Abstinência de Carne às sextas-feiras

A prática do jejum e da mortificação sempre foi realizada ao longo da história da Igreja Católica, em seus mais de dois mil anos de história. A Igreja sempre incentivou os fiéis a educarem sua vontade e oferecem para Deus suas práticas devocionais e jejuns em expiação de seus pecados.

A prática vem desde os primórdios da Igreja e, durante o tempo da quaresma, os católicos intensificam essas práticas.

O que muita gente não sabe, é que a Igreja nos pede o jejum e, em especial, a abstinência de carne às sextas-feiras, não apenas na quaresma,  mas durante todo o ano.

O código de direito canônico no número 1250, afirma: “todas as sextas-feiras do ano são dias penitenciais na Igreja universal”. Já no número 1251, afirma: “Guarde-se a abstinência de carne ou de outro alimento segundo as determinações da Conferência episcopal, todas as sextas-feiras do ano, a não ser que coincidam com algum dia enumerado entre as solenidades; a abstinência e o jejum na Quarta-Feira de Cinzas e na sexta-feira da Paixão e Morte de Nosso Senhor Jesus Cristo”.

A Constituição Apostólica Paenitemini, promulgada aos 17 de fevereiro de 1966 pelo Papa Paulo VI, determina que todo fiel católico deve se abster de carne todas as sextas-feiras do ano, a não ser que nelas se celebre alguma festa de preceito, como Natal e outras solenidades (cf. II, § 3.º).

O não cumprimento é pecado mortal, porém, o próprio Código de Direito Canônico deu às Conferências Episcopais a possibilidade de substituir, total ou parcialmente, a abstinência de carne por “obras de caridade e exercícios de piedade” (cân. 1253).

No Brasil, a CNBB permite que, em todas as sextas-feiras do ano, os fiéis possam trocar abstinência de carne por outras práticas penitenciais ou exercícios piedosos: “a abstinência pode ser substituída pelos próprios fiéis por outra prática de penitência, caridade ou piedade, particularmente pela participação nesses dias na Sagrada Liturgia”.

Essas práticas precisam ser um “a mais”, não podem ser nossas orações e práticas habituais. Mais que uma regra, a abstinência de carne às sextas-feiras é um convite, um convite à conversão!

Nas sextas-feiras relembramos a Paixão de Nosso Senhor e, por isso, a Igreja nos pede para vivermos esse dia de modo especial, com o coração voltado para Deus e com a vivência da abstinência e da oração.

Na Aliança de Misericórdia, somos convidados a jejuar às quartas e sextas-feiras, tornando esses dois dias como oportunidades de reflexão e conversão, oferecendo às quartas o jejum à Nossa Senhora e às sextas em memória da Paixão de Jesus Cristo.

A abstinência, mais que uma regra, é um compromisso de amor muito frutífero em nossa vida espiritual e não se trata de escolher sofrer, mas de educar nossa vontade que quer sempre mais o prazer e a facilidade.

Educar nossa carne para que possamos resistir às insídias do maligno, oferecer nossa renúncia em amor à Deus e unir a nossa vida à sua Paixão são alguns dos benefícios dessa mortificação.

A abstinência nos convida a purificar nossa vida e nossos atos, a fazermos desse dia, um dia de oração para que nossas palavras e atos sejam incenso agradável a Deus.

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