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Alguns santos e a experiência com os anjos

Foto: wikimedia-commons. Assembleia de São Miguel e os arcanjos. Ícone da Igreja Ortodoxa.

“A desgraça jamais o atingirá, e praga nenhuma vai chegar à sua tenda, pois ele ordenou aos seus anjos que guardem você em seus caminhos.” (Sl 91, 10-11)

Por que falar dos anjos

Neste mês, que nos esforçamos para rezar fielmente a quarentena de São Miguel, queremos dedicar diversas meditações aos santos anjos.

Você alguma vez recorreu aos anjos? Por qual motivo? Por curiosidade ou para pedir proteção? Enfim, de alguma forma você chegou a este artigo e não foi à toa. Aqui em nosso site, já abordamos a parte devocional dos anjos com novenas, ladainhas e orações de consagração.

Falamos também da parte mais sistemática da crença nos anjos; o que a Igreja pensa, a Bíblia aponta e a teologia estuda, enfim, parece que não falta nada! Mas, em Deus sempre há algo novo.

Queremos, desta vez, falar de alguns santos que experienciaram de perto a intervenção dessas criaturas celestes e como podemos nos inspirar nestes exemplos.

Por que existem os anjos?

Como abordado por Júlio Neto no artigo “O que o Novo Testamento e a Tradição falam dos Anjos”, o Catecismo da Igreja Católica vai nos recordar que Deus é o “criador do céu e da terra” e, nos remeter a profissão de fé da Igreja no Símbolo niceno-constantinopolitano, de Deus como o “criador das coisas visíveis e invisíveis”. Assim como a Sagrada Escritura nos demonstra a criação do todo, definindo tudo criado como “céu e terra”, o visível e invisível, significando tudo aquilo que existe.

Logo, Deus criou os anjos com uma missão e propósitos bem definidos: “Por todo o seu ser, os anjos são servidores e mensageiros de Deus.” (Santo Agostinho)

Em especial os Anjos da Guarda foram designados por Deus para nos guardarem desde o início de nossa existência, seguindo por toda a jornada nesta terra, até o último dia de nossa vida.

“Grande é a dignidade das almas, pois ao nascer, cada uma tem um anjo delegado a sua guarda… A cada homem é delegado um anjo para sua guarda. E a razão disso é que a guarda dos anjos é obra da providência divina para com os homens”. (São Jerônimo)

A intervenção dos anjos na vida dos santos

Para o vosso proveito espiritual queremos partilhar como esses amigos celestiais agiram na vida de alguns santos.

Santa Faustina

Comecemos com um dos nossos baluartes na Aliança de Misericórdia.

Nascida em 25 de agosto de 1905, Faustina é conhecida como a secretária da Misericórdia por ter, durante sua vida, recebido do próprio Jesus a missão de difundir a devoção à Divina Misericórdia e Sua imagem.

Numa das experiências seu anjo levou-a conhecer as almas do Purgatório:

“…perguntei a nosso Senhor por quem mais deveria rezar. Jesus respondeu-me que, na noite seguinte, me daria a conhecer por quem deveria rezar.

Vi o Anjo da Guarda que me mandou acompanhá-lo. Imediatamente encontrei-me num lugar enevoado, cheio de fogo, e, dentro deste, uma multidão de almas sofredoras. Essas almas rezavam com muito fervor, mas sem resultado para si mesmas; apenas nós podemos ajudá-las. As chamas que as queimavam não me tocavam.

Meu Anjo da Guarda não se afastava de mim nem por um momento. E perguntei a essas almas qual era o seu maior sofrimento. Responderam-me, unânimes, que o maior sofrimento delas era a saudade de Deus.

Vi Nossa Senhora que visitava as almas do Purgatório. As almas chamam Maria de Estrela do Mar; Ela lhes traz alívio. Queria conversar mais com elas, mas meu Anjo da Guarda fez-me sinal para sair. Saímos pela porta dessa prisão de sofrimento.” (Diário de Santa Faustina, A Misericórdia Divina na Minha Alma, parágrafo 20)

Protetor contra o inimigo

Em outro episódio, ainda mais impressionante, o seu anjo auxiliava no combate direto contra os demônios:

“Quando terminou o sermão, não esperei pelo final da cerimônia, porque tinha pressa de regressar à casa. Mas, mal havia dado alguns passos, surgiu diante de mim uma multidão de demônios que me ameaçavam com suplícios terríveis e podiam ouvir-se vozes: ‘Ela nos roubou tudo aquilo que conseguimos com trabalho de tantos anos.’

Quando lhes perguntei: ‘Donde vindes em tão grande número?’ – responderam-me essas figuras maldosas: ‘Dos corações dos homens, não nos atormentes.’

Vendo o seu terrível ódio para comigo, pedi a ajuda do Anjo da Guarda e imediatamente surgiu diante de mim a clara luminosa figura do Anjo da Guarda, que me disse: ‘Não tenhas medo, esposa do meu Senhor, esses espíritos não te poderão fazer mal sem permissão d’Ele.’

Imediatamente, desapareceram os espíritos maus, e o fiel Anjos da Guarda acompanhou-me de maneira visível até a casa. Seu olhar era modesto e tranquilo, e de sua fronte brotava um raio de fogo.” (Diário, parágrafo 418-419)

Padre Pio

Padre Pio de Pietrelcina, Francesco Forgione (1887-1968), foi um sacerdote italiano, da Ordem dos Frades Menores Capuchinhos.

Desde de criança mostrou inclinação e sensibilidade para as coisas de Deus. Viu Jesus, Maria e suas primeiras experiências com o Anjo da Guarda iniciaram também neste período.

“Não cometeu nunca nenhuma falta, não tinha caprichos, sempre obedeceu a mim e a seu pai, a cada manhã e a cada tarde ia à igreja visitar a Jesus e a Virgem. Durante o dia não saia nunca com os seus companheiros. Às vezes eu dizia: ‘Francì vá brincar um pouco’. Ele se negava dizendo: ‘Não quero ir porque eles blasfemam’. (Palavras de sua mãe Maria Giuseppa)

As provações

Por ser uma alma pura e especialmente agraciada por Deus viveu também muitos ataques, vindos diretamente de demônios.

Todas as provações serviram para edificar sua jornada extraordinária de santidade, que se irradiou por toda a Itália e de lá para o mundo.

Relatava por cartas ao confessor ou amigos quantas as diversas vezes em que o demônio o machucava fisicamente e como o anjo o socorria. Também havia entre eles uma intimidade tal só vista entre amigos íntimos. Eis um fato muito curioso relatado pelo próprio Pe. Pio:

“Nem imaginam como aqueles infelizes têm me machucado. Algumas vezes, tenho a impressão de que vou morrer. Sábado, pareceu que queriam acabar comigo. Não sabia nem qual santo invocar. Volto-me para meu anjo. Depois de esperar algum tempo, ei-lo enfim a voar ao meu redor e, com sua voz angelical, cantar hinos à divina Majestade. 

Então, eu o repreendi duramente por ter demorado tanto, enquanto eu não me esquecera de chamá-lo em meu socorro. Para castigá-lo, recusei-me a olhar seu rosto, queria afastar-me dele, queria evitá-lo, mas ele, coitadinho, alcançou-me quase chorando, até que, elevando o olhar, vi seu rosto e o encontrei todo desgostoso.

…Estou sempre perto de você, ele disse, nunca o abandono, esta minha afeição por você não terminará nem mesmo com a vida.”

Amigo dos homens

No livro Padre Pio e os Anjos, escrito por Giovani P. Siena, um filho espiritual do santo, dentre os diversos relatos registrou este conselho:

“Para os homens solitários há um Anjo da Guarda… Lembrai-vos  – disse certa vez – lembrai-vos que Deus está em nós se estamos em estado de Graça e fora de nós se estamos em pecado grave; mas o Seu anjo nunca nos abandona é o nosso amigo mais sincero e mais seguro, mesmo quando temos a desgraça de o entristecer com o nosso mau procedimento.”

Foto: wikimedia. Santa Francisca Romana auxiliando os pobres.

Santa Francisca Romana

A extraordinária vida desta santa, pouco conhecida por nós, é de admirar. Francisca nasceu em Roma, por volta do ano 1384, em pleno contexto da divisão da Igreja (Católica e Ortodoxa).

Desde criança acompanhava sua mãe nas missas, vida de oração e prática da caridade. Não tardou para que a pequena manifestasse o desejo pela vida religiosa.

Porém, seu pai se opôs a este desejo e a prometeu em casamento a um jovem de família nobre. Mesmo casada Francisca continuava com sua vida de oração e dedicada aos pobres. Era conhecida pela família como anjo de luz.

Sua experiência com os anjos se deu num contexto de grande sofrimento. Ela havia perdido seu filho João Batista e eis o relato de uma aparição, exatamente um ano depois da morte de seu pequeno filho:

“Um ano após a morte de João Batista, o menino apareceu à mãe com as mesmas roupas que usava em vida, mas imensamente mais formosos. Ao lado dele via-se um jovem incomparavelmente mais belo. De início Francisca ficou deslumbrada, mas, à medida que o filho dela se acercava e a saudava respeitosamente, invadiu-a uma extraordinária alegria.

Mais uma dor e a compania do Céu

Dias depois, a filha mais nova de Francisca, Inês de apenas 5 anos, adoeceu e veio a falecer. Para atravessar esta segunda provação, esta santa mãe, teve a presença constante do anjo apresentado por seu filho.

“Via-o sempre à sua direita, quer estivesse no quarto ou na Igreja, quer andasse na rua ou parasse para falar com alguém. Quando se cometia qualquer falta, Francisca notava que Anjo escondia o rosto com as mãos.

. Este, às vezes, pedia à santa que colocasse a mão na testa do Anjo e ela, obediente o fazia.

Sucedia então que seu rosto resplandecia, como se ela mesma fosse um serafim abrasado de amor.

Este Anjo, não o da guarda, era um anjo superior do segundo Coro angélico, que pela Tradição da Igreja é denominado de querubim.

O que você achou destes fatos? Te inspiraram? Então compartilhe com quem você ama e nas suas redes sociais. Vamos levar a devoção e o conhecimento dos Anjos cada vez a mais pessoas.

Com informações de:

Blog Padre Jonas

Padre Paulo Ricardo

Livro Padre Pio e os Anjos (original L’ora Degli Angeli), Giovani P. Siena, ed. Porto – 1959), pg 69-70;

Diário da Santa Faustina, A Misericórdia Divina em minha vida, 38°edição, parágrafos 40, 418,419.

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