Alegria | Décima Chave para um Pentecostes de Misericórdia

Esta alegria, dom do Espírito Santo, é mostrada logo depois como uma das mais características expressões da primeira comunidade cristã: “tomavam alimento com alegria e simplicidade de coração. Louvavam a Deus e gozavam da simpatia de todo o povo”(At 2, 4).

Décima chave: ALEGRIA

“Chegando o dia de Pentecostes, estavam todos reunidos no mesmo lugar. De repente, veio do céu um ruído, como se soprasse um vento impetuoso, e encheu toda a casa onde estavam sentados.

Apareceu-lhes então uma espécie de línguas de fogo que se repartiram e pousaram sobre cada um deles. Ficaram todos cheios do Espírito Santo e começaram a falar em línguas, conforme o Espírito Santo lhes concedia que falassem.

Achavam-se então em Jerusalém judeus piedosos de todas as nações que há debaixo do céu. Ouvindo aquele ruído, reuniu-se muita gente e maravilhava-se de que cada um os ouvia falar na sua própria língua. Profundamente impressionados, manifestavam a sua admiração: Não são, porventura, galileus todos estes que falam?

Como então todos nós os ouvimos falar, cada um em nossa própria língua materna? Partos, medos, elamitas; os que habitam a Macedônia, a Judeia, a Capadócia, o Ponto, a Ásia, a Frígia, a Panfília, o Egito e as províncias da Líbia próximas a Cirene; peregrinos romanos, judeus ou prosélitos, cretenses e árabes; ouvimo-los publicar em nossas línguas as maravilhas de Deus!

Estavam, pois, todos atônitos e, sem saber o que pensar, perguntavam uns aos outros: Que significam estas coisas? Outros, porém, escarnecendo, diziam: Estão todos embriagados de vinho doce”.

A plenitude da Revelação

Chegamos ao Cenáculo de Amor, e se completou também para nós o dia de “Pentecostes”  o cinquentésimo dia após a Ressurreição de Jesus). Ele quis ficar, de fato, 40 dias após a sua Ressurreição, juntos com seus apóstolos, instruindo-os e preparando-os à sua partida, na Ascensão ao céu.

Antes de voltar ao Pai porém, o Senhor pediu que os Apóstolos permanecessem perseverantes em oração, até completar-se o tempo em que receberiam « a força do Alto », para serem suas testemunhas no mundo inteiro. (cf At 1, 6-14)

Tudo fala de plenitude…os dias que completam, o vendaval impetuoso que enche toda a casa, os Apóstolos, repletos do Espírito Santo, o transbordar do dom de língua e até o comentário do povo, que considera os Apóstolos “cheios de vinho doce” pois parecem bêbados, transbordantes de alegria!

Esta alegria, dom do Espírito Santo, é mostrada logo depois como uma das mais características expressões da primeira comunidade cristã: “tomavam alimento com alegria e simplicidade de coração. Louvavam a Deus e gozavam da simpatia de todo o povo”(At 2, 4).

Nem a perseguição ou os açoites impediam a manifestação desta alegria pois, mesmo assim, os apóstolos regozijavam-se por terem sido dignos de sofrer por causa do Senhor. (cf. At 5, 41)

O Espírito Santo é, de fato, fonte de alegria pois Ele, que é Senhor e que dá vida, torna a nossa vida “transbordante”, plena. Por isso Jesus, no seu “discurso de adeus”, se referirá ao Espírito Santo como Espírito que torna completa a nossa alegria. (cf. Jo 16, 24 ; Jo 15, 11 ; Jo 17, 13)

Que alegria é esta?

1) A alegria de um novo relacionamento, vivo, pessoal, íntimo com Deus, não mais longe, mas próximo, não mais “Altíssimo e inacessível, juiz duro e exigente”, mas Pai Amoroso, Misericordioso, Providente, cheio de ternura e compaixão:

“e porque sois filhos, Deus enviou aos nossos corações o Espírito do seu Filho, que clama : Abba, Pai! De modo que não é mais escravo, mas filho. E se és filho é também herdeiro, graças a Deus!” (Gl 4, 6-7)

2) É ainda a alegria inefável, gloriosa, transbordante de quem fala São Pedro (I Pd 1, 8) que nos rejubila pela experiência viva, pessoal de Jesus Ressuscitado, pela certeza da salvação das nossas almas, pela adesão a Jesus como Senhor e Salvador da nossa vida : “Ninguém pode dizer ‘Jesus é Senhor’ a não ser pelo Espírito Santo!” (I Cor 12, 3).

3) É enfim a alegria da Misericórdia e da Reconciliação, fruto do perdão de Deus para nós e do perdão com os nossos irmãos. Este perdão que, como um rio de Água viva, jorra do coração aberto de Cristo na Cruz, inunda a minha vida e abrange o mundo inteiro; “pela sua dolorosa Paixão, tende Misericórdia de nós e do mundo inteiro”. Assim, Jesus nos ensina a orar através de Santa Faustina no terço da Misericórdia!

Espírito de Alegria

Sim, o Espírito Santo é Espírito de Misericórdia e Compaixão, Espírito de Reconciliação, Paz, Amor e Alegria, que transfigura a nossa vida, restaurando o nosso relacionamento com Deus e com os irmãos, em Cristo!

Somos chamados a sair dos nossos cenáculos, abrir as portas dos nossos corações, deixar-nos levar por este vento impetuoso e fogo abrasador e “deixar-nos reconciliar” com Deus, com nós mesmos, com a nossa história e os nossos irmãos e descobrirmos, com renovado ardor, a alegria do Santo Evangelho para levá-lo a este mundo entristecido e envelhecido.

Este é o tempo que Deus fez para nós, como o Senhor revelou à Santa Gertrudes em 1200 : “aos últimos tempos estava reservada a graça de ouvir a voz eloquente do coração de Jesus. À essa voz o mundo envelhecido rejuvenescerá, sairá do seu torpor, e o calor do amor divino inflamá-lo-á ainda”. (Revelações de Santa Gertrudes – livro 4, cap.4 )

Testemunhas da Palavra revelada

Somos testemunhas de esperança, missionários da Misericórdia, de um Pentecostes de “Misericórdia”, que transforma os pecadores em santos e testemunhas desta potência do amor misericordioso, para uma nova “primavera” da Igreja e da humanidade, para uma nova evangelização!

Levemos a todos esta alegria de Deus, como nos convida o Papa Francisco:

“Deus é alegria! Qual é a alegria de Deus?
A alegria de Deus é perdoar!
A alegria de um pastor que encontra a sua ovelinha,
A alegria de uma mulher que encontra a moeda perdida,
A alegria de um Pai que reencontra o filho que tinha-se perdido,
Era como morto e voltou à vida, voltou à casa!
Aqui está todo o Evangelho!
Aqui está todo o Evangelho!
Aqui está todo o Cristianismo!”

Desejo um belíssimo “Pentecostes de Misericórdia” para cada um! Deixemos que o Espírito Santo nos reconcilie plenamente com Deus e com os irmãos para que a alegria esteja em nós e a nossa alegria seja plena!

Deixemos todo o nosso passado à Misericórdia para vivermos definitivamente livres de toda mágoa e ressentimento, perdoando e pedindo perdão; vivemos o nosso presente no fogo do Seu Amor Misericordioso e Santo e olhamos para o futuro com a esperança e a certeza do Seu Amor Providente pois o Espírito clama em nós: “Abba, Pai!”

Feliz Pentecostes !
Os abençoo de todo coração !
Unidos no Seu Espírito de Reconciliação, Amor, Paz e Alegria !

Pe. João Henrique
(Aliança de Misericórdia)

Nona Chave

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