Eu vi Jesus no pobre! Uma experiência evangélica

Mendigo pede esmolar na porta da IgrejaExiste uma realidade que a Igreja Católica vê, conserva, valoriza e ensina que é a pobreza evangélica, que contém duas faces.

Jesus nos pequenos

No livro da espiritualidade, No Oceano da Misericórdia Infinita, o Padre João Henrique ensina na Escola do Pobre que, “O pobre, sacramento vivo do Cristo presente na história do homem, nos converte e nos obriga a escolhas sempre mais corajosas e radicais na construção do Reino de justiça, paz e fraternidade”.

E o próprio Jesus ensina no Evangelho de São Mateus, que Ele se faz presente nos pequeninos e nos pobres:

“Em verdade vos digo: cada vez que o fizestes a um desses meus irmãos mais pequeninos, a mim o fizeste” (Mt 25, 40).

Todo ato de amor aos menores nessa terra é ao próprio Jesus que fazemos.

Existe uma realidade que a Igreja Católica vê, conserva, valoriza e ensina que é a pobreza evangélica, que contém duas faces. Na primeira a pessoa que faz caridade com o pobre, uma virtude cristã, um valor. O outro lado é a pobreza daquele que se dedica a Cristo, por amor a pobreza de Cristo, também se faz pobre.

Os pobres deste mundo

As maiores riquezas que Cristo nos ensinou foi o amor aos pobres e se fazer pobre, por isso a Igreja guarda esse grande tesouro, e dela aprendemos a enxergar Jesus no pobre. São Vicente de Paulo dizia, “os pobres nossos Senhores”.

No segundo ano na Aliança, em 2004, vivi uma bela experiência em que vi Jesus no irmão de rua (como chamamos as pessoas em situação de rua).

Eu estava junto com outro missionário e conduzíamos um momento de ‘lava pés’ para um grupo de jovens de certa paróquia. Obs.: Na Aliança sempre buscamos lavar os pés uns dos outros, como sinal de acolhida e reconciliação.

Logo no início da dinâmica, esse missionário me disse que tinha o desejo de lavar os pés de um morador de rua. Mas ali naquele bairro seria difícil encontrar alguém, nessas condições, naquele momento.

A minha surpresa foi quando alguns minutos depois, entrou no salão da igreja um senhor maltrapilho e ficou junto à porta! Imediatamente nos aproximamos e pedimos se poderíamos lavar seus pés. Ele prontamente aceitou.

Um gesto de amor

Fizemos que sentasse numa cadeira e começamos a lavar seus pés. Ele nos dizia: “porque fazem isso, sou morador de rua, faz uma semana que não lavo os pés…” e depois começava a nos abençoar, dizendo “Deus os abençoe, eu vos amo”.

Entendemos que era o próprio Jesus, na pessoa do pobre que estava ali! Comecei a chorar e me senti como aquela mulher que com suas lágrimas lavava os pés de Jesus e secava com os seus cabelos; enquanto minhas lágrimas eram derramadas, sentia sua mão em minha cabeça e o escutava dizer, “Eu vos amo muito…”.

Quando terminamos ele nos deu um forte abraço e aquele local ficou invadido com uma presença maravilhosa, todos os jovens que estavam presentes começaram a lavar os pés uns dos outros, a se perdoarem e dizerem que se amavam. E antes de ir embora, esse homem (Jesus), nos disse, “É preciso que voem alto, mais alto que um foguete”.

O seu cheiro ficou horas nas minhas roupas, em minhas mãos e nas minhas narinas, para que eu não esquecesse o cheiro de Jesus naquele dia. Então posso afirmar: eu vi Jesus no pobre!

É preciso que abramos nossos olhos para ver Jesus, que todos os dias se faz presente em nossa vida, seja nos membros da sua família, no irmão que está na rua, no seu companheiro de trabalho que está em depressão.

Patricia Elias Viola – Missionária da Comunidade de Vida

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