Sempre é tempo de voltar para Deus | A conversão de Santo Agostinho

Se nos encontrássemos com Deus neste momento, se chegasse a nossa hora, estaríamos prontos? Com certeza poucos responderiam que sim. Mas, um grande santo nos ensina a estarmos sempre preparados para o grande Encontro. Recordemos Santo Agostinho.

Santo Agostinho e seu caminho de conversão

Já é conhecido que umas das grandes intercessoras pela conversão de Agostinho foi sua mãe, Mônica. Mulher piedosa e paciente que intercedeu sem cessar para que o filho se encontrasse com Deus.

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Foi um caminho de 21 anos até ele se deixar seduzir pelo Senhor. Queremos de forma muito simples acompanhar os passos deste santo “fora” de Deus, passos estes que, de uma certa forma, ajudaram a adornar ainda mais as virtudes deste grande Doutor da Igreja.

Sem a Graça nada acontece

Podemos considerar Santo Agostinho um santo de “primeira grandeza”, quando levamos em conta tamanho de sua influência na Igreja e na História. A sua conversão foi um marco comparado à conversão de Paulo de Tarso.

Foi uma intervenção direta da Graça, algo que “Nem olhos viram, nem ouvidos ouviram, nem jamais penetrou em coração humano o que Deus tem preparado para aqueles que o amam” (I Coríntios 2, 9).

Um fato interessante sobre sua vida, é que quando nasceu, sua mãe Santa Mônica teve medo de batizar Aurelius Augustinus, pois na mentalidade da época, era muito mais seguro receber o perdão geral dos pecados pelo batismo no final da vida, do que suportar as penas da confissão.

Por exemplo, antes de confessar-se o fiel tinha que fazer anos de penitência para depois comparecer diante do padre, profundamente arrependido e com o firme propósito de não pecar.

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Dons e fraquezas

Agostinho era um rapaz muito talentoso e já na adolescência se viu encantado com os discursos de um orador famoso e quis se aprofundar na arte da oratória e da retórica. Assim, foi sendo levado pela “mídia” de seu tempo.

Conheceu diversas doutrinas não cristãs, dentre elas, o maniqueísmo, que grande influência teve em seu modo de pensar.

Agostinho era um jovem entregue às paixões da carne como bebedeira e a vida boêmia, mas o que mais o aprisionava era a questão da sexualidade. Ele ainda jovem teve um filho chamado Adeodato e, pelas regras sociais da época, não podia se casar com a mãe da criança.

Ele até tentou manter distância da mulher (por causa de sua criação cristã), mas não podendo manter a continência, vivia em concubinato com ela.

A conversão

Em Milão, ele passou a frequentar as Missas do bispo Ambrósio devido à sua fama de ótimo orador. Enquanto isso, Mônica orava para que seu filho arranjasse um casamento descente e saísse daquela condição, que para a época, era considerado a ruína da alma.

Aos poucos, ele se deixou conquistar não só pela beleza do discurso de Ambrósio, mas pela mensagem em si: a força do Evangelho rompeu as barreiras que o impediam de ver a Deus.

Ele relata sobre como foi a reação de sua mãe ao saber de sua conversão:

“De tal forma me convertestes a Vós, que eu já não procurava esposa nem esperança alguma no mundo. Mas, permanecia firme naquela regra da fé que tantos anos antes me tínheis mostrado à minha mãe.

Transformastes a sua tristeza (de Mônica) numa alegria muito mais fecunda do que ela desejava e muito mais querida e casta do que podia esperar dos netos nascidos de minha carne” (Livro 8 das Confissões).

Como acontece a conversão?

Para cada pessoa a conversão acontece de um modo, uns como Agostinho demoram anos, a outros, o Encontro pode acontecer num instante e mudar tudo de uma só vez. O importante, quando se está intercedendo por alguém, é cultivar as virtudes da paciência e fortaleza, que são frutos da caridade.

Nada de ser uma pessoa inoportuna e ficar o tempo inteiro “tocando terror”, falando sobre o inferno, falando que as coisas vão mal por causa da falta de Deus, e por aí. Não! A coação pelo medo nunca conquistou profundamente os corações a Deus.

Portanto, fique atendo ao processo de conversão verdadeira e aguarde por ele no sossego de quem confia em Deus.

A Luz interior

A primeira coisa que observamos quando alguém relata uma autêntica conversão é que ela é iluminada interiormente. É algo quase imperceptível, até mesmo pela pessoa convertida. No livro das Confissões, Santo Agostinho notou isso e relata como foi.

No caso dele, sua conversão foi por etapas. Ele buscava a verdade e achou que a encontraria na retórica, depois foi para os maniqueus, passou pela filosofia até que A encontrou na pregação de Santo Ambrósio.

Portanto, a sua “primeira conversão” (se é que podemos classificar assim) aconteceu na esfera intelectual. Isso acontece em todas as pessoas; é um encontro com a Verdade.

O próprio Agostinho percebeu que ele por várias vezes, adiava este encontro dizendo que as coisas ainda eram incertas, que a verdade não era clara. Porém, ainda era cômodo ter esta postura para continuar no pecado.

Ele ouvia o convite, mas a vontade era-lhe um músculo atrofiado; a inteligência já sabia o que era certo, através das pregações, mas a vontade não queria aderir.

A mudança

Pintura de Fra Angelico retratando a conversão de Santo Agostinho.

“O hábito (o vício) que combatia tanto contra mim provinha de mim”. Nesta frase, Santo Agostinho assume que nem tudo é o Diabo que provoca e que foi uma luta feroz dentro dele entre duas vontades.

Neste ponto faltava um toque da Graça.

Um dia, conversando com um amigo, Alípio, começaram a falar sobre a vida dos monges em especial a de Santo Antão.

Alípio, então, lhe comunicou que ali perto, em Milão haviam pessoas que viviam tal e qual os padres do deserto. Isso inflamou o espírito de Agostinho, pois via que era possível viver de tal modo sem sair da cidade grande.

Sua luta interior aumentou, pois, querendo voar, não conseguia dar um passo para sair definitivamente do pecado.

Certa vez, rezando e chorando num jardim sobre a angústia de sua alma, ele ouviu uma voz que disse: “Toma e lê”. Logo abriu as Sagradas Escrituras e os olhos caíram na Carta de São Paulo aos Romanos, que diz:

“Não caminheis em glutonarias e embriaguez, não nos prazeres impuros do leito e em leviandades, não em contendas e rixas; mas revesti-vos de nosso Senhor Jesus Cristo, e não cuideis de satisfazer os desejos da carne” (13, 13-14).

Foi aí que Deus o iluminou: “Não quis ler mais, nem era necessário. Quando cheguei ao fim da frase, uma espécie de luz de certeza se insinuou em meu coração, dissipando todas as trevas de dúvida” (Confissões, VIII, 12).

Convite amoroso

Deus bate à nossa porta todo tempo com suavidade e amor, propondo o tempo inteiro uma vida plena. A conversão é uma obra de Deus, por isso, nunca podemos duvidar de sua ação, pois no tempo certo Ele virá.

Nunca devemos deixar de buscar a verdade e de nos expormos aos raios da graça.

Que Santo Agostinho interceda por nós e, se por acaso, você está orando pela conversão de alguém, que este grande santo possa aproximar-se e rogar por este filho de Deus.

Santo Agostinho, rogai por nós.

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