Jacó: um homem que Deus não desiste de Amar

Maio de 2020 Determinação

Base para meditação: Gênesis 32,22-32; Oséias 12,3-4

“Não te largarei, se não me abençoares”

Neste caminho espiritual que o Senhor nos confiou, te convido a mergulhar nos fundamentos da nossa vocação, num encontro consigo mesmo, no desejo de renovar a entrega de nossas vidas com um “sim” profundo e concreto para Aquele que nos escolheu: Jesus.

Para ilustrar esta estrada que precisamos percorrer para alcançarmos a santidade, encontramos no livro de Gênesis um fragmento de difícil interpretação, mas de grande importância na nossa vida de fé e de oração: trata-se do relato da luta de Jacó com Deus no vau de Jaboque.

Como lestes no texto bíblico, Jacó tinha tirado do seu irmão Esaú a primogenitura, e depois recebeu de maneira enganosa a bênção do seu pai Isaac, que nesse momento era muito idoso, aproveitando-se da sua cegueira. Fugindo da ira de Esaú, refugiou-se na casa de um parente, Labão.

Se casou, enriqueceu e voltou à sua terra natal, disposto a enfrentar o seu irmão, depois de ter tomado algumas prudentes medidas.

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A luta de Jacó

Mas quando tudo estava preparado para este encontro, depois de ter feito que os que estavam com ele atravessassem o vau que delimitava o território de Esaú, Jacó ficou sozinho. Ali, foi agredido por um desconhecido, com quem lutou a noite inteira.

Essa luta corpo a corpo (que encontramos no capítulo 32 do Livro do Gênesis) se converte para ele em uma singular experiência de Deus.

“Não te largarei, se não me abençoares” (Gn 32,27)

A história de Jacó certamente pode ser um retrato da nossa própria história. Quantas vezes, olhando o passado, identificamos que em muitas difíceis situações pedimos a ajuda de Deus, e em outras pensamos superficialmente ter a capacidade de resolvê-las sozinhos.

Mas, este é o caminho espiritual que “Deus permite” a todos nós: anos de procura, erros, pedidos de perdão, fracassos, decepções, conquistas. Enfim, sem percebermos, muitas vezes Deus nos guiava tentando encontrar-se conosco e a nos esperar.

No caminho espiritual de Jacó

A noite é o momento propício para agir escondido, um tempo oportuno para atravessar o rio, entrar no território do seu irmão sem ser visto e talvez com a ilusão de pegar Esaú de surpresa. No entanto, Jacó é surpreendido e se encontra na frente de uma situação inesperada, para o qual ele não estava preparado.

Tentou programar tudo, acreditava ter tudo em seu controle, porém é surpreendido, e precisou sozinho enfrentar uma luta misteriosa sem ter a oportunidade de organizar uma defesa adequada.

Queridos, quantas vezes, no nosso caminho espiritual, nos sentimos seguros só porque colocamos todas as coisas em ordem. Temos as nossas práticas de oração, os nossos tempos de retiro, pensamos ter nas mãos toda a Palavra de Deus, porque muitos nos elogiam, por trás de nós uma comunidade…, e tudo nos dá segurança.

Como costumamos dizer: tudo bem organizadinho! Mas, para Deus que nos quer sempre mais filhos Dele, penso que não seja o suficiente. Tenho certeza que Ele quer mais de nós.

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No mistério da noite

A história é apresentada na escuridão, e Jacó estando despreparado, em meio à noite, sozinho, foi obrigado a lutar com alguém. O seu adversário não tem nome, fala-se somente de um homem. Tudo é escuro ao redor de Jacó. Ele não identifica o agressor, é um desconhecido que se opõe e quer lutar.

Em alguns momentos parece que Jacó esteja vencendo-o, outras vezes parece que ele é derrotado. Como disse, tudo acontece na escuridão. Tudo é vago, mas também a luta não é clara.

De fato, Jacó luta a noite inteira e o adversário não dá conta de vencê-lo. Porém, aquele que parece ser o inimigo, num certo ponto da luta, atinge Jacó no fêmur, provocando-lhe um deslocamento. Consequentemente, poderíamos pensar que Jacó foi vencido, mas não acontece assim.

O desconhecido pede a ele para ser liberado, e o patriarca se nega, impondo uma condição: “Não te largarei, se não me abençoares” (Gn 32,27).

A vida humana e a luta diária

Nesta luta encontramos muitos elementos que iluminam a nossa vida espiritual/humana. Chega um momento que nos encontramos na frente de situações que não sabemos enfrentar.

E, parece-me que tudo acontece em tempos de escuridão da nossa vida. Assim nos perguntamos: onde está Deus? Quem pode me ajudar? Será que vou sair desta situação ou dificuldade? O obscuro fica ao redor e dentro de nós, e muitas vezes não temos respostas para os porquês.

O Papa Emérito Bento XVI, em um de seus ensinamentos nos dizia que “a noite de Jacó no vau de Jaboque se converte, assim, para todos os que creem, em um ponto de referência para entender a relação com Deus que, na oração, encontra sua máxima expressão.

A oração exige confiança, proximidade, quase um corpo a corpo simbólico, não com um Deus adversário e inimigo, mas com um Senhor que abençoa e que permanece sempre misterioso, que aparece como inalcançável”.

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Docilidade à vontade de Deus

Nasce aqui uma grande lição, o passo que Deus espera de todos nós: precisamos lutar, precisamos enfrentar, confiantes e determinados naquilo que Deus prometeu. Deus pede que nos tornemos fortes, decididos nas escolhas sem nunca olhar as cebolas do passado (Cf. Nm 11,15).

É difícil, mas é necessário! Assim, a luta que no qual destaquei nesta pequenina reflexão, é aquela luta que só pode atingir a oferta no dom de si mesmo a Deus, reconhecendo os próprios limites e fraquezas, que vencemos quando conseguimos nos abandonar nas mãos misericordiosas de Deus.

“Não te largarei, se não me abençoares” (Gn 32,27)

O Patriarca recebe o nome novo: “Israel”, que identifica a essência da pessoa, ou seja, uma nova identidade é dada a Jacó.

Assim, só permanecendo na luta e no desejo da benção, que cada um de nós receberá o nome novo, a nova vida, e Deus encontrará um filho dócil que reconhecerá o Seu rosto e tudo tornar-se-á, consequentemente, santidade.

Estamos dispostos a permanecer na luta?

Deus nos abençoe nesta caminhada!

Pe. Antonello Cadeddu

Fundador

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