Festa da Exaltação da Santa Cruz e sua importância para a Aliança

A festa da Exaltação da Santa Cruz remonta ao século IV, quando se realizou a dedicação das basílicas que Constantino mandou construir no Gólgota e no Santo Sepulcro, em Jerusalém.

Nessas basílicas eram veneradas relíquias da Cruz de Cristo, que foram descobertas, segundo uma tradição, por Santa Helena, a mãe do Imperador Constantino.

Mais tarde, no século VII, o imperador Heráclio venceu os persas e recuperou as relíquias, que tinham sido roubadas, e as transladou para Jerusalém. Esses dois acontecimentos estão na origem dessa Festa.

 

A Importância da Cruz

Sabemos da importância do crucifixo na vida do cristão, somos chamados a olhar para ela, como um sinal de salvação.

Assim como a serpente de bronze foi levantada por Moisés no deserto e os que para ela olhavam eram curados, assim também somos nós. Ao contemplarmos o sacrifício redentor de Jesus somos curados. É isso que podemos meditar na liturgia proposta pela Igreja nesta Festa: Nm 21,4-9 e Jo 3,13-17.

Porém, queria propor que pudéssemos mergulhar nesse mistério olhando para o nosso caminho pessoal.

Na palavra de Deus, em Mc 8,34, escutamos o convite de Jesus para todo aquele que quiser segui-Lo. Ele nos diz qual é a condição: renunciar a si mesmo e tomar a sua cruz.

Aqui está uma grande oportunidade para exaltar a Cruz de Cristo. Pois, em muitos momentos, a reação natural de cada um de nós seres humanos seria rejeitá-La. O sofrimento e a dor nos causam repulsa.

Mas, Jesus nos chama a assumir nossa cruz e a abraçá-la. Assim podemos exalta-la em nossa vida. Quais são as cruzes que você tem sido chamado a exaltar?

A cruz é a vocação da Aliança de Misericórdia

Na vida da Aliança de Misericórdia, a cruz é uma realidade muito presente. Quando entramos na Comunidade escutamos dos nossos fundadores que a única coisa que eles podem nos oferecer é a cruz: “Não temos nada, somente a cruz de Cristo”.

Quanto sofrimento vivido em nossa Comunidade, especialmente a perda de muitos irmãos ao longo desses 22 anos de história.

Nivaldo da Cruz

Uma das primeiras perdas foi a do nosso missionário Nivaldo, que no dia 16 de setembro de 2001 partiu para a casa do Pai. Na semana da Festa da Exaltação da Santa Cruz, fomos chamados como Comunidade a acolher nossa cruz para seguir Jesus por meio desse sofrimento de perder um irmão.

Ao voltar de uma evangelização na Fundação CASA (antiga FEBEM), Nivaldo soube que um dos acolhidos que ele cuidava tinha fugido e voltado para as ruas.

Ele quis ir atrás desse irmão, pois a tentação poderia ter sido escolher o mais fácil, descansar e no outro dia ir buscá-lo. Na volta para a casa, na madrugada, os missionários sofreram um acidente e o Nivaldo morreu.

Nosso irmão trazia no seu nome de consagração essa espiritualidade, Nivaldo da Cruz. E sempre que passava por alguma tentação, alguma dificuldade, agarrava seu crucifixo e unia seu sofrimento ao sofrimento de Jesus.

Essa cruz é mantida como uma lembrança do Nivaldo e pode ser encontrada na Capela IES, em nossa Casa de Formação em São Paulo.

A realidade da cruz traz em si um grande mistério. Depois de passar pela cruz, pelo sofrimento e pela morte, Jesus ressuscita! E é assim que acontece com todos aqueles que a tomam, são transformados. A morte se transforma em vida.

Abraçar-lá até o fim

Podemos testemunhar como Comunidade, quanta fecundidade a morte do nosso irmão Nivaldo trouxe para a nossa pequena família.

Tertuliano ensina que: “O sangue dos mártires é a semente dos cristãos”, e assim foi. Hoje estamos em outros 7 países além do Brasil, a Comunidade cresceu muito, graças a um SIM dado com generosidade, no sofrimento.

Aprovação dos Estatutos – Um sinal da nossa missão

20 anos após a morte desse irmão, no dia da Exaltação da Santa Cruz, contemplamos um grande sinal de ressurreição: a aprovação definitiva dos Estatutos da Aliança de Misericórdia.

É um dia de grande festa, de grande alegria, de muito louvor e gratidão a Deus. Mas, sem esquecermo-nos dos grandes sofrimentos vividos até aqui. A cruz de Cristo é exaltada todos os dias na vida daqueles que se propõe a seguir Jesus.

A nossa missão é a Cruz, desejamos abraça-la e nos unir a ela, para assim nos configurarmos ao cruxificado.

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