A vida de Nivaldo da Cruz

Nivaldo foi o primeiro missionário a entrar oficialmente na comunidade de vida da Aliança de Misericórdia. Desejou seguir Jesus em sua via de entrega e abandono nas mãos de Deus configurando-se à cruz de Cristo. Em seus primeiros vínculos assumiu o nome de Nivaldo da Cruz.

Nasceu em uma família pobre e numerosa. Cresceu sem frequentar a escola e muito cedo se viu envolvido com o mundo das drogas e do crime. Sofreu diversas perdas, principalmente para este mundo de morte. Certo dia alguns jovens que passavam por ele lhe disseram: “Cara, Jesus te ama!”. Ele logo respondeu: “Quem é este Jesus? Eu não O conheço!”. Algum tempo depois decidiu internar-se em uma casa para recuperação das drogas.

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Desesperado, em uma crise de abstinência, entrou na capela e disse ao Senhor: “Se você realmente existe, fala comigo!”. Então escutou uma voz lhe dizer: “Abra a Bíblia!”. Ele era analfabeto, mas quando a abriu, conseguiu ler pela primeira vez em sua vida. Saiu da capela chocado e pediu para lerem para ele aquilo que acreditava ter lido. Escutou as mesmas palavras: “Eu sou um Deus sem rival, fora de mim não há Deus, embora não me conheças, eu te cinjo…” (Isaías 45,4-5). Ali sua vida mudou completamente.

Momento de adoração na Febem com Maria Paula e Nivaldo
Acervo histórico da Aliança/ Último retiro de Nivaldo foi para menores infratores. “Hoje mesmo estarás comigo no paraíso”.

Nivaldo decidiu entregar sua vida ao Senhor logo que a comunidade nasceu. Naquele período muitos irmãos nos pediam ajuda para sair das ruas, foi ele quem se prontificou e assumiu o caminho de acolhida na comunidade. Nivaldo, Pe. Rogério e eu cuidávamos da casa, Nivaldo era nosso coordenador. Ele era uma pessoa muito simples, amava a oração e o escondimento. Tinha um dom particular para a Pregação e a oração de libertação. Seu testemunho arrastava os jovens, sobretudo os que viviam uma vida parecida com a dele no passado.

No último dia da sua vida, pregou na Febem (atual Fundação CASA) para os jovens encarcerados. Meditou com eles a palavra do Bom Ladrão e disse aos jovens: “Amigos, um dia eu também fui ladrão, roubei, trafiquei e fiz coisas que nem imaginam, mas hoje eu sinto uma voz que me diz: Nivaldo, hoje mesmo estarás comigo no paraíso!”

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Ao voltarmos para casa, um acolhido tinha caído nas drogas e ido embora. Chegamos tarde e cansados, mas o Nivaldo insistiu com o Padre Henrique em poder ir atrás do jovem dizendo: “o senhor me ensinou que o bom pastor dá a vida por suas ovelhas e que vai atrás delas quando se perdem”. O padre então permitiu que ele fosse e pediu para o Rogério e eu irmos com ele. Não encontramos o jovem naquela noite e, durante a volta, sofremos um acidente de carro. O Nivaldo faleceu naquela noite, 16 de setembro de 2001; um dia antes foi a Festa de Nossa Senhora das Dores e na semana celebrou-se a Exaltação da Santa Cruz, dia 14 de setembro. Isto nos fez recordar do nome escolhido por ele para se consagrar a Deus!

 

Os missionários ao redor do caixão do Nivaldo
Acervo histórico da Aliança/ Missionários e filhos da Aliança ao redor do caixão de Nivaldo.

Morreu dando a vida como seu mestre. O Nivaldo é um ícone do carisma da Aliança de Misericórdia neste sentido: todos nós somos chamados a dar nossa vida até a morte para que nossos irmãos tenham vida. Quando o caixão do Nivaldo descia a rua da nossa casa no Botuquara, o jovem que ele saiu em busca na noite anterior chegou atrás sozinho, dizendo que estava fumando crack e que sentiu que tinha que voltar para casa e pedir perdão para o Nivaldo.

Camiseta manchada de sangue e cruz de Nivaldo
Acervo histórico/Camiseta que Nivaldo usava no dia do acidente. Sobre ela a cruz que sempre tinha consigo.

 

O Nivaldo foi o primeiro missionário a entrar na comunidade de vida e foi o primeiro a partir para o Senhor. Com ele pudemos aprender duas coisas:

  • Quem quiser ser o primeiro deve ter a coragem de dar a sua vida pelo próximo;
  • Não são de coisas grandes ou de pessoas sábias que o Senhor necessita, mas de um coração disponível e aberto à Sua vontade.

Ele cresceu diante de Deus, e diante de nós. Hoje, quando contemplamos a vida do Nivaldo, podemos ainda acreditar que a nossa vida pode se tornar o lugar onde Jesus deseja nascer, crescer, viver, morrer e ressuscitar.

Nivaldo, rogai por nós!

Rafael Ferreira, missionário na Itália

 

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