“Você vem comigo ao Paraíso?” – A entrega do Ir. Nivaldo

Ir. Nivaldo da Cruz e Pe. João Henrique“Você vem comigo ao Paraíso” foi o questionamento feito pelo Ir. Nivaldo da Cruz na pregação realizada no dia de sua morte, dia 16 de Setembro de 2001, na Fundação Casa, antiga FEBEM.

Um Ícone de Santidade

“Hoje mesmo estarás comigo no Paraíso…”, dizia Nivaldo da Cruz, um dos primeiros missionários da Aliança de Misericórdia, referindo-se ao bom ladrão, enquanto, durante a sua última evangelização, falava, com força e ternura, para os meninos da FEBEM (Fundação Casa) da Raposo Tavares, em São Paulo/SP.

Embora não soubesse, essas palavras iam se tornar a profecia da sua própria vida. Poucas horas mais tarde, na madrugada do dia 16 de setembro do ano de 2001, Nivaldo, com 26 anos, ex-assaltante e traficante de drogas ia voltar à casa do Pai como um santo, como testemunha da Misericórdia de Deus em sua própria vida.

Uma pregação profética

Naquela última pregação, ele havia tocado o coração de todos. Não apenas os meninos, mas até mesmo os monitores e guardas da FEBEM estavam profundamente comovidos.

“Perto da Cruz de Jesus – dizia Ir. Nivaldo da Cruz – estava um ladrão, que havia sido condenado à crucificação devido às suas próprias culpas, mas que diante do Filho de Deus soube reconhê-Lo e com humildade disse-Lhe: ‘Senhor, lembra-Te de mim quando estiverdes no Paraíso’”.

“Eu também – continuava Nivaldo – fui ladrão como vocês talvez foram, assaltei, usei e trafiquei drogas, fui membro de uma quadrilha e vivi no crime, usei o revólver e me sentia forte com isso… Mas um dia, no auge do desespero, eu também falei para Jesus com reta intenção e humildade: ‘Senhor, lembra-Te de mim!’. E Ele se lembrou!

Ir. Nivaldo da Cruz e Ir. Maria Paola da Fundação CasaVamos ao Paraíso?

Ele me tirou do abismo em que eu havia caído, porque invoquei o Seu santo nome com sinceridade de coração. Sim, eu quero ir ao Paraíso, mas não sozinho…’”. Começando a apontar os rapazes da FEBEM, acrescentou: “e você vem ao Paraíso comigo? E você também vem ao Paraíso comigo? E você?”.

Assim repetiu por várias vezes para que aqueles jovens se percebessem amados de modo pessoal, particular. Ao fim de tudo, concluiu: “porque ser consagrado significa não ir ao Paraíso sozinho!”.

O Nivaldo tinha a responsabilidade de coordenar a primeira e, até então, única casa de acolhida para jovens saídos da rua da Aliança de Misericórdia. Naquela mesma noite, voltando em casa, percebeu que um dos meninos tinha tido uma queda em relação ao uso de drogas e fugido.

Bom Pastor, meu exemplo!

Nós pensávamos que não era a melhor solução buscar os filhos na rua, caso fugissem, porque achávamos ser este um momento já de escolha consciente da parte deles. Mas contrariamente ao costume, Nivaldo se aproximou de mim, como seu formador, e pediu-me para sair e procurar aquele jovem pelas ruas: “ele é fraco, não terá a coragem de voltar se não o procurarmos”.

Eu não permiti, já que a hora era tardia; à meia-noite havia passado fazia dez minutos e estavam todos muito cansados devido à evangelização na FEBEM que não tinha sido nada fácil. Foi nesse momento que Nivaldo, numa atitude ativa de amor, de generosidade e de “loucura evangélica,” respondeu prontamente:

“Padre, você me ensinou que o Bom Pastor dá a vida pelas suas ovelhas. Deixe-me ir buscar esse irmão que está perdido. Amanhã poderá ser tarde!”.

Camiseta usada por Nivaldo no dia do acidente

Vida consumida por amor

Diante disso, não pude mais negar. Apenas enviei mais dois irmãos junto com ele. Quando regressaram, a poucos metros antes da entrada da nossa casa, num acidente mortal, os anjos do Senhor vieram ceifar a vida do primeiro missionário consagrado da Aliança de Misericórdia.

Ir. Nivaldo da Cruz, primeiro filho e testemunho da Misericórdia, voltava à casa do Pai. Só ele veio a falecer no acidente. Foi encontrado no banco da frente, encolhido como se estivesse nos braços da Mãe Santíssima, que juntos tinham acabado de invocar através do terço. A última oração da vida dele foi o Magnificat…“, lembrando da sua misericórdia, como havia prometido aos nossos pais, a Abraão e à sua descendência para sempre!”.

Poucos momentos depois, a vida do Nivaldo se abria ao eterno canto da Misericórdia do Senhor.

No dia seguinte durante o velório, regressou a ovelha perdida, o jovem que tinha fugido num momento de fraqueza da casa de acolhida. Ele se colocou ao lado do caixão permanecendo assim o tempo todo. O bom pastor tinha dado a sua vida.

Padre João Henrique,
Fundador da Aliança de Misericórdia

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Assista o programa “A Arte da Vida” que contou a história de Nivaldo e trouxe testemunhos sobre sua vida de entrega e consagração:

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