A Porta dos Cavalos – Palavra do Mês de Dezembro/2019

A Porta dos cavalos

Vinde a mim, vós todos que andam cansados, fatigados pelo peso do vosso fardo e eu lhes darei descanso (Mt 11,28).

A porta dos cavalos, de que nos fala Neemias 3,28-29 era a porta pela qual os cavalos entravam e saiam da cidade, para descarregar as mercadorias, ou para irem para as guerras. Assim, pensar nesta porta neste tempo de Restauração, penso que sua simbologia nos permite avaliar pelo menos três atitudes da nossa vida.

  1. Saber “colocar em Cristo o peso do nosso fardo”.

Quantas vezes andamos oprimidos por tantas preocupações, ou agitamos nosso coração por muitas coisas, ou estamos angustiados pelo futuro? É necessário ter claro que entrar na cidade de Deus, significa descarregar “o peso do nosso fardo”, numa atitude de fé e confiança n’Aquele que deseja dar-nos descanso.

O cristão necessita fazer memória de que na vida espiritual não é prioritário ser forte, mas estar com Aquele que é forte e que nos diz continuamente: “Eis que estarei convosco todos os dias, até o fim do mundo” (Mt 28,20).

Ele é que manifesta o Seu poder, confirmando a nossa Palavra com os sinais que a acompanham (cf. Mc 16,20).

Se nós faremos o possível, Ele fará o impossível como em Caná da Galileia, transformando a água em vinho (Jo 2,1ss); […] pois, “com efeito, tudo é possível a Deus” (cf. Mc 10,27).

Ele é que justifica, que cura nossas enfermidades (cf Is 53,4). Ele que carregou nossos pecados, que liberta, que providencia o necessário de cada dia (Mt 6,30-33).

Ele que repete: “Crê somente” (Mc 5,36).

Ele, que nos ensina, através de Santa Faustina, o segredo para obter graça e misericórdia com o “recipiente” da simples confiança: “Jesus, eu confio em Vós!”.

Você se agita com muitas coisas, disse Jesus à Marta. “Maria escolheu a parte melhor e não lhe será tirada!” (Lc 10,42). Qual é esta “parte melhor”? Estar do lado de Jesus, estar com Ele. Quando o Senhor nos convida a não nos preocuparmos com a comida, roupa, bebida, com o dia de amanhã, Ele nos diz como fazer: “Buscai primeiro o Reino de Deus e todas as outras coisas virão em acréscimo!” (Mt 6,33) e o que é o Reino de Deus senão a Sua Presença viva no meio de nós?

Lembro-me sempre de um jovem sacerdote da nossa terra que, inexperiente, lutou com um endemoninhado durante um exorcismo, até cair exausto. Então, vencido pelo cansaço exclamou: “Senhor, eu não consigo mais, socorro, vem em nosso auxílio!”. E naquele momento o endemoninhado ficou liberto.

Quando o peso da sua dor fica insuportável e as dificuldades parecem te esmagar, repete com o coração de criança: “Jesus, eu confio em Vós!”. E qual o peso, a carga leve de Cristo? A Sua própria Presença que nos dá a vitória sobre todo o mal: “Nele somos mais que vencedores!” (cf. Rm 8,37).

  1. Sabermos cuidar e treinar para o combate

Esta porta dava ao lugar onde se cuidava e se treinavam os cavalos para o combate, daqui eles saiam para a guerra.

A cada um de nós cabe a responsabilidade de cuidar do nosso cavalo, o nosso corpo como templo do Espírito Santo (cf. 1Cor 6,19). Amarmos a nós mesmos é condição para podermos amar os outros. Só quem descobre que a sua vida é um “dom”, pode doar-se com alegria para os outros!

Cuidar do próprio corpo, saúde, limpeza, alimentação, roupas, harmonia, é gesto de gratidão para o Criador e de amor para aqueles que encontramos e nos são confiados.

Por outro lado, sabemos que existe um amor desordenado para nós mesmos, “o amor para nós mesmos contra nós mesmos”: a acídia “é uma tristeza, um enfado, um torpor de mente, tal prostração de ânimo que afasta a vontade de fazer ou iniciar alguma boa coisa. E isso acontece justamente com as coisas espirituais”.

Precisamos, de fato, “governar a nossa casa para cuidar da Igreja de Deus” (1Tm 3,5), a começar do “governo” do nosso corpo, do domínio dos instintos e paixões que movem guerra contra nós mesmos e contra Deus. “Vivam segundo o Espírito e não satisfaçam os desejos da carne, pois a carne tem desejos contrários ao Espírito (…) e os que são de Cristo Jesus crucificaram a carne junto com suas paixões e desejos” (Gal 5,16ss). Neste sentido, a Palavra nos convida: “Não sejam como o cavalo ou a mula, que não têm entendimento, cuja impetuosidade precisa ser domada com freio e rédeas para que obedeçam” (Sl 32,9).

  1. Não esquecer do burro

De fato, entre os animais de carga que passavam por esta porta, estavam também os burros. E não por acaso! Na Bíblia, quando os profetas calam, os burros profetizam (Nm 22,21-23,30), quando o povo de Israel não reconhece o seu Senhor, o boi e o burro O reconhecem (cf. Is 1,3). Quando os inimigos oprimiram o povo, foi com o maxilar de um burro que Sansão os venceu (cf. Jz 15,1-20). Nas profecias messiânicas, um jumento carregará o Messias, e na entrada de Jerusalém, Jesus quis necessitar de um “jumentinho, filho de um animal de carga” (cf. Mt 21,5).

            “Confia no Senhor e com certeza Ele agirá” (Sl 36,5), pois é na lógica evangélica que o Senhor não escolhe os capacitados, mas capacita os escolhidos (1Cor 1,26ss).

 Assim foi para São Joao Maria Vianey, o Cura d’Ars, padroeiro dos Padres. Ele, apesar dos esforços, não conseguia ter bons resultados nos estudos pelos limites culturais. Alguns dos professores de teologia achavam difícil podê-lo ordenar porque era “burro”. Aí ele respondeu, com a sabedoria dos santos: “Sou burro, é verdade! Mas se Sansão pôde vencer os filisteus com o maxilar de um burro, quanto mais poderia fazer o Senhor com um burro inteiro!”.

Vinde a mim, vós todos que andam cansados fatigados pelo peso do vosso fardo e eu lhes darei descanso (Mt 11,28).

Não esqueça: em falta de cavalos, Deus se serve de burros! Coloque as rédeas da sua vida nas mãos do Senhor com confiança e gratidão!

 Tenha coragem!

 Deus te abençoe!

Pe. João Henrique

Fundador

Mais uma canção do ministério Acordi, desta vez pra nos lembrar que temos um Pai! Que nos acolhe e nos ama! Somos Herdeiros deste amor! Somos filhos!

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