O espanto e as relações humanas

Quando pensamos nas estruturas em que estamos inseridos no universo, a sua grandeza e a sua organização causam espanto até no mais sabido dos homens. Fato é que por mais que o ser humano tente dar respostas e explicações para o funcionamento do cosmos, isto resta misterioso para a maioria de nós. E ao que me parece, é bom que seja assim.

O espanto é uma reação humana que sempre me impressionou. Após percebê-lo, a necessidade de buscar por respostas aparece quase que instintivamente e nos coloca na posição de investigadores de um fenômeno. Isto acontece com o que é natural, do mundo físico. Também, com o que é sobrenatural, do mundo espiritual e, ainda, nas nossas relações humanas.

Inúmeras vezes nos impressionamos com uma estrela cadente. Com o alinhamento de alguns planetas na órbita da Terra, visíveis a olho nu. Nos impressionamos com eclipse solar ou lunar. Com fenômenos como a ‘Superlua’. Impressionamo-nos mais ainda com a manifestação de Deus no mundo: milagres, curas, conversões, mover do Espírito Santo. Ou ainda, nos impressionamos com a complexidade humana em toda sua subjetividade.

Descobrir o universo alheio

Com este preâmbulo, quero introduzir uma pequena reflexão sobre o fato de que temos em cada um de nós um universo misterioso e maravilhoso. Este, funciona de maneira parecida com o UNIVERSO criado por Deus. Somos, como dizia minha avó, “farinha do mesmo saco”. Fomos criados pelo mesmo Deus, ainda que em níveis diferentes de importância e valor, segundo a vontade do Criador.

Partindo deste pressuposto, devemos nos atentar para que nossas relações não fiquem na superficialidade do que vemos no outro. Cada ser humano é um universo. Cada ser humano tem si uma história, lutas, feridas, sofrimentos, dificuldades, frivolidades… Mas também, amor, alegrias, vitórias, desejo de fazer o bem, de construir um mundo melhor, de construir uma família.

Capacidade de se admirar

Muitas vezes, na dinâmica das relações sociais, deixamos passar a preciosidade do outro por conta dos nossos preconceitos e pré-julgamentos. Aqui, não estou a falar de empatia ou antipatia, pessoas que gosto ou não gosto. É óbvio que existem pessoas que nós nunca conheceremos e nunca aprofundaremos em um relacionamento. Isso, é um movimento de abertura que tem a ver com a grandeza que existe em cada ser humano.

 

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Penso que precisamos conservar em nós a capacidade de espanto em relação ao outro. Pois, é este misto de mistério e admiração que faz com que possamos descobrir diamantes escondidos e preciosos. Uma vez ultrapassadas as barreiras que nós mesmos colocamos em relação às outras pessoas, teremos sem dúvidas, gratas surpresas!

 

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João Felipe

Missionário da Aliança de Misericórdia, na Bélgica

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