O que é vocação e como descobri-la?

“E tu estavas dentro de mim, mais profundo do que o que em mim existe de mais íntimo, e mais elevado do que o que em mim existe de mais alto”.

Itinerário vocacional

Esta passagem célebre de Santo Agostinho, na qual ele se dirigiu a Deus, demonstra muito bem o itinerário vocacional.

A vocação é a voz de Deus dentro de cada um nós. É uma voz que fala no mais íntimo do íntimo, e como o Bispo de Hipona afirma: “Deus está mais dentro de mim, do que a minha parte mais íntima!”.

O caminho para a descoberta da própria vocação é por meio de um profundo exercício de interiorização, que se realiza através de uma vida de meditação, oração e autoconhecimento. Só através desse caminho podemos acessar essa voz de Deus no nosso mais íntimo.

O que mais atrapalha a descoberta da nossa vocação pessoal é a agitação, a falta de silêncio que é tão comum na nossa sociedade cheia de dispersões, principalmente pelo uso desmedido da internet e dos smartphones.

Por que é importante descobrir e viver a própria vocação?

A descoberta e vivência da própria vocação são na verdade o caminho de realização pessoal, ou seja, é atualização na existência das potencialidades da nossa essência.

Assim como o caminho de vocação necessita de uma interiorização profunda que não é fácil, também não é fácil realizar essa vocação porque ela sempre nos levará a deixar as comodidades, mas só assim nos tornaremos aquilo que de fato somos!

Para responder ao chamado vocacional, atender a essa voz que grita no nosso interior é preciso “negue-se a si mesmo” (Mt 16, 24; Lc 9, 23).

O negar-se, é, em outras palavras, não ser conduzido pelos próprios apetites concupiscíveis e irascíveis. Essa autopertença pelo exercício do autodomínio das próprias paixões, só é possível através da espiritualidade que frutifica numa vida virtuosa.

Jesus sabe muito bem, que só quem se pertence pode dar-se, por isso ele apresenta como cartão de visitas o “negue-se”.

Vocação à santidade

Portanto, a nossa vocação universal de cristãos é a santidade , e isso implica necessariamente dois aspectos: acolher o dom de Deus e doá-lo aos outros.

É para isso que existimos, e só assim de fato nos realizamos. Conhecendo quem somos, escutando a voz de Deus no nosso íntimo (que é acolher o dom do Amor), moderando as paixões pela graça divina que, tornamo-nos capazes de doar ao outros o dom do Amor, ou seja, realizamos o que de fato somos!

“Tarde Vos amei, ó beleza tão antiga e tão nova, tarde Vos amei! Vós estáveis dentro de mim, mas eu estava fora, e fora de mim Vos procurava; com o meu espírito deformado, precipitava-me sobre as coisas formosas que criastes.

Estáveis comigo e eu não estava convosco. Retinha-me longe de Vós aquilo que não existiria, se não existisse em Vós.

Chamastes-me, clamastes e rompestes a minha surdez. Brilhastes, resplandecestes e dissipastes a minha cegueira. Exalastes sobre mim o vosso perfume: aspirei-o profundamente, e agora suspiro por Vós.

Saboreei-Vos e agora tenho fome e sede de Vós. Tocastes-me e agora desejo ardentemente a vossa paz”
(Santo Agostinho, Confissões, X, 27-38).

Paulo Raphael, Professor de filosofia – PUC/SP

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