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A importância do silêncio

“Senhor, dá-me a graça do silêncio para que possa escutar Tua voz!”

Vivemos num mundo em contínuo movimento. As cidades onde habitamos exigem uma vida frenética: trabalho, estudo, atividades sociais… e muito trânsito. Não muito diferente é a vida dos próprios indivíduos. Numa sociedade onde tudo deve ser rápido e eficaz, a tecnologia e os ‘mass media’ acabam por permitir às pessoas estarem conectados o tempo todo, comunicando-se entre si e recebendo as informações de um mundo interligado.

Ainda é possível ouvir a voz de Deus?

Num mundo assim, cheio de ruídos internos e barulhos externos, como é possível ouvir a voz de Deus? Como dar espaço para a dimensão espiritual numa vida repleta de exigências? Entre as necessidades do dia a dia, será que Deus tornou-se somente mais uma necessidade entre tantas?

No ambiente onde vivo, é comum que várias pessoas me procurem pedindo ajuda para aprofundar sua vida espiritual. Sou sacerdote e vivo numa comunidade cristã, onde a dimensão espiritual na vida cotidiana é bastante incentivada.

Mas, na maior parte dos casos de pessoas que me pedem esta ajuda e marcam um horário para isso, quando chegam, acabam tendo um atraso: – “Desculpa padre, foi o trânsito, o dia está uma loucura hoje”! São as primeiras palavras que muitos me falam.

Silenciamos um pouco, fazemos uma oração e deixamos que um momento de calma dê início a partilha.

Não é raro que o celular toque algumas vezes – “Desculpa padre, vou colocá-lo no silencioso” – ou que alguém chame no whatsapp pedindo uma resposta imediata.

Já me aconteceu de esperar alguns instantes até que a pessoa pudesse responder a solicitação que urgentemente alguém lhe pedia.

Agitação interior

Quando essas coisas acontecem num diálogo de acompanhamento espiritual, fico pensando que o cotidiano de quem está a minha frente não é muito diferente do que estou vendo ali.

A maior parte das pessoas, principalmente quem mora nas grandes cidades, vive uma vida bastante corrida, sem muito tempo para orar ou até mesmo para descansar um pouco.

Muitos também me partilham a dificuldade que têm para silenciar ou viver momentos de oração mais profundos: um assalto de preocupações na mente ou coisas que precisariam ser resolvidas e não foram.

Veja aqui: A mulher do silêncio

Tempo, oração e silêncio

Há também quem diga que já deram um passo: tudo o que fazem é oração; mas, continuam vazias, sem compreenderem o sentido do que fazem.

Percebo que, nessas condições, ouvir a Deus que fala ao coração humano é bastante difícil. Muitas pessoas procuram uma orientação espiritual, mas sequer cultivam uma vida espiritual de qualidade ou dedicam um tempo para a sua oração pessoal.

Precisamos ajudar as pessoas a entenderem que a vida de oração, além de ser um dom, requer empenho e esforço: é necessário dedicar tempo! O tempo dedicado para Deus é fundamental num caminho espiritual.

Isso, mais do que palavras, é uma experiência que precisamos vivenciar. Trocar o tempo dedicado para ver um filme ou um episódio da série do momento, deixar o celular um pouco de lado e colocar-se diante de Deus já será o primeiro passo…

Leia aqui: Oração e Silêncio

Este tempo poderá ser aproveitado para estar com Deus num momento silencioso de oração, no recolhimento de sua própria casa ou na capela de uma igreja. Até mesmo uma leitura espiritual ou uma caminhada contemplando a natureza poderá ser a oportunidade de um diálogo com o Senhor.

Uma verdadeira escuta gera comunhão com Deus

Ao silenciarmos, Deus poderá falar ao nosso coração. Esta será também a ocasião para um encontro vivo e verdadeiro com o Deus criador que nos ama por aquilo que nós somos, e não por aquilo que fazemos ou possuímos.

Esse mesmo Deus convida cada um de nós a sermos autênticos: sermos aquilo que Deus deseja de nós! Daqui pode nascer uma relação de amor com um Deus que não é inimigo do ser humano, mas amigo, companheiro e guia.

Quem faz uma experiência assim, também pode começar a olhar ao seu redor, ver quantas pessoas necessitadas e sozinhas estão por aí, esperando apenas alguém que lhes estenda a mão e talvez as ouça um pouco.

Pe. Rodrigo Custódio

Presidente da Aliança de Misericórdia

Para te ajudar no seu caminho de espiritualidade, assista também:

Princípios da Vida Espiritual

 

Silêncio Interior – a diferença entre Céu e Inferno

 

Deus não se comunica às almas tagarelas

Imagem de destaque: Filip Luchianenco, no Unsplash

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