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Palavra do Mês – Maio- Isaac e Ismael: Deus ri e Deus escuta

“Será através de Isaac que seus descendentes terão o seu nome, entretanto, também do filho da serva Eu farei uma grande nação” (Gn 21,12-13)

Do capítulo 12 ao capítulo 25 do Gênesis, encontramos a história do chamado de Abraão, dos seus dois primeiros filhos Isaac e Ismael e dos seus descendentes. Mais uma história de uma fraternidade ferida. O relacionamento dos dois irmãos – Isaac e Ismael – novamente carrega as consequências de todos os contrastes que existem na história da salvação.[1] Precisamos descobrir que, como irmãos, todos nós carregamos as consequências do pecado e dos desvios dos nossos pais. Mesmo Abraão – o escolhido, o pai da nossa fé – viveu suas fraquezas, seus erros e suas desconfianças que o levaram a buscar seus caminhos, desviando do caminho do Pai.

O nascimento de Isaac, anunciado como filho da Promessa quando Abraão tinha 75 anos, só se realiza 25 anos depois quando, como diz São Paulo, “(…) o corpo de Abraão estava morto, pois tinha cerca de 100 anos, da mesma forma que estava como morto o ventre de Sara” (Rm 4,19). Não é por acaso que o nome dado para Isaac significa “Deus ri”… porque tanto Abraão quanto Sara riram ao ouvir que dariam à luz um filho, naquela idade.

“Será através de Isaac que seus descendentes terão o seu nome; entretanto, também do filho da serva Eu farei uma grande nação” (Gn 21,12-13)

O nascimento de Ismael foi marcado por muitos sofrimentos, conflitos e injustiças pois, após ter engravidado a serva Agar (o que na época era permitido, caso a esposa fosse estéril), Abraão e Sara mandaram Agar embora, grávida! Daqui o nome de Ismael (“Deus escuta”), pois Agar suplicou a Deus em sua aflição. Ela percebeu que Deus também lhe foi favorável: “eu vi aquele que me vê” e deu ao filho o nome de Ismael, pois Deus a escutou e a amparou em seu sofrimento (cf. Gn 16).

A rejeição de Agar e Ismael acaba gerando uma grande ferida que ainda hoje existe entre os descendentes de Isaac (Israel) e os descendentes de Ismael (o povo árabe). No entanto, Deus abençoou os dois irmãos. Deus disse para Abraão: “será através de Isaac que seus descendentes terão o seu nome; entretanto, também do filho da serva Eu farei uma grande nação, pois ele é descendência sua” (Gn 21,12-13).

Aqui está encerrado o mistério da vida fraterna. Cada um traz feridas e o jugo da herança dos seus pais e das gerações passadas, mas muito mais forte é a benção que o Senhor nunca tira de nós! Nunca esqueçamos: somos muito mais amados que pecadores!

“Será através de Isaac que seus descendentes terão o seu nome; entretanto, também do filho da serva Eu farei uma grande nação” (Gn 21,12-13)

Não podemos esquecer que na vida fraterna também nós, cada um de nós, trazemos nossas feridas, nossa “história sagrada”, feita de traumas, frutos do pecado que fizemos ou que fizeram contra nós. Mas, acima de tudo, trazemos a benção de Deus: por Ele abençoados, trazemos bênçãos para nossa fraternidade. Quem ama conhece e quem conhece ama e compreende os irmãos, reconhecendo neles aquela “benção poderosa”, como dizia nosso primeiro missionário Nivaldo, ao saudar os irmãos.

Pouco tempo atrás, uma irmã de Comunidade quis partilhar comigo a sua “história sagrada”. Não escondo que me comovi, vi quantas vezes pequei esperando dela o que não tinha condição de dar e não me colocando com muito mais amor e ternura ao seu lado, para auxiliá-la em seu caminho, acompanhando-a em sua dificuldade e intercedendo por ela no Espírito. Hoje, sem dúvida, sinto que minha estima por ela aumentou, na verdade do seu ser. Só a Verdade liberta e faz fluir o amor fraterno na liberdade de filhos de Deus!

“Será através de Isaac que seus descendentes terão o seu nome; entretanto, também do filho da serva Eu farei uma grande nação” (Gn 21,12-13)

Como viver, então, essa Palavra? Simplesmente assim… Como seria bonito, neste mês, poder conhecer mais profundamente a história de algum dos nossos irmãos, carregando o seu sofrimento, orando por sua cura interior, “suportando-o” (sendo suporte) em suas dificuldades e louvando a Deus pela “benção poderosa” que é a sua vida para todos! Só assim poderemos contemplar a “história de salvação” que se realiza no “hoje” da nossa fraternidade, a comunhão fraterna que atrai e contém a presença de Deus Pai, rico de Amor e a Misericórdia do Seu Filho Jesus, nosso irmão.

Que assim seja, debaixo da proteção da Virgem Maria, nossa Mãe Fundadora.

Padre João Henrique 

 

[1] Por um lado, encontramos o amor de um Deus “rico em Misericórdia”, que não desiste da Sua promessa e, do outro lado, as contradições e falhas do caminho de Abraão e da sua esposa Sara.

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