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Palavra do mês de julho | José e seus irmãos

“Eu sou José, seu irmão, que vocês venderam para o Egito (…) Deus me enviou à frente de vocês, para que possam sobreviver nesta Terra…” (Gn 45, 4.7)

A maravilhosa história de José, “príncipe do Egito”, é como uma belíssima epopeia bíblica que percorre 13 capítulos do livro de Gênesis. A leitura destes capítulos é apaixonante, quase um romance que torna evidente como o Senhor sempre vem em socorro daqueles que n’Ele confiam, que se mantêm fiéis à Sua Palavra e corretos nos relacionamentos humanos. Mais ainda, através destes capítulos podemos ver o mover da Providência divina, que sabe transformar até o pecado humano e suas consequências em “história de salvação”. José – que fora vendido por seus irmãos que inicialmente o queriam eliminar por ciúme do seu dom de interpretar os sonhos e pela inveja causada pelo amor preferencial de seu pai Jacó – no fim, se torna instrumento e canal da Misericórdia do Senhor para salvar toda a sua família e seu povo Israel.

A postura de José se manteve firme e honesta ao longo de todo o caminho. Vendido pelos irmãos, não os amaldiçoava: confiou no Senhor. Servindo na casa de Putfar, foi injustamente incriminado pela mulher de seu senhor que queria seduzi-lo, foi jogado na prisão e, ainda assim, não se revoltou contra ninguém. Preso, amou os demais prisioneiros, interpretou seus sonhos e, por causa disso, sua fama chegou até o Faraó. Graças ao dom da interpretação dos sonhos, salvou o Egito da carestia e da fome e, por isso, foi nomeado vice-rei do Egito, o braço direito do Faraó.

“Eu sou José, seu irmão, que vocês venderam para o Egito (…) Deus me enviou à frente de vocês, para que possam sobreviver nesta Terra…” (Gn 45, 4.7)

Foi nessa circunstância que reencontrou seus irmãos que vinham ao Egito à procura de alimentos. Encontrando-os, poderia acusá-los, vingar-se deles, tirar satisfação por ter sido traído, vendido. Mas ele entendeu que ‘Deus escreve reto mesmo nas linhas tortas’. Sabia que o Senhor é o Senhor da sua história e que se Ele tinha permitido tudo aquilo, tinha sido para abençoar e salvar mesmo aqueles irmãos que queriam acabar com ele.

Com imensa generosidade, com grande fé, com coração misericordioso, disse então a seus irmãos, revelando sua verdadeira identidade: “Eu sou José, o irmão de vocês, aquele que vocês venderam para o Egito. Mas agora não fiquem tristes e não se aflijam (…). Deus me enviou à frente de vocês, para que possam sobreviver nesta terra, salvando a vossa vida para uma grandiosa libertação. Portanto, não foram vocês que me mandaram para cá, foi Deus. Ele me colocou como pai do Faraó, senhor de toda a sua casa e governador do Egito” (Gn 45,4b-5.7-8).

O que nos diz esta palavra a respeito da fraternidade?

Precisamos entender que, mesmo quando o relacionamento fraterno pode nos ferir, decepcionar, machucar… mesmo quando os irmãos podem trair a nossa confiança, podemos ter duas atitudes. Podemos buscar a “justiça”, a vingança, colocando-nos como vítimas das situações e acontecimentos ou, como disse São João da Cruz, colocar amor onde não há amor. Podemos ser sempre, em todas as circunstâncias, “semeadores do Amor”.

“Eu sou José, seu irmão, que vocês venderam para o Egito (…) Deus me enviou à frente de vocês, para que possam sobreviver nesta Terra…” (Gn 45, 4.7)

É maravilhoso descobrir que atrás de cada circunstância, podemos contemplar o “agir do Senhor”, que sabe tirar o bem mesmo dos relacionamentos mais doloridos. Sua Providência misericordiosa pode nos tornar instrumentos de salvação, mesmo para aqueles irmãos que mais nos prejudicaram. Assim foi para Santa Maria Goretti que, com onze anos, ofertou  sua vida por Alessandro, o jovem que, ao não conseguir violentá-la, matou-a com quatorze facadas. Aconteceu que, no dia da sua canonização, como mártir da pureza, Alessandro, que já tinha cumprido a sua pena e que na prisão viveu uma grande conversão, estava na praça de São Pedro glorificando o Senhor pela Sua Misericórdia. Ele terminou a sua vida em um santo recolhimento de oração.

Como viver, então, esta Palavra?

Cada um de nós experimentou, em seu caminho de fraternidade, graças e feridas. Medite sobre a sua história, louve a Deus por todas as circunstâncias. Veja como transformar até as experiências mais dolorosas, em oportunidades de crescimento, em possibilidade de exercer Misericórdia, compaixão e transformar aquela ferida em fonte de graça.

“Eu sou José, seu irmão, que vocês venderam para o Egito (…) Deus me enviou à frente de vocês, para que possam sobreviver nesta Terra…” (Gn 45, 4.7)

Procure alguma pessoa que o tenha machucado na vida fraterna e peça ao Espírito Santo a “criatividade da sabedoria” para “colocar amor onde não houve amor”, assim verá o Amor triunfar em sua vida e na vida dos seus irmãos.

Que o seu coração seja sempre, em todas as circunstâncias, lugar de festa e de perdão, fonte de graça e de bênção para todos!

Que o Senhor faça resplandecer a Sua face sobre ti e te dê a paz!

Assista aqui a meditação com o Pe. João Henrique

Padre João Henrique
Fundador da Aliança de Misericórdia

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