Nasce a Vila Cuore, fruto da dedicação do trabalho voluntário

grupo de voluntárias

Numa manhã fria, no dia 16 de agosto, cerca de 100 pessoas participaram da Missa em Ação de Graças pela inauguração do primeiro prédio da Vila Cuore, fruto do Projeto Mãos à Obra.

cruz no altar
Detalhe da cruz no altar.

Estavam presentes colaboradores, missionários e voluntários da Aliança que compartilhavam com alegria e gratidão este momento inicial.

O Projeto Mãos à Obra nasceu depois que a antiga casa de acolhida para crianças, Casa Naim, foi desativada e o desejo dos padres fundadores era de oferecer para os jovens e adultos da região um espaço cultural onde pudessem ter acesso à formação profissional e qualificação para enfrentarem o mercado de trabalho.

Em censo realizado pela São Paulo Pesquisas no período de elaboração do projeto, os idealizadores identificaram os problemas da região e traçaram o perfil do público alvo, sendo o principal objetivo criar oportunidades de inclusão do público jovem no mercado de trabalho.

Nasce a Vila Cuore

O prédio inaugurado neste dia abrigará os cursos da área de gastronomia e conta com cozinha industrial e todos utensílios necessários para as aulas.

O projeto almeja atender 1.950 crianças e adolescentes, a partir de 2021 (previsão da conclusão), das comunidades Jd. Botuquara, Jd. Rincão e Parque Taipas, na Zona Noroeste de São Paulo.

Será um lugar de educação, formação profissional, apoio, proteção e prevenção, oferecendo um espaço atrativo e humanizado de educação, convivência, esporte, cultura e artes.

Nos passos do bom samaritano

Na homilia, Pe.  Antonello Cadeddu, através da passagem do Bom Samaritano, levou todos a refletirem sobre a identificação de Jesus com o homem que caiu nas mãos de assaltantes, e que muitas vezes nós podemos assumir atitudes diferentes diante daqueles que sofrem. (Lc 10, 25-37)

Padre Antonello na Missa

Aqueles que ajudaram na construção da Vila Cuore são como o samaritano que passou ao lado de quem sofre e tomou uma atitude para ajudá-lo, pois boa parte dos recursos vieram da dedicação de um grupo de voluntárias, que há dois anos vêm trabalhando por meio de eventos, chás e bingos beneficentes.

Ao final da Missa, Pe. Antonello pediu para que Bia Hauptmann, Diretora de Desenvolvimento institucional da Aliança, pudesse fazer os agradecimentos.

Ela agradeceu a todos, às presenças de Ivan Renato, Prefeito Regional de Pirituba-Jaraguá, Lúcia Cristina Tarifa, Supervisora da Assistência Social na Prefeitura de São Paulo e principalmente a perseverança das primeiras voluntárias da Casa Naim, recordando a doação do serviço e o cuidado com as crianças que lá estavam.

Pedi e vos será dado

Débora Feder
Débora Feder conta sua experiência de voluntariado.

Logo depois Débora Feder, que há 10 anos é voluntária na Aliança, partilhou um fato comovente.

Lembro que certa vez cheguei na Casa Naim e a situação era precária. Foi quando os missionários me chamaram para ir à capela. Começamos a pedir a Jesus que nos ajudasse.

Uma semana depois, Padre João Henrique chegou numa van com algumas mulheres que estavam num chá beneficente. Elas foram acolhidas com o que tínhamos no momento“.

Débora contou que nem talheres suficiente a casa possuía e o refrigerante, que foi adquirido para acolher aquelas senhoras, havia sido todo consumido pelas crianças da Casa.

Aquelas mulheres ficaram de tal forma tocadas com a situação que resolveram unir forças para ajudar a obra.

Ela conta que impressionou-se com a dedicação delas, em ir na Casa e se envolver com os trabalhos e brincou dizendo que “era interessante ver um sapato Chanel atolado na lama”.

Dentre as mulheres daquele grupo que assumiram o projeto, estava Ana Lúcia Comolatti que nos conta a sua impressão sobre este evento:

Ana Lúcia Comolatti
Ana Lúcia Comolatti.

Eu estou super emocionada porque, você falar para as pessoas ‘vamos fazer um curso profissionalizante, vamos começar com isto’ e aí todo mundo acreditar em você, todo mundo abraçar sua causa e entrar na loucura do padres (Antonello e João Henrique), é uma coisa muito forte.

O mais incrível do grupo (voluntárias) é que não tem estrelismo, não tem ‘o chefe’; é com amor incondicional que fazem pelas coisas da Aliança“.

Há mais alegria em dar

Débora Feder é pedagoga e o que a trouxe para a Aliança, primeiramente, foi um chamado para realizar um trabalho de alfabetização das crianças acolhidas da rua.

Ela contou-nos que ao longo do tempo Deus foi lhe pedindo outras coisas conforme a necessidade da casa. “Deus me permitiu acolher muitas vidas, muitas crianças para alfabetizar, mas também dando colo e muitas vezes recebendo chutes na canela (risos)”. A Casa Naim acolhia crianças vindas das ruas do centro de São Paulo e muitas vezes lidar com elas era desafiante.

Com este grupo do voluntariado chegando Deus me dá essa permissão de eu poder estar com as crianças. Meu desejo é ver essas crianças e adolescentes chegarem, ter esta estrutura pronta para recebê-las, e eu poder de fato estar com elas; este é o desejo do meu coração“.

Roberto Ravioli-Ana Lúcia Comolatti e Bia Hauptaman
Visita às instalações do prédio. Roberto Ravioli, Ana Lúcia Comolatti e Bia Hauptmann. Parceira para fazer o bem.

Débora nos diz que aprendeu a ser perseverante e a seguir em frente, quando não conseguia a ajuda necessária para as crianças. “Se você tem fome de pão, bate num lugar e lá não tem, bate em outro que você vai achar“.

Início dos cursos

Os cursos de gastronomia começam agora em agosto e já tem a primeira turma que estava presente na Missa.

alunos de gastronomia
Primeiros alunos matriculados no curso de gastronomia.

Conversamos um pouco também com Mônica Brancher, uma das coordenadoras do curso de gastronomia. Ela falou-nos um pouco sobre sua trajetória dentro da Aliança e qual era o sentimento neste dia.

Mônica disse que conheceu a Aliança de Misericórdia há um ano e meio enquanto passava por um período “sabático”, de reavaliação da carreira. “Eu ainda continuava com as aulas de culinária, mas, estava repensando o modo como eu estava trabalhando“.

A homilia do Padre Antonello – disse – foi um pouco do que foi para mim conhecer este projeto“.

Através da Ana Cecília Manente a Chincha, coordenadora do projeto de voluntariado da Aliança, ela começou a ajudar na parte de organização. “Um dia conversando, falei que sempre tive o desejo de um trabalho social … nesta área da gastronomia, porque eu realmente acho que resgata muitas vidas. E daí, o Mãos à Obra, agora Vila Cuore, me caiu no colo e eu abracei”.

Mônica Brancher
Mônica Brancher (segunda da esq.) com voluntária e alunas.

Eu sou um pouco como aquele homem que caiu nas mãos dos ladrões, e que foi abandonado, ferido por eles e resgatado por este projeto lindo de gastronomia. E eu espero transformar estas vidas e (emoção), tenho certeza que, no fundo, eu é que vou aprender muito“.

Sem medo de dar a vida

Débora Feder encoraja as pessoas a seguirem neste caminho de doação do tempo para os mais necessitados:

“No voluntariado, temos o proposito inicial, mas Deus, também têm o d’Ele. É uma oportunidade incrível de se permitir fazer alguma coisa e também que Deus faça alguma coisa por você.

Uma vez eu me questionei se eu não estava me doando demais (porque eu tenho os meus). E Deus falou assim comigo “Cuida dos Meus que Eu cuido dos teus.

Tem gente que não quer se voluntariar preocupada com o tempo que vai doar, se vai faltar para a sua família. Não! Deus não permite que falte nada para a sua família. Venha que é gratificante!”

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