Convivência e Isolamento Social – Veja dicas para torná-lo mais leve

De maneira inesperada nos vimos tendo que nos confinar em nossas residências. E algo que sempre permeou nosso imaginário fantasioso, se tornou um tormento, uma dificuldade para muitos de nós. Como tornar o isolamento social mais leve?

O ideal x realidade

Sim, pois ao imaginarmos ficando em casa, tudo parecia tão perfeito:

Levantaria a hora que quisesse; ficaria mais tempo com os filhos; faria, com calma, refeições maravilhosas e as degustaria com tranquilidade; trabalhar em casa me daria mais liberdade de tempo, e com isso produziria mais; conversaria mais com meu marido, com minha esposa, com meus filhos e com Deus; seria mais regular em minhas atividades físicas; me cansaria bem menos, o que me daria mais disposição; assistiria mais filmes e “maratonaria” em séries desejadas… ah!! Como seria bom ficar em casa!!… Só que não (sqn)!

A dura realidade

Ficar em casa nos trouxe outra perspectiva da maneira como lidamos com nosso domicílio, nossa família, nosso trabalho, nossas atividades, nosso lazer e conosco mesmo.

De repente, nos demos conta que vivemos para fora. E não sabemos mais como ficar em nosso lar, com as pessoas que, inclusive, amamos. Não sabemos nos recolher em nós mesmos!

Saímos para trabalhar, nossos filhos vão para a escola e depois, quando possível, para uma infinidade de atividades extras.

As refeições da noite são pedidas pelo telefone, pois todos estão esgotados para fazer algo e aos finais de semana corremos para as lanchonetes e restaurantes, para fugir da cozinha.

Nestes mesmos finais de semana, fazemos uma série de programações para sair, para passear, para aproveitar. Em casa mesmo, só para dormir! E quando chegam as férias, temos que viajar, né, pois ninguém é de ferro.

Daí que desaprendemos a ficar em casa, a olhar para nosso teto como um lugar de segurança e abrigo. A olhar para casa como lugar de recolhimento.

Um lugar de conversas e histórias, risadas e momentos alegres. E hoje, ainda temos outro agravante: a internet, que nos leva ainda mais para fora, longe das pessoas que estão ao nosso lado e longe do lugar onde estamos.

Habitamos num tempo de reconquista deste espaço. E como podemos fazer para viver bem, neste espaço limitado, que também, percebemos hoje como um espaço desconhecido, pouco utilizado?

Eleja sua casa como seu templo

Eleja sua casa como seu espaço sagrado, como o lugar que abriga suas maiores conquistas e onde você se recolhe de seus fracassos.

O local que você compartilha da companhia das pessoas, seus familiares, compartilha os alimentos, compartilha os frutos do trabalho, compartilha os sonhos e desejos, compartilha os desafios e as dificuldades.

E se você mora sozinho, lembre-se que você compartilha de sua companhia e que jamais está sozinho, pois compartilha da companhia também de Deus.

Muitas vezes, a nossa casa não é um lugar perfeito, mas é de onde você parte em direção à vida e que te aguarda para te receber a cada volta.

Aproveite para fazer o que é necessário.

Muitas vezes até sabemos o que precisamos fazer, mas não fazemos. Protelamos entrar em contato, bate aquela preguiça, nos vemos sem tempo, justificamos que não levamos jeito, reiteramos que não é da nossa conta e aí as coisas vão ficando pra trás.

Acumuladas, bagunçadas, entulhadas, aglomeradas… os troços, as parafernálias vão congestionando a nossa vida.

Aproveite este momento para colocar as suas coisas em ordem. Sem rigidez, com flexibilidade, mas em ação.

Saber que precisamos fazer e não fazermos, ocupa espaço na mente. E neste momento você precisa ajudar a sua mente a se organizar também.

Tenha satisfação daquilo que faz

É este o momento que você dispõe para estar presente com as pessoas que estão ao seu lado.

Este é um momento de reconhecer, em forma de gratidão, a vida. E a gratidão não está somente em dizer “Obrigada Senhor!” e em seguida se lamentar em ter que fazer, em ter que aturar, em ter que se privar.

A tarefa de agradecer está em conseguir se satisfazer com o que tem, com o que é e com o que faz.

E é no gesto simples, na forma simples, nas tarefas simples que você pode enxergar e se aproximar do grande, do belo, do virtuoso.

Exercite o dar e receber

“Não há quem seja tão pobre que não possa dar e ninguém que seja tão rico que não possa receber”. E nesta equação podemos perceber que nos encaixamos por um lado ou por outro.

Nestes tempos precisaremos contar com esta máxima para superarmos as dificuldades que serão comuns a todos.

Veja a grande oportunidade que você tem de fazer parte deste processo de reconstrução.

De forma material, na forma de presença virtual, nos pequenos gestos com seu vizinho ou com desconhecidos, enfim, você é peça fundamental na reconstrução deste novo mundo que está sendo reconstruído.

Amar sem julgamentos

Amar sem ficar expondo as falhas do outro (E como é difícil). Sem nos importarmos com as particularidades, com as diferenças. Sem ser individualista.

Sem ser autoritário, arrogante, vaidoso, sem fazer promessas ou demasiadas exigências. Com sabedoria, na autêntica busca do Ser.

No olhar atento ao outro. Na certeza do amor de Deus. É no amor que você amará tudo o que te cerca no momento e se sentirá feliz por isto.

Olhará esta privação como cuidado e isto fará toda a diferença na maneira de perceber.

“De tudo ficam três coisas:
A certeza de que estamos sempre começando
A certeza de que é preciso continuar
E a certeza de que podemos ser interrompidos antes de terminarmos.
Devemos fazer da interrupção um caminho novo,
Da queda uma dança
Do medo uma escada
Do sonho uma ponte
Da procura um encontro”.
(Fernando Sabino)

Assim, nosso espaço interno será ampliado, nosso olhar será generoso e nossa vida mais fácil.

E estar em casa será sinal claro de que você está protegido e que este tempo que te foi solicitado, simplesmente, passará, e fará muito mais sentido pois será com muito mais entrega.

A paz!

Lídia Correa

Psicóloga Clínica

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