planta em estado de broto

Tempo Comum: o segredo para ter um dia extraordinário

planta em estado de brotoCom a ajuda de um texto do Pe. Walterson José Vargas, ss.cc., queremos aprofundar sobre o Tempo Comum e o extraordinário da vida.

Existe um tempo para cada coisa

Os meses de novembro e dezembro nos reservaram um período especial de festas e comemorações. Advento e Natal. Eles são muitos aguardados por serem capazes de reunir quem está distante e dar uma parada merecida depois de um ano de trabalho.

Parte deste encantamento vem também do fato de que os períodos festivos quebram a rotina casa-trabalho, trabalho-casa.

Os grandes feriados, na sua maioria, são do calendário litúrgico católico e marcam períodos e datas importantes para a fé cristã como Quaresma, Páscoa, Advento e Natal.

O intervalo entre esses períodos a Igreja chama de Tempo Comum. Todavia, por ser “comum” não é menos importante, e isto pode nos ajudar a tornar o ordinário da vida em extraordinário todos os dias.

Durante as 34 semanas que começam na Festa do Batismo do Senhor e termina com a Festa de Cristo Rei viveremos os vários aspectos da vida de Jesus e celebraremos os santos seus imitadores.

Podemos dizer que o que norteia este tempo se resume nesta passagem de Atos dos Apóstolos:

Vós sabeis o que aconteceu em toda a Judeia, a começar pela Galiléia, depois do batismo que João pregou: Deus ungiu com a força do Espírito Santo a Jesus de Nazaré, que passou pelo mundo fazendo o bem e curando a todos os que eram oprimidos pelo demônio, porque Deus estava com ele” (At 10,37-38).

A vida de Cristo no mundo

Jesus trabalha na carpintaria
“Sendo Ele de condição divina, não se prevaleceu de Sua igualdade com Deus”.

Ou seja, o Tempo Comum é a tentativa de resumir, meditar e adentrar no que foi a vida de Jesus: seus milagres, suas Palavras, ações e com que sinais ele manifestou ao mundo o Pai e o seu Reino.

Todo o ano litúrgico celebra a passagem de Cristo neste mundo do início ao fim de Sua vida; como Ele assumiu a nossa carne (Natal) e viveu como nós em tudo menos o pecado (Tempo Comum), até dar a Sua vida (Morte e Ressureição).

Jesus é Deus eterno que entra no nosso tempo e mostra em cada ação que o Emanuel, Deus conosco. Nos seus 33 anos de vida, Ele foi Deus fazendo coisas corriqueiras, tornando ordinário em extraordinário.

Quando São Paulo diz que “Sendo Ele de condição divina, não se prevaleceu de Sua igualdade com Deus“, significa que no escondimento quis mostrar que a vida humana tem valor. Ele se assemelhou tanto a nós que ninguém, nem mesmo Seus parentes desconfiaram de identidade.

Como diz Santo Agostinho: “A vida de Jesus se reduz a algumas horas de cruel paixão, a dois anos e meio ou três de pre­gação e a trinta anos de vida ordinária, de vida sem grandes acontecimentos, de vida ocupada em não fazer nada de sobressalente, em passar inadvertido, … como todo mundo“. (Comentário ao Salmo 62,8).

Anunciar o Reino

cena do filme que retrata o Sermão da Montanha
“Viver a vida ordinária de forma ex­traordinária, não é viver a vida cheia de momentos extraordinários”.

Quando Ele por fim Se revelou, não falou de Si, mas do Reino de Deus e por isso Sua autoridade espantava os demônios. Deus, escondido no cotidiano humano e a partir Dele libertava a humanidade.

Sua vida era simples como a nossa; levantava-se cedo, fazia suas orações, comia, trabalhava, cuidava de sua mãe viúva, conversava com os vizinhos, etc. Suas parábolas falam do dia a dia, dos trabalhos domésticos, do trabalho no campo, enfim, nada escapou ao toque do Verbo de Deus.

O padre Pe. Walterson José Vargas, ss.cc. ressalta ainda neste artigo, como de verdade deve ser a vida do cristão:

Viver a vida ordinária de forma ex­traordinária, não é viver a vida cheia de momentos extraordinários. Assim foi a vida de Cristo. É a forma com que vi­vemos a nossa vida cotidiana, simples, repetitiva, que faz que ela tenha sentido e alegria.

Não é necessário que façamos coisas extraordinárias para sermos reconhecidos, basta que façamos com intensidade, entusiasmo e alegria as coisas simples e ordinárias do dia a dia.

Não é por acaso que, como diz mais uma vez Santo Agostinho, quando Cristo quis resumir o seu ensino, dizendo que dele devíamos aprender algo, não se referiu a alguma obra que ele fez espe­cificamente como Filho de Deus, como Verbo eterno (formar o céu e a terra, fazer milagres…), mas àquilo que fez como simples homem, como qualquer um de nós: “aprendei de mim que sou manso e humilde de coração” (Mt 11,29) (cf. Comentário ao Salmo 142,11).

Foi na mansidão e humildade de um homem comum, na ternura, proximidade, bondade, compaixão e misericórdia para com todos os que dele se aproximavam que Ele nos revelou a grandeza de Deus: “tão humano que só podia ser divino“, como bem resume o poeta Fernando Pessoa.

Peçamos a Deus que nos ajude a viver desta forma o nosso cotidiano simples e repetitivo ao longo deste ano que está começando“.

Com informações de Paróquia de Santo Emídio

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