorreferencial, sendo “casa” uns para os outros, como José, Jesus e Maria, seremos testemunhas e reflexo, nas nossas famílias e fraternidades do Amor Trinitário, que o mundo, desesperadamente procura: “Que sejam um para que o mundo creia”. Irradiaremos, assim, o perfume de Cristo que exala do amor recíproco de famílias unidas no amor Trinitário… E não esqueçamos: “basta um santo para salvar uma cidade!”.

Não esqueçamos que São José intercede por nós, neste tempo em modo particular. É significativo que, na última aparição de Fátima, quando aconteceu o “milagre do Sol”, perante milhares de pessoas, apareceu a Sagrada Família e São José, que tinha a criança no braço esquerdo, abençoou o mundo com a mão direita, sinal de que a sua autoridade paterna, exercida na Terra, continua nos céus. Ele, inseparável de sua esposa e de seu filho Jesus, vela sobre nós para que possamos, à imagem da Família Divina, vivermos na pureza e na santidade. Precisamos olhar para o céu, unidos no Amor, que atrai em nosso meio a Presença de Cristo, Senhor. Por isso, todos os grandes santos da Igreja invocaram a intercessão de São José com imensa confiança. Santa Teresa d’Ávila, em particular, dizia que jamais tinha recorrido a São José sem receber a graça que precisava. Com ela e com a Igreja, pedimos, por intercessão de São José, a graça de uma vida de comunhão, no amor recíproco nesta terra para podermos alcançar a glória que nos espera no céu:

“José, servo obediente,

José, homem justo e forte

Pai amável e fiel,

Esposo amoroso e casto,

Gerai-nos, com Maria, na fé e no amor;

Educai-nos, como Cristo,

Na justiça e na humildade.

Intercedei por nós,

Para que sejamos revestidos

Pelo Espírito Santo,

Na força da tua pureza.

Acolhei-nos na intimidade

Da Família santa de Nazaré,

Para que, não vivendo mais

Por nós mesmos,

O teu Filho Jesus viva em nós,

E nos abra as portas da

Trindade Santa no céu.

Amém!”

 

Eu os abençoo, de coração!

Padre João Henrique

Fundador da Aliança de Misericórdia

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