Misericórdia com o próximo

“Quem foi o próximo daquele homem que estava caído? E ele respondeu: o que usou de misericórdia para com ele” (Lc 10, 36-37).

“Sinto a presença de Deus em vocês”

“Disse Jesus: ‘Se alguém me ama, guardará minha palavra, e meu Pai o amará. Nós viremos a ele e nele estabeleceremos morada’” (Jo 14,23)

Depois que a missão já havia terminado, atravessávamos o centro de São Paulo quando vimos um morador de rua que passava mal. A princípio não tivemos reação, mas depois, em dúvida quanto ao que fazer, começamos a discutir.

O Espírito Santo suscitou-nos o episódio do Bom Samaritano: “Quem foi o próximo daquele homem que estava caído? E ele respondeu: o que usou de misericórdia para com ele” (Lc 10, 36-37).

Juntos decidimos voltar e ajudar aquele homem. Percebemos que as pessoas precisam mais do que ajuda material. Ele nos disse: “preciso desabafar! Vocês podem me ouvir?”. Então começou a chorar e nos contar seus sofrimentos. Em certo ponto disse: “Vocês são diferentes. Sinto a presença de Deus em vocês!”

Não fugir da dor do outro

Por amor a Deus, não só nos lembramos das Palavras de Jesus, mas nos arriscamos a vivê-las! Assim, aquele morador de rua nos fez perceber que a presença amorosa do Pai estava em nós.

“Não fugiremos da dor do homem, […] mas, atraídos pelo Amor, […] nos inclinaremos sobre cada viajante ferido, para curar cada chaga com o óleo da ternura do Pai”. (OMI, p. 103)

A Santíssima Trindade é toda Amor. Muitas vezes ouvimos nossos padres falarem desse Amor Trinitário em que o Pai é “Aquele que ama”, o Filho é o “Amado” e o Espírito é o “Amor”, de forma que já não são três, mas um só Deus.

Essa comunhão plena em que vivem nos contagia na medida em que nos abrimos, nos levando, por fim, a amar os irmãos!

A Escola da Comunhão e da Unidade nos ensina a irmos além da caridade para com os pobres. Às vezes é mais fácil compadecer-se deles do que dos que Deus coloca ao nosso lado.

O irmão que trabalha comigo, estuda, que é do mesmo grupo que eu ou ainda da minha própria família, muitas vezes me contraria, ou me faz ter que renunciar minha própria vontade.

Unidade ≠ Uniformidade

Quando falamos de Unidade, não estamos falando de pensarmos todos da mesma forma, e sim de, mesmo pensando diferente, buscar um consenso: a Vontade de Deus! Pode ser que o outro esteja certo, mas, na maioria das vezes, significa perder a minha ideia para encontrar uma ideia que seja “nossa”! E aí reside a Vontade de Deus: que entremos em acordo!

“Se dois de vós estiverem de acordo na terra sobre qualquer coisa que queiram pedir, isso lhes será concedido por meu Pai. Pois onde dois ou três estiverem reunidos em meu nome, ali estou eu no meio deles” (Mt 18,19-20)
Quando acolhemos o Amor Trinitário, Deus faz morada DENTRO de nós!

Agora, quando isso nos leva a amar concretamente o irmão, e se também ele tem esse desejo no coração, nossa escolha pode trazer a presença de Deus ENTRE nós! No nosso meio!

Quanto à história, qual foi o desfecho? Assim que conseguimos uma vaga para que fosse acolhido, fomos atrás dele novamente.

Descobrimos que quase havia morrido, mas no hospital, lembrando-se de nossas palavras, decidiu voltar a acreditar no amor de sua família: pediu para que ligassem para sua mãe, que prontamente foi buscá-lo e hoje ele não está mais nas ruas: voltou para sua casa!

Foi muito bonito o final da história, mas tudo isso não aconteceria se nós missionários não tivéssemos primeiro entrado em acordo. Aprendamos da Trindade a Escola da Comunhão e da Unidade, abaixando-nos até o outro, fazendo-nos um com ele, buscando juntos a Vontade de Deus.

Maria Camila – Missionária de Vida

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