O que São Francisco de Assis tem haver com o Dia da Natureza?

Foto: Robert Cheaib - pixabay.

Oportunamente no dia em que a Igreja recorda São Francisco de Assis, lembramos o Dia mundial da Natureza. Façamos um caminho muito simples para dar à criação uma atenção justa, para a maior glória de Deus.

A partir do nada

Em Gênesis, Deus, como um artista, cria a partir do nada (ex nihilo) todas as coisas (cf. Gn 1, 2-3), depois ordena cada uma e, por fim, dá à cada criatura uma missão bem específica (ler todo o capítulo um de Gênesis).

Importante entender que quando Deus cria, Ele não tira um pedacinho de Si e cria; Ele dá vida a algo completamente novo e distinto dEle. Portanto, num certo sentido, é errado dizer que Deus está em tudo, como se cada coisa tivesse pouco da sua essência.

O ponto alto da criação é o homem (gênero humano), que à imagem e semelhança de Deus é colocado para administrar todo o mundo: “O Senhor Deus tomou o homem e o colocou no jardim do Éden, para que o guardasse e o cultivasse” (Gn 2,15). Em nós, ELE insuflou seu hálito divino (ruah).

O divino e o humano

Como um artista, Ele modelou cada ser, do maior ao menor, inscreveu em nossos corpos a lei da vida; somos obras-primas, únicas, porém, pó da terra. O que há de divino em nós? Bom, usemos a analogia do artista ou artesão, para explicar melhor.

Para que possamos distinguir as obras de um e outro artista, cada qual coloca a sua assinatura ou um traço que distingue sua obra. Podemos dizer que toda criatura tem a assinatura divina.

Um desiquilíbrio chamado pecado

Com a queda (ler Gênesis 3), infelizmente, aquilo que era harmonia se desestabiliza; homem e mulher terão que, com muito esforço e sofrimento, sobreviver e multiplicar-se sobre a terra.

Terão de “lutar” com a terra, até então amiga, para que ela lhes dê o sustento de cada dia; os mundos animal e vegetal são agora ameaças às suas vidas.

Assim, há plantas que alimentam e curam, e há outras que envenenam e matam; o mesmo acontece com os animas selvagens. A natureza se torna hostil por causa da desordem do pecado original.

O homem também se afasta de Deus, tendo que o procurar as apalpadelas (At 17, 27), até o momento que Ele mesmo se deixa encontrar através de Jesus, o Salvador e redentor de todas as coisas.

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Cuidar da casa comum

Com o advento da Encíclica Laudato Si, o magistério voltou seu olhar para a importância do respeito à criação. O homem de um modo geral soube, com muito esforço e criatividade, tirar o sustento da terra. Quantas coisas hoje são essenciais para a vida moderna e que advêm 100% da natureza, por exemplo, as energias hidrelétrica e eólica (eletricidade através da força dos ventos).

Infelizmente, devido à desordem original, o homem perverte a sua função de administrador e acaba se tornando muito mais um predador, causando grandes danos e males.

“Pois a criação foi sujeita à vaidade (não voluntariamente, mas por vontade daquele que a sujeitou).” (Rm 8, 20)

A vaidade, pela qual a criação está sujeita, é justamente a corrupção e a miséria, justamente pelo homem estar longe de Deus. Aqui é importante fazer nossa parte de cuidar o melhor possível da nossa casa comum, sem esquecer de uma coisa: da transitoriedade deste mundo.

Nossa casa definitiva é o Céu

Toda beleza da criação não se compara à beleza da nossa morada definitiva. Como dissemos acima, esse mundo é transitório e passará (cf. Mt 25, 35). Não podemos, de modo algum, esquecer que nossa casa, nossa pátria é o Céu!

Todo este mundo, juntamente com o homem, estava destinado à morte, mas por meio da salvação de Cristo e da vida no Espírito, fomos justificados. A purificação da criação está atrelada à santidade do homem.

“Estou absolutamente convencido de que os nossos sofrimentos do presente não podem ser comparados com a glória que em nós será revelada. A própria natureza criada aguarda, com vívido anseio, que os filhos de Deus sejam revelados.” (Rm 8,18-19 – tradução Almeida)

Portanto, habitar neste mundo descuidando da nossa santidade é o maior mal que podemos fazer à criação!

Nossos filhos e as futuras gerações devem aprender e, carregar a certeza de que estamos de passagem neste mundo; um dia tudo será renovado e estaremos definitivamente no Céu.

Atenção aos perigos

Hoje observamos uma crescente mentalidade pagã, que ao invés de respeitar a natureza como criatura, chega a cultuá-la como um deus, como faziam os povos antigos que adoravam o deus sol, lua, por exemplo.

Nosso irmão São Francisco de Assis, que chamava cada criatuta de irmão e irmã, admirava a natureza, pois com ela dava maior glória a Deus: é em Cristo que conseguimos admirar com perfeição as coisas criadas e conhecer, ssim um pouco da Beleza divina.

“Quando contemplo o firmamento, obra de vossos dedos, a lua e as estrelas que lá fixastes: ‘Que é o homem – digo-me então –, para pensardes nele? Que são os filhos de Adão, para que vos ocupeis com eles?

Entretanto, vós o fizestes quase igual aos anjos, de glória e honra o coroastes. Destes-lhe poder sobre as obras de vossas mãos, vós lhe submetestes todo o universo. Rebanhos e gados, e até os animais bravios, pássaros do céu e peixes do mar, tudo o que se move nas águas do oceano’. Ó Senhor, nosso Deus, como é glorioso vosso nome em toda a terra!” (Salmo 8, 4-10 – Bíblia Ave Maria)

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Por Cristo e em Cristo

Francisco, apaixonado por Deus, conseguia por meio do contato com a criação, amar e glorificar ainda mais o Pai do Céu, aproximanda-se dEle a tal ponto de receber as estigmas.

Um discípulo seu, São Boaventura, também conhecido como o seráfico cantor da criação, elaborou de maneira magnífica, um estudo denso e sistemático sobre a criação.

Ele reconhece que no mundo há reflexos da Bondade e da Beleza divina; que o homem poderia encontrar nele um meio de encontro com o verdadeira Deus. Isso só pode acontecer, porém, se estiver em Cristo:

“Em Cristo, o próprio universo, observa São Boaventura, pode voltar a ser voz que fala de Deus e nos estimula a explorar a sua presença; exorta-nos a honrá-lo e a glorificá-lo em todas as coisas”. (De reductione artium ad theologiam, I, 15. Papa Bento XVI, Homília em Bagnoregio, 2009)

Podemos afirmar, portanto, que a natureza só será verdadeiramente “salva”, purificada, preservada quando a humanidade, conhecer e se unir definitivamente a Cristo.

Que São Francisco de Assis interceda por nós!

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