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O que é Confissão Geral e como realizá-la

Foto: canva pro.

Confissão Geral é uma revisão das culpas cometidas durante toda a vida (até onde lembramos). Saiba as vantagens desta prática.

Endireitai os caminhos do Senhor

Estamos no final do ano litúrgico e a Igreja nos oferece leituras que falam sobre a vigilância, sobre estarmos prontos para o ‘Dia do Senhor’. Que Jesus não nos encontre dormindo (em pecado mortal) quando ele vier com Seu Reino.

A Igreja nos oferece o sacramento da confissão para ajudar neste aspecto. A confissão regular (1 vez por mês) nos auxilia a manter a consciência iluminada com relação às nossas fraquezas e fortifica nosso espírito para as batalhas diárias contra o pecado.

É o sacramento da cura das feridas que o afastamento de Deus causou em nossas vidas.

Vale a pena lembrar que pecado é diferente de tentação. Este último diz respeito a nossa tendência natural ao mal, o que Santo Agostinho chamava de concupiscência. Já o primeiro é a aceitação e consumação daquela tentação; damos o nosso consentimento para pecar nos afastando de Deus.

Mas, se pecarmos, temos o confessionário. Uma boa confissão deve ter esses elementos:

1 – Contrição ou arrependimento;

2 – Exame de consciência;

3 – Penitência, reparação;

4 – Propósito de não mais pecar.

Qual a diferença da confissão regular e a confissão geral 

Confissão Geral é uma revisão das culpas cometidas durante toda a vida (até onde lembramos). O fiel pode aplicar esta prática se percebe, ao examinar sua consciência, de que confessou-se mal, ou seja, sem intenção de converter-se.

Isso acontece muito. Quando não há o reto propósito de não pecar estamos tornando aquela confissão sacrílega ou nula. Exemplo: quando nos dirigimos ao confessionário e, por medo ou vergonha, não de expomos verbalmente determinado pecado grave. Ou ainda, quando confessamos sem termos sentido a dor daquele ato (exemplo de “dor” Salmo 50 (51)).

Há diversas situações que podem tornar a confissão nula: omitir alguma circunstância que tornaria o pecado grave; omitir a quantidade de pecados graves; exprimir a culpa de tal modo que o confessor se confunde e não atribui gravidade; tentar enganar o mesmo ao responder perguntas do mesmo; até mesmo diminuir o pecado.

A sacralidade do sacramento

Por ser um diálogo direto com Deus na pessoa do sacerdote, esse é um momento sagrado. Ao tomarmos consciência de que, de alguma forma, profanamos ou anulamos a ação do sacramento, precisamos fazer uma reparação. 

Aí entra a confissão geral. Nela, devemos apontar todas as vezes que erramos ao nos confessar mal (seja mentindo, omitindo ou justificando-nos). Daí a importância de fazer o primeiro passo (acima) para uma boa confissão: Exame de consciência.

Sem ele nossa alma não sentirá dor e nem arrependimento, sem isso não há propósito de emendar-se. Daí, decorre que vamos ao sacramento mais por preceito e saímos de lá sem a graça do perdão!

Não teremos força mais para evitar as ocasiões graves e por fim, nos afastamos por completo da fé. Por isso é importante seguirmos com seriedade os passos para uma boa confissão dos pecados.

Importante: a confissão geral é para quando sabemos que confessamos mal ou tornamos sacrílega uma confissão. Quando por ignorância ou esquecimento não relatamos alguns pecados não há gravidade. Porém, quando tiver a oportunidade confesse o que você não verbalizou anteriormente.

Para que serve a confissão geral?

Há alguns pontos que esta prática auxilia:

1 – A apaziguar as almas que duvidam da validade de suas confissões passadas;

2 – Aqueles que nunca fizeram, suscita uma maior contrição dos pecados;

3 – Aos que estão para definirem o seu estado de vida (vocação). Ex.: noivos que estão para receber o sacramento do matrimônio, seminaristas às vésperas da ordenação (diaconal e sacerdotal).

Os melhores períodos para realizar a confissão geral são nos momentos ao longo do ano em que a Igreja pede uma maior reflexão e penitência, a saber: Quaresma e Advento, mas se alguém sentir necessidade faça logo. 

Exame de consciência

Esse é o momento da sinceridade! De nada adianta dizer “Ah, Deus sabe tudo, não preciso dizer muita coisa”. Se engana. 

Nós precisamos trazer à mente e medir as consequências de nossos atos e ações, ver se nos aproximaram ou nos afastaram de Deus e das pessoas.

“O primeiro de todos os mandamentos é este: Ouve, Israel, o Senhor, nosso Deus, é o único Senhor; amarás ao Senhor teu Deus de todo o teu coração, de toda a tua alma, de todo o teu espírito e de todas as tuas forças. Eis aqui o segundo: Amarás o teu próximo como a ti mesmo. Outro mandamento maior do que estes não existe”. (São Marcos, 12, 29-31) 

Uma linha mestra para o exame são os 10 mandamentos, mas você pode utilizar meditações em forma de lista. Neste site, a Opus Dei oferece exame de consciência para adultos, jovens e crianças

Da contrição ao confessionário

É o arrependimento por excelência. A contrição só é atingida quando o pecador enxerga na totalidade o tamanho da sua falta e suas consequências: “Foi contra vós, só contra vós que eu pequei” (Sl 50)

A contrição perfeita provoca literalmente uma dor na alma, e uma repulsa pelo pecado cometido. Se você ainda não sentiu assim, ore a Deus para que te dê este dom, pois ele é muito útil para a salvação da alma. 

Alguns não sentem a “dor”, mas percebem que agiram mal e têm o desejo de fazer o bem e se emendar, isso é o suficiente para se dirigir à confissão.
Ao terminar seu exame, dirija-se à confessar.

Importante.: evite escrever os pecados, mesmo que sejam muitos. Há o perigo de perder o papel e isso parar em mãos de pessoas má intencionadas. Se precisar de uma “cola”, assim que terminar a confissão, rasgue em pedacinhos ou queime o papel.

Durante a confissão

Quando estamos diante do padre a vergonha pode corar o nosso rosto, mas ela não deve nos desviar o foco. Por isso, os confessores mais experientes costumam dizer que uma boa confissão tem “4 C”:

  1. Clara: indicar qual foi a falta específica, sem acrescentar desculpas;
  2. Concreta: referir o ato ou pensamento preciso, não usar frases genéricas.
  3. Concisa: evitar dar explicações ou descrições desnecessárias.
  4. Completa: sem calar nenhum pecado grave, vencendo a vergonha.

Contou tudinho? Normalmente, antes da absolvição, o confessor pede que você reze o ato de contrição. Existem várias versões curtas e longas. Segue um exemplo:

“Meu Deus, arrependo-me de todo o coração de todos os meus pecados e detesto-os, porque ao pecar, não só mereço as penas que causam, mas principalmente porque te ofendo a Ti, sumo Bem e digno de amor acima de todas as coisas. Por isso proponho firmemente, com a ajuda da Tua graça, daqui em diante não voltar a pecar e fugir de toda a ocasião de pecado”. Amém.

O padre pode ou não te indicar uma penitência como forma de reparação das faltas. Você deve cumprir para que essa confissão gere os frutos esperados.

Impedimentos

Pode ser que algum confessor não aceite a sua confissão geral, então confesse normalmente e ouça o que ele lhe indicar. Um confessor só não pode te encaminhar ao erro. 

Por vezes, os padres temem que uma pessoa caia em escrúpulos e angústia. Há muitas almas assim, não confiam que a Misericórdia Divina as perdoou e vivem de confissão em confissão sem nunca encontrar a paz. O melhor para essa pessoa é obedecer ao confessor e seguir confiante no perdão Divino.

Apêndice

Dizem os místicos que a confissão devolve a nós a inocência batismal, ou seja, nossa alma está tão pura que se morrêssemos naquele instante estaríamos no Céu prontamente.

Aqui um fato da vida dos Monges do Deserto que ilustra tal feito da graça:

Na história da vida dos Santos Monges do deserto, lê-se que um rapaz, grande pecador, chegou ao convento para se tornar religioso. 

O primeiro ato do superior foi impor-­lhe uma confissão geral a ser feita no domingo seguinte, na igreja do convento. Para esse fim, o jovem preparou-se e escreveu todos os pecados para poder lembrar-se deles e confessá-los melhor.

 Pois bem, à medida que ele lia e confessava as suas culpas, um monge, dos mais velhos e santos, via um anjo que as cancelava de um catálogo que trazia nas mãos. 

Por fim, ficou a folha inteiramente branca, para representar a candura que a alma do jovem atingira.

Santa Margarida Alacoque

Enquanto a Santa estava fazendo os Exercícios Espirituais, Jesus lhe apareceu e lhe disse:

— “Margarida, desejo que renoves a confissão geral de toda a tua vida. Faze-o eu trazer-te-ei uma veste alvíssima”. 

Margarida põe-se à obra para ser agradável a Jesus e, depois de um exame diligente fez a sua confissão geral. Assim que terminou, Jesus apareceu novamente, tendo nas mãos uma túnica muito alva, com a qual a cobriu, dizendo:

— “Eis aqui, Margarida, a veste que eu prometi”.

Era da inocência batismal que Ele a revestia.

Oh! bendita seja a confissão que produz em nossa alma efeitos tão maravilhosos, que tanto a purifica e a torna novamente bela, como se tivesse acabado de sair das águas do Santo Batismo!

Com informações de:
Derradeiras Graças
Opus Dei

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