Um vilarejo em Moçambique embaixo d'água

Missionária em Moçambique fala sobre o desastre que atingiu o país

Queridos irmãos do Brasil, gostaríamos de partilhar convosco, com pesar mas também com uma grande confiança na Misericórdia de Deus, sobre o ciclone que devastou uma parte do centro de Moçambique neste mês de Março. Vamos falar sobre o maior desastre físico e humanitário da história do Moçambique, segundo os relatos oficiais.

A força da natureza

Pessoas ilhadas aguardam resgate
Pessoas ilhadas aguardam resgate.

Neste último dia 14 de março, se estendendo até os dia 17 e 18 de março, passou pela cidade da Beira um ciclone tropical denominado Idai, com ventos de até 170 km/h, causou centenas de mortes; o número de vítimas deve aumentar com mais chuvas previstas para várias províncias moçambicanas e ainda há muitas pessoas que continuam isoladas nos pontos altos.

A maioria das pessoas perderam tudo, e estão apenas com a roupa do corpo, ilhadas nos telhados, árvores e nas partes mais altas da cidade. Na Beira, o local mais atingido, não se vê praticamente nenhum prédio, todos vieram abaixo com a força do ciclone.

As congregações presentes no local são as que mais se disponibilizaram em ajudar a população. Em conversa com as irmãs Servas de Maria, o único celeiro que não foi atingido foi o da congregação, que já disponibilizou tudo para a alimentação do povo que se refugiou no seu terreno, numa das partes mais altas.

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Um corrida contra o tempo

Pessoas tentam escapar da força das águas
Pessoas tentam escapar da força das águas.

Os governantes afirmam que a maior preocupação neste momento não é só quantificar o número de mortes, mas as operações de salvamento e assistência médica. O Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) considerou hoje que se está numa “corrida contra o tempo” para ajudar e proteger as crianças afetadas pelo ciclone, estimando serem mais de um milhão.

Estimativas iniciais do Governo moçambicano apontam para 1,8 milhões de pessoas afetadas pelo ciclone que atingiu o país, incluindo 900 mil crianças, mas a UNICEF e outros parceiros no terreno adiantam que os números finais são “muito mais elevados”, uma vez que muitas das áreas ainda não são acessíveis.

Os serviços mínimos vão regressando aos poucos, mas até ontem (24/03) ainda não havia fornecimento de energia elétrica e grande parte da região só era acessível por via aérea, todas as estradas estão inundadas, inacessíveis ou destruídas. A principal estrada que dá acesso à cidade da Beira está aos poucos recebendo os reparos de emergência.

Trata-se da via que deverá reabastecer com combustível, alimentos e outros bens de primeira necessidade os distritos que estão isolados, como Buzi, Nhamatanda e Dondo. Milhares de pessoas estão desalojadas na zona centro de Moçambique.

Os esforços do governo

Crianças andam em meio aos escombros
Crianças andam em meio aos escombros.

O Presidente Filipe Nyusi, que sobrevoou a região, indicou que aldeias inteiras desapareceram nas enchentes e que há regiões totalmente incomunicáveis. “Vimos durante o voo corpos flutuando, um verdadeiro desastre humanitário de grandes proporções”, assinalou o chefe de Estado.

O ministro do Meio Ambiente de Moçambique, Celso Correia, afirmou que “este é o maior desastre natural ocorrido no país”.

Frente a tamanho desafio humanitário e ambiental, a resposta de ajuda dos moçambicanos e também da comunidade internacional tem sido de muita generosidade. Estamos colaborando junto a Igreja Católica e várias ONGs com roupas, água, alimentos não perecíveis, assistência médica voluntária, a serem entregues de forma segura à população, que no momento tanto precisa.

Solidariedade

Agradecemos a Deus que a região onde a fraternidade se encontra, no Sul do país, não foi atingida, mas ainda se espera um impacto igualmente no sul, com muitas chuvas e se abrirem as comportas das barragens, devido às cheias, corre-se um grande risco de inundações também em Maputo.

Nos unimos em oração por Moçambique, e se você se sente mobilizado a ajudar de alguma forma, é uma ajuda bem-vinda.

Segundo as palavras do nosso arcebispo, Dom Chimoio, não podemos permitir que com nossa indiferença nossos irmãos do centro sofram mais do que com a passagem do ciclone; as grandes adversidades sempre foram capazes de trazer à tona aquilo que existe de melhor no coração do ser humano – a empatia, generosidade, compreensão mútua.

Diante de tamanho desastre as guerras políticas se calaram, as mãos se uniram e todos desejam o melhor para o povo Moçambicano. Queremos nós igualmente ser uma presença de misericórdia nesta terra, junto a esse povo tão sofredor e tão guerreiro, que o Senhor nos confiou.

Ana Clara, missionário de vida em Moçambique

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