Como falar de morte com as crianças

Embora não seja nada fácil falar de morte com as crianças, uma hora ou outra será inevitável.

Nunca mentir

Como podemos explicar uma coisa que, muitas vezes, não entendemos e que dói tanto? Com certeza, já passou pela sua cabeça que seus filhos não precisem passar por isso nunca.

Uma coisa não podemos negar, seja qual for a idade ou a situação – se morreu algum conhecido, uma parente próximo ou até mesmo um bichinho de estimação – não podemos mentir ou esconder o fato das crianças!

Criança visita o túmulo de um parente
Criança visita o túmulo de um parente.

Mesmo quando muito pequenos, com dois anos, por exemplo, as crianças percebem a mudança no clima e nas emoções dentro de casa. Até os 6 ou 7 anos, a criança ainda não entende que a morte é irreversível. Mas, nos enganamos quando pensamos que elas nunca ouviram falar em morte.

Ela está presente nos livros e filmes infantis – O Rei Leão, Bambi, a Branca de Neve, os vilões que são mortos pelos mocinhos ou pelos super-heróis. Some a isso as notícias da TV e as pequenas mortes do dia-a-dia, como os insetos que eles veem mortos, as plantinhas que murcham no vaso.

Sem você perceber, elas começam a entender a sequência da vida e tendem a lidar com mais naturalidade quando chegar a hora de falar sobre a morte.Pode interessar: Como criar dar responsabilidades aos filhos

3 Pontos para comunicar bem

Não há uma receita pronta, um passo-a-passo, mas vou destacar três pontos importantes:

1. Quando chegar a hora de contar

Não tenha medo de como a criança vai reagir. Use uma linguagem simples que os pequenos consigam entender. Se estiver sofrendo muito, se acalme primeiro e não tenha receio em usar o verbo morrer mesmo.

A morte é um rito de passagem e é preciso esclarecer isso para as crianças, mas evite usar metáforas como “foi morar com o papai do céu” ou “virou uma estrelinha”. Elas podem não funcionar tão bem, principalmente para as crianças menores de 6 anos.

Como o conceito de morte é abstrato, o ideal é não omitir ou camuflar a situação.

2. Os rituais e funerais

menina olha triste pela janela
Diga a verdade e deixa que a criança escolha se quer ir aos funerais.

Caso queira levar as crianças a um velório pela primeira vez, explique, antes de chegar ao local, tudo o que elas encontrarão. Explique que vai haver um caixão, que a pessoa estará deitada lá dentro, mas que não pode ouvir, falar ou se mexer, diga que as pessoas estarão tristes, chorando, que é um momento de dizer adeus àquela pessoa.

Conte até mesmo se terá flores, incensos, música ou velas. Se possível, depois de explicar, deixe a criança decidir se irá ou não.

A participação das crianças no velório, enterro, cremação e até mesmo a visita a um parente doente é uma questão muito particular. A decisão vai variar de acordo com os valores de cada família. É importante avaliar e respeitar os limites e capacidades de cada criança.

Se perceber algum tipo de ansiedade na criança, fique um pouco do lado de fora, um pouco mais afastado e esteja pronto para trazê-la de volta para casa se ela não quiser ficar.

3. O depois

Nas primeiras semanas, as crianças também viverão o luto. Elas poderão ficar dispersas, um pouco mais agressivas ou com dificuldades para dormir.

Provavelmente, farão muitas perguntas e, para responder, você falará daquilo que você acredita. Quando não souber o que dizer, seja sincero: diga que não tem a resposta, mas que vai pensar.

Se elas perguntarem algo diferente do que você acredita – seja porque viu na TV ou ouviu alguém falar – diga que o que ocorre depois da morte é mesmo uma coisa misteriosa e que ninguém sabe direito, mas que você acredita que seja desse jeito e outras pessoas, de outro.

Será um ótimo meio de exercitar a boa convivência com a diversidade.

Maitê Gabriela Ferreira, pedagoga e catequistaPode interessar: Como fazer o filho pequeno se comportar na Missa?

 

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