Maria exemplo real de maternidade

“Ao entrar na casa, viram o menino com Maria, sua mãe” (Mateus 2,11).

O ideal da maternidade

No mundo atual existe uma busca imensa das mães pelo ideal da maternidade. Procuram na internet, livros e redes sociais um exemplo de mulher e mãe que as possam inspirar.

Acredito que por mais que existam aquelas que se põem a ajudar no processo de maternidade e cheias de boa vontade, ainda fica um abismo entre o ideal e o real.

Porque nenhuma de nós ainda alcançou o verdadeiro e o mais profundo sentido da maternidade. Mas aonde e em quem se inspirar? Alguma mulher alcançou o ideal do gerar?

Só existe uma mulher que na sua plenitude e na plenitude dos tempos alcançou essa graça: Maria, a mãe de Jesus.

No final, paramos na aparência

Porém, muitas pessoas têm uma visão muito romantizada da maternidade de Maria por ela ter gerado Jesus, o Filho de Deus. Imaginam que tudo foi tão tranquilo, sem dores e renúncias.

Desde a anunciação do Anjo Gabriel de que ela seria a mãe de Jesus, sua vida passou por uma total transformação e inúmeras renúncias.

Uma jornada de renúncias

Primeiro passou de uma simples jovem de uma pequena aldeia desconhecida em Israel a ser a mãe do Messias, o Filho de Deus. Teve que renunciar seus sonhos de adolescente e noiva, precisou enfrentar a desconfiança daquele homem que seria o seu futuro marido.

No início da gravidez, se pôs em viagem para encontrar com Isabel sua prima, uma viagem longa para as montanhas de Judá a cerca de 170 quilômetros de Nazaré, caminho que precisava percorrer a pé, numa viagem de mais de uma semana.

Ao voltar da casa de Isabel, após três meses com a barriga já aparecendo, Maria se deparou com os olhares desconfiados dos seus vizinhos.

ilustração de Maria de perfil num fundo marrom escuro-segurando uma pomba brancaNa solidão com Deus

Esse foi um tempo de escondimento! O Anjo já havia consolado o coração de José e ele a tinha aceitado em sua casa, agora eram casados.

Mas, Maria optou por viver esse tempo mais em casa, sem sair às ruas para evitar os insultos e falatórios, mas também porque queria mergulhar no mistério da maternidade e de estar gerando o Filho de Deus. Esse foi um tempo de profunda intimidade com Deus, com seu Filho e com José.

Totalmente mergulhada e entendendo o imenso valor que ela trazia em seu ventre, os meses foram passando. Penso em Maria fazendo as roupinhas de Jesus e, José como um bom carpinteiro, talhando a madeira para o berço.

Não estava nos planos

Mas, ao se aproximar o nascimento do Menino, tiveram que renunciar o conforto do seu pequeno lar em Nazaré e o trabalho, para se dirigirem a Belém para o recenseamento.

Uma viagem longa de 175 quilômetros, uma semana de viagem que deveria ser percorrida a pé, mas, provavelmente José providenciou o burrinho para Maria.

Que mulher com quase nove meses de gravidez consegue viajar uma semana no lombo de um animal? Maria viajou e não reclamou!

Acolher o filho de Deus

Cansados, chegam ao destino da viagem, Belém. A vila está repleta de peregrinos que estavam ali por causa do recenseamento, José começa a procurar um lugar para acomodar Maria, mas não encontram e após uma noite inteira de busca, o único lugar que lhe colocam à disposição é uma gruta fora do vilarejo, lugar onde ficavam alguns animais.

Uma das hipóteses de não terem dado lugar para José e Maria em nenhuma hospedaria, talvez seja pelo fato dela estar grávida e prestes a dar à luz.

Isso geraria todo um desconforto nos demais hospedes e faria com que eles precisassem ocupar aquele lugar por mais tempo.

Dói no coração de Maria ao perceber que a sua maternidade é sinal de repulsa para os homens.

Na pobreza de Belém

Cena do filme “Maria de Nazaré”.

Na gruta encontra acolhida junto aos animais e no segredo da noite, completam-se os dias do parto e Maria dá à luz ao seu Filho primogênito e o envolveu em faixas e reclinou-O numa manjedoura (Lucas 2,6-7).

Não teve o berço feito por São José e nem as roupas costuradas por essa mãe. Maria passa pela dor e pela humilhação de não poder proporcionar ao seu Filho um lugar confortável para nascer e uma cama.

Um drama vivido por tantas mães pelo mundo, que experimentam a pobreza, a exclusão, a perseguição por causa dos conflitos e ficam impedidas de oferecerem um lar a seus filhos.

Fuga dos perigos

A família precisou permanecer em Belém por um longo período e mais uma vez foram surpreendidos pela notícia que precisavam fugir, pois Herodes queria matar o Menino. Fugiram para o Egito, mais uma vez deixando para trás, no meio da noite, o pouco que tinham.

E vão viver como estrangeiros numa terra distante. Não se sabe ao certo quanto tempo ficaram no Egito, mas ali também Maria teve que se adaptar e com tantos desafios financeiros e da língua, teve que cuidar e educar seu Filho.

Após esse período, chegou a hora de voltar para a sua terra, mas, sabendo que o filho de Herodes reinava na Judeia, decidiram ir para Nazaré e ali viveram até a vida adulta de Jesus.

Sofrer pelo filho

Mas quando Jesus tinha 12 anos, Maria enfrenta um drama: Jesus fica em Jerusalém no templo, enquanto seus pais voltavam para casa, sem saberem que o Menino tinha ficado para trás.

Quando Maria sabe, volta com José às pressas para Jerusalém e após um dia de procura, O encontra no templo entre os doutores da lei.

Que agonia para o coração dessa mãe, ela se viu cheia de aflição.

Certa vez, perdi minha filha quando tinha uns dois anos de idade numa rodoviária, por cerca de uns minutos, que me pareceram eternos de tanto que foi o meu desespero. Imagino Maria pensando que havia perdido o Filho de Deus por um dia inteiro.

Guardou tudo em seu coração

Em todas as lutas e sofrimentos que Maria passou, existe uma passagem na Bíblia que serve como uma grande lição para todas as mães. Em nenhum momento ela esbravejou, duvidou, se arrependeu de ter dito “SIM” ao anjo, mas em todos os momentos, ela “Guardou e meditou tudo em seu coração” (Lc 2,19; Lc 2,51b).

Vejo aí a maternidade real de Maria: ela sabia decidir e agir conforme o seu coração, ela não teve tempo para estudar e se preparar para ser mãe, fazer cursos, não teve doula, não teve quem a ensinou a amamentar, mas se deixou conduzir por algo maior que vinha de dentro dela e isso a fez livre na educação de Jesus.

Não sou contra essas necessidades que se apresentam a nós nos tempos modernos, mas não podemos pensar que as mordomias e confortos sejam essenciais para se exercer a maternidade.

Uma mulher extraordinária e comum

Você pode pensar: “mas hoje são outros tempos, mas ela era Maria”. Cada tempo na história tem suas dificuldades, restrições e o tempo em que Jesus nasceu, era um tempo cheio de conflitos políticos, doenças, migrações, pobreza e intolerâncias, seja social ou religiosa.

Sim, ela era Maria, tão humana como nós, tinha dores, chorava, teve medo, mas teve a coragem de remar contra a correnteza e permanecer fiel a vontade de Deus, foi por isso que Deus a escolheu: por que em tudo ela quis fazer a vontade de dEle!

E quando tudo parecia estar tranquilo, teve que subir a Jerusalém e ver seu Filho, o Filho de Deus, ser entregue nas mãos de homens injustos; viu Jesus carregar uma pesada cruz, cair e levantar e ela não pode aliviar a dor dEle.

Viu Ele se entregar na cruz e ali morrer. Mas como diz o evangelista São João: “Aos pés da Cruz estava Maria sua mãe”. Penso aqui, que nunca uma mãe vai aliviar por completo a dor de um filho, existe um caminho que deve ser percorrido por eles e que por mais que queiramos, não temos como impedir.

O segredo de Maria

Maria permaneceu sempre ao lado do seu Filho como uma boa mãe, mas, Ele precisou passar pela cruz, pela morte e pela ressurreição.

Olhando a sua vida não encontramos nada de extraordinário, mas nos deparamos com o ordinário que parece com o corriqueiro de qualquer mulher e mãe, mas o que a fez e a faz especial é em tudo fazer a vontade de Deus!

“Ensine-nos, ó Maria, a olharmos para ti e nos espelharmos no caminho de maternidade, a sermos mulheres que buscam acima de tudo a vontade de Deus, a colocarmos somente em Deus a nossa esperança, a vivermos na fé e colocarmos a nossa confiança em Deus, para sermos boas mães”.

Patrícia Elias Viola, mãe de três filhos, jornalista e missionária da Aliança de Misericórdia

Ilustração do rosto de Maria-filtro sépia

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