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Palavra do Mês | Jacó E Esaú – O perdão entre irmãos

PALAVRA DO MÊS DE JUNHO/22 JACÓ E ESAÚ O perdão entre irmãos

“Esaú correu-lhe ao encontro e beijou-o; ele atirou-se ao seu pescoço e beijou-o; e puseram-se a chorar” (Gn 33, 4).

Vamos ver o contexto bíblico. Tem uma contraposição clássica entre os irmãos dentro dos assuntos bíblicos. Veja Jacó e Esaú. Isaac dá a bênção para Jacó, então não se pode mudar. Esta bênção será para Jacó e para a descendência dele. Com a bênção dada a Jacó começa o fio constante da bíblia da escolha sempre do último. Esaú pede igualmente.

Na história entre Jacó e Esaú nasce uma injustiça. Jacó compra a primogenitura e depois a benção do pai Isaac. É a luta entre os irmãos, realidade que sempre se repete na história dos irmãos de sangue e entre pessoas que se consideram irmãos, devido serem filhos de um único Pai do Céu.

Veja, por exemplo, a luta constante na vida comunitária dentro de uma Igreja, Congregação, Movimento… Não podemos passar além desta verdade em modo superficial. Sempre existe uma luta devido à benção que eu penso que seja só para mim, então, o outro deve ser submisso a mim. Isto é terrível!

“Esaú correu-lhe ao encontro e beijou-o; ele atirou-se ao seu pescoço e beijou-o; e puseram-se a chorar” (Gn 33, 4).

Jacó, por medo, foge e constrói uma vida, e a benção recebida se realiza progressivamente. O mesmo Esaú, chorando, pede ao seu pai para dar uma parte de benção e igualmente nele isso se realiza.

Creio que aqui devemos parar um pouquinho. Parecia que a bênção seria somente para Jacó, que a rouba de Esaú. Mas não é assim. A bíblia nos diz que o Pai é sempre Pai de todos, e Ele a todos abençoa. Somos nós que fazemos distinções e consideramos os outros uma maldição, um perigo, um contraste que não nos permite chegar ao amor único do Pai do céu. Que loucura!

E agora nos encontramos em um cruzamento: Jacó foge e com a benção se torna muito rico e, do outro lado, Esaú, igualmente é abençoado e, embora não com a mesma ‘potência’ da bênção que Isaac deu para Jacó, se torna rico. Este é o Amor de Deus para os dois, Ele é um Pai misericordioso que vai além daquilo que os homens fazem, às vezes, na estupidez deles.

“Esaú correu-lhe ao encontro e beijou-o; ele atirou-se ao seu pescoço e beijou-o; e puseram-se a chorar” (Gn 33, 4).

Paramos, então, agora, um pouquinho. Eu ou você, sentimo-nos privilegiados por que recebemos a consagração, nos tornamos padre ou fazemos parte de um grupo da Aliança? Ou você se sente ‘não abençoado’ porque os outros, ao seu parecer, roubaram a primogenitura, e são consagrados? Medite e avalie!

Mas eu sou irmão daquele que me roubou tudo. Sou gerado no mesmo ventre do Pai do Céu. Não tem jeito, sinto instintivamente e necessariamente, que devo me relacionar com o meu irmão que me traiu.

Igualmente, eu que não me sinto abençoado, necessito de me encontrar com o outro. Eu não sou uma ilha, eu sou harmonia, relacionamento e comunhão!

“Esaú correu-lhe ao encontro e beijou-o; ele atirou-se ao seu pescoço e beijou-o; e puseram-se a chorar” (Gn 33, 4).

Jacó sente a necessidade de se reencontrar com seu irmão Esaú. E também Esaú sente o desejo. Somos feitos para sermos irmãos e comunhão desde dentro do “útero” do Pai.

Jacó vive toda a ansiedade de se reencontrar porque pensa que Esaú quer matá-lo. Esaú, do outro lado, sente que, além da perda da primogenitura e da bênção, quer e necessita do irmão.

Não tem jeito, é a história que sempre se repete: eu necessito do irmão. Eu quero a paz, a harmonia com o outro que vive comigo. Ele é o meu próximo, como diz a parábola do bom samaritano.

Jacó faz de tudo para, humanamente, comprar o amor de Esaú. Pura fantasia! Nós fazemos o mesmo. Sempre queremos comprar o amor do outro com coisas que, no final, cansam e comprometem o verdadeiro amor. Os dois, Jacó e Esaú, vivem o que se diz: comprar o amor do outro. Tudo errado!

O que acontece: Deus quer nos maravilhar e deixar-nos de boca aberta. Ele, Jesus, no tempo, constrói os ânimos. Nós construímos tudo com as nossas ideias e raciocínios humanos, e Deus só com o amor.

“Esaú correu-lhe ao encontro e beijou-o; ele atirou-se ao seu pescoço e beijou-o; e puseram-se a chorar” (Gn 33, 4).

Jacó, com medo, se ajoelha diante de Esaú. Esaú, o traído, o levanta e o abraça. E os dois choraram abraçados.

Pergunto: por que você constrói um monte de medos sobre o teu irmão ou irmã sendo que você, como ele ou ela, quer a mesma coisa: viver e experimentar que são filhos de um único Pai e que o outro é irmão?

O perdão, o amor, o abraço, o entender as feridas do outro, o sair de si mesmo permite realizar o que faz parte, ontologicamente, da pessoa humana. Eu necessito do outro! E não vivo em paz construindo pensamento e raiva sobre o meu irmão. Eu devo sempre abraçar, beijar, compreender, ir além do mal que outro me fez. Devo dar a vida, morrer para mim mesmo para ir além. O outro necessita disto: ser perdoado, ser amado e ser abraçado.

Pe. Antonello Cadeddu
Fundador da Aliança de Misericórdia

 

Assista agora o vídeo da Palavra do Mês:

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