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Palavra do Mês – Agosto | Abrão e Sarai – a acolhida dos três anjos

“Tendo levantado os olhos, eis que viu três homens de pé, perto dele; logo que os viu, correu da entrada da tenda ao seu encontro e se prostrou por terra” (Gn 18,2).

Conhecemos toda a grande e profunda história de Abraão, o pai de muitos povos.

Hoje, tentaremos entrar um pouquinho em profundidade para ver o que essa Palavra nos diz a respeito de um aspecto que nos interessa sobre o valor da fraternidade e as consequências em viver este valor sagrado.

Analisando o que conta a Bíblia, encontramos um caminho que Abraão, ou melhor, o caminho que Deus fez em Abraão para que ele descobrisse o sentido real da vida e o valor que é ser e aceitar o irmão. Veremos alguns fatos interessantes que evidencio de forma sintética por conta da brevidade deste artigo.

“Tendo levantado os olhos, eis que viu três homens de pé, perto dele; logo que os viu, correu da entrada da tenda ao seu encontro e se prostrou por terra” (Gn 18,2).

Deus se encontra com um homem que responde positivamente ao chamado, mas que deve fazer um caminho de purificação sobre si mesmo. Inicialmente, encontramos um homem que se preocupa consigo mesmo, com o seu “eu”, com o salvar sempre o seu “eu”.

Sabendo que se encontrará com Abimelech, não se preocupa de mostrar a sua esposa como sua irmã, muito linda, e está pronto a entregá-la para este soberano, exclusivamente para se defender de uma possível morte (cf. Gn. 12,13.20,2).

Se vê aqui, como Abrão está exclusivamente preocupado consigo mesmo e como sempre a Providência intervém, porque se descobre que Sarai é esposa de Abrão e o manda embora, tendo medo de consequências divinas. Abrão vive dos seus pensamentos e de uma lógica humana e por isso se defende.

“Tendo levantado os olhos, eis que viu três homens de pé, perto dele; logo que os viu, correu da entrada da tenda ao seu encontro e se prostrou por terra” (Gn 18,2).

Vimos também a história bem conhecida de Sarai entregar para Abrão a sua escrava Agar (Gn 16,1) para que lhe desse um filho. Deus tinha prometido a Abrão que lhe daria uma descendência como as estrelas do céu, mas sendo Sarai estéril, ele procura um modo, racionalmente falando, para realizar este plano recebido de Deus. Pensamento completamente diferente dos pensamentos divinos, que podem fazer nascer das pedras o pão.

Mas, Abrão vive uma vida egoísta. Pensa só em si mesmo, quer cumprir sozinho, com os “métodos” dele, a realização da promessa. Precisa, então, se perguntar: como Abrão considerava Sarai, sua esposa? Embora ele a amasse, a via como um objeto para realizar os seus sonhos? Se assim fosse, seria tudo completamente humano, egoísta, cheio de soberba e de individualismo. Ele pensava na promessa feita, querendo realizá-la segundo uma lógica, mas que não era a lógica divina. Mas o Senhor educava pacientemente o seu escolhido.

“Tendo levantado os olhos, eis que viu três homens de pé, perto dele; logo que os viu, correu da entrada da tenda ao seu encontro e se prostrou por terra” (Gn 18,2).

Finalmente, depois de muitos anos, acontece o que Deus tinha preparado. Três anjos se apresentam a Abrão já ancião. Ele tinha perdido tudo. Sabia que Deus era fiel e tinha experimentado que o se relacionar com os outros e com a própria Sarai devia ter outro nível.

Os três anjos aparecem e ele, já velho, não para em si mesmo. Embora o dia fosse muito quente, compreende que devia acolhê-los, mesmo que não os conhecesse. O trecho é interessantíssimo (cf. Gn 18).

Abrão realiza esta acolhida com a rapidez que um velho não pode fazer: oferece tudo.  Ele mergulha nesta acolhida Sarai, oferecendo com ela tudo que de melhor eles têm e depois permanece em pé, sinal de honra diante dos três.

Finalmente, Abrão entende que deve se esquecer de si mesmo, junto com Sarai, para servir até o fim e acolher o outro, os três, totalmente. E a promessa se realiza!

“Tendo levantado os olhos, eis que viu três homens de pé, perto dele; logo que os viu, correu da entrada da tenda ao seu encontro e se prostrou por terra” (Gn 18,2).

Abrão compreende o que Deus ensinou para ele. Ser egoísta só leva à tristeza, fechamento, à não realização dos sonhos. Precisa se esquecer dele mesmo, se doar, acolher, honrar o hóspede, que são três, embora ele fale ao singular, vendo nele o outro, ama sem exclusão. Não importa o cansaço e o calor!

Enfim, ele se torna irmão de Sarai e verdadeiro esposo: relação plena com ela e com os outros.

E nós? Neste ano estamos falando e descobrindo o valor da fraternidade! Será que acolhemos sempre o nosso irmão, a nossa irmã, ou vivemos nossos relacionamentos só para tirarmos vantagens deles?

Não tem jeito, vivendo em modo egoísta e interessado, nada vamos construir e não teremos as promessas que Deus tinha feito a Abraão realizadas também a nós.

Não podemos nos limitar a pensar unicamente nas vocações, em casamentos santos, na santidade vivendo como consagrados e consagradas, como padres doados. Tudo isso é importante, no entanto, precisamos estar atentos ao egoísmo, aos interesses pessoais, ao querer aproveitar dos outros.

Isso sempre só levará à tristeza, sua e a de Deus, que não poderá realizar os seus sonhos. Somente a fraternidade, o considerar o outro antes de você, que é filho de Deus e expressão de vida trinitária, só acolhendo-o sempre e sem medidas, como fez Abraão, é que poderá acontecer a realização dos dons e carismas que o Pai do céu preparou para cada um de nós.

Pe. Antonello Cadeddu
Fundador da Aliança de Misericórdia

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