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O perfume agradável da conversão

“A casa encheu-se com o perfume do bálsamo”

“O aroma dos teus perfumes é requintado”, lê-se no Cântico dos Cânticos (1,3). Distingo ali várias espécies […]: o pefume da contrição, o da piedade e o da compaixão. […]

Há, pois, um primeiro perfume que a alma compõe para seu próprio uso quando, apanhada numa rede de numerosas faltas, começa a refletir sobre o seu passado. Reune então, no cadinho da sua consciência, para os juntar e esmagar, os múltiplos pecados que cometeu; e, na fornalha do seu amor ardente, fá-los cozer no fogo da penitência e da dor. […]

É com este perfume que a alma pecadora deve cobrir os inícios da sua conversão e ungir as chagas recentes; porque o primeiro sacrifício que se há de oferecer a Deus é o de um coração arrependido. Enquanto a alma, pobre e miserável, não possuir com que compor um unguento mais precioso, não deve neglicenciar preparar aquele, ainda que o faça com vis matérias-primas. Pois Deus não desprezará um coração que se humilha na contrição (Sl 50,19). […]

Aliás, esse perfume invisível e espiritual não poderá parecer-nos de fraca qualidade, se compreendermos que ele é simbolizado pelo pefume que, segundo o Evangelho, a pecadora deitou sobre os pés do Senhor. Com efeito, lemos que “a casa encheu-se com o perfume do bálsamo”. […]

Lembremo-nos do perfume que invade toda a Igreja no momento da conversão de um único pecador; todo o penitente que se arrepende torna-se para a multidão como que um odor de vida que a desperta. O aroma da penitência sobe até às moradas celestes, uma vez que, segundo a Escritura, o arrependimento de um só pecador é uma grande alegria para os anjos de Deus (Lc 15,10).

São Bernardo (1091-1153), monge cisterciense, doutor da Igreja
10.º sermão sobre o Cântico dos Cânticos

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