A primeira Missa no Brasil

A Primeira Missa no Brasil, quadro de Victor Meirelles (1860)

Nesta mesma data, no dia 26 de abril de 1500, foi celebrada a primeira missa no Brasil, local chamado naquele tempo de Vera Cruz ou Terra de Santa Cruz.

Os portugueses atracaram no Sul da Bahia pela primeira vez no dia 22 de abril, e no dia 26 celebraram a primeira missa, celebrada pelo Frei Henrique de Coimbra, que pertencia a comitiva de Pedro Alvares Cabral.

Ambos faziam parta da Ordem de Cristo, a ordem portuguesa remanescente dos cavaleiros Templários. Ordem religiosa e de cavalaria que em Portugal se propunha a defender a Fé Cristã e a desbravar novas terras, levando o Evangelho ao mundo todo.

A Santa Missa foi uma das primeiras coisas que os portugueses fizeram no Brasil e isso tem uma importância simbólica muito grande, pois nos mostra que a fé católica era parte fundamental da vida portuguesa de 1.500, e que além das riquezas do novo mundo, como a própria carta de Pero Vaz de Caminha atesta, a religião e a evangelização eram pontos centrais da povoação do Novo Mundo.

 

Vejamos como Pero Vaz de Caminha narra a primeira missa no Brasil e a reação dos povos nativos ao entrarem em contato com o Santo Sacrifício:

“Ao domingo de Pascoa pela manhã, determinou o Capitão de ir ouvir missa e pregação naquele ilhéu. Mandou a todos os capitães que se aprestassem nos batéis e fossem com ele. E assim foi feito. Mandou naquele ilhéu armar um esperável, e dentro dele um altar mui bem corregido. E ali com todos nós outros fez dizer missa, a qual foi dita pelo padre frei Henrique, em voz entoada, e oficiada com aquela mesma voz pelos outros padres e sacerdotes, que todos eram ali. A qual missa, segundo meu parecer, foi ouvida por todos com muito prazer e devoção. Ali era com o Capitão a bandeira de Cristo, com que saiu de Belém, a qual esteve sempre levantada, da parte do Evangelho. 

Acabada a missa, desvestiu-se o padre e subiu a uma cadeira alta; e nós todos lançados por essa areia. E pregou uma solene e proveitosa pregação da história do Evangelho, ao fim da qual tratou da nossa vinda e do achamento desta terra, conformando-se com o sinal da Cruz, sob cuja obediência viemos, o que foi muito a propósito e fez muita devoção.

Enquanto estivemos à missa e à pregação, seria na praia outra tanta gente, pouco mais ou menos como a de ontem, com seus arcos e setas, a qual andava folgando. E olhando-nos, sentaram-se. E, depois de acabada a missa, assentados nós à pregação, levantaram-se muitos deles, tangeram corno ou buzina, e começaram a saltar e dançar um pedaço. E alguns deles se metiam em almadias — duas ou três que aí tinham — as quais não são feitas como as que eu já vi; somente são três traves, atadas entre si. E ali se metiam quatro ou cinco, ou esses que queriam não se afastando quase nada da terra, senão enquanto podiam tomar pé.

Acabada a pregação, voltou o Capitão, com todos nós, para os batéis, com nossa bandeira alta”.

(Carta de Pero Vaz de Caminha)

 

Esse breve relato nos mostra a devoção com que os navegantes celebraram a Santa Missa, e a curiosidade dos nativos que buscavam compreender o que estava acontecendo.  Alguns historiadores modernos, como o professor Tonnon, afirmam que as danças realizadas pelos nativos são o reconhecimento do caráter sagrado da Missa que, mesmo sem compreenderem o rito e a língua, podiam notar que se tratava de algo sagrado.

Louvamos a Deus pela tradição católica que recebemos no Brasil, pela pluralidade de raças que compõe o povo brasileiro, um povo de fé e esperança, um povo Católico!

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