“Tempos difíceis” – Uma mensagem do presidente da Aliança

Essa é uma das expressões que mais ouço neste tempo: “Padre, tá difícil; oh tempos difíceis de passarem…”. Parece que a pandemia do coronavírus e as consequências decorrentes dela, revelaram uma série de dificuldades que está atingindo fortemente as pessoas.

Tempos difíceis

Não tenho dúvidas de que este é realmente um tempo difícil. Basta olhar as notícias que todos os dias estão na mídia: enfermidade, divisões, ataque às autoridades legitimamente estabelecidas, briga de poder, pobreza e miséria, morte! Talvez o fato de estarmos mais parados, tentando viver bem este tempo de isolamento social, fez com que tivéssemos um olhar mais atento sobre tudo o que está acontecendo ao nosso redor.

Este é o fim? Não acredito!

Férias coletivas

Fiquei pensando que talvez Deus, na Sua bondade infinita, tenha dado um jeitinho de dar férias coletivas para a humanidade. Férias sempre é algo bom, quem não gosta!? Parar um pouco, descansar, meditar a Palavra de Deus, conviver mais tranquilamente com as pessoas que amamos, olhar nos olhos, abrir o coração, rezar com profundidade, caminhar, preparar um bom almoço ou, quem sabe, um delicioso café da tarde.

Ao mesmo tempo, perceber que algumas pessoas estão passando necessidades e, por isso, com o coração agradecido, partilhar um pouquinho do que temos, na certeza de que há mais alegria em dar do que em receber. E partilhando o que temos, receber também o que precisamos: uma palavra amiga, um abraço virtual, uma vídeo-chamada, com a convicção de que não há distância para aqueles que foram unidos pelo amor (essa é uma das frases que mais gosto, palavras de São Jerônimo).

Quando vai passar?

Há também alguns momentos em que a preocupação bate: quando tudo isso vai passar?

Nestes dias, falei com minha mãe, e ela me dizia com muita firmeza: “filho, você precisa ter consciência, a mãe é idosa, se pegar essa doença, talvez não resista”. Fiquei com o coração apertado. Pode acontecer com qualquer um de nós, pois diante deste vírus, parece que estamos indefesos. No final do telefonema, eu pedi a benção para minha mãe; ela me abençoou e me disse: “agora, como padre, abençoe sua velha mãe!”. Não contive as lágrimas…

Pensei na minha velha mãe, nos meus familiares, nos meus irmãos de Comunidade, nos meus amigos, em todas as pessoas que passaram pela minha vida. Agradeci ao Senhor por cada uma destas pessoas e por todo o bem que Ele me fez. Naquela benção recíproca, entendi que neste tempo só sobraram duas coisas: Deus e os irmãos!

Tempos bons para rever a própria vida…

Pe. Custódio
Presidente da Aliança de Misericórdia

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