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“Nunca foi tão fácil ganhar o céu” – a vida daqueles que morrem pela fé

Quando ouvimos falar de martírio cristão parece-nos algo muito distante, mas não se engane; a qualquer momento seremos chamados a confessar nossa fé e arriscar a vida por ela.

Até as últimas consequências

O título deste artigo traz uma frase de São José Luiz Sanches – “Nunca foi tão fácil ganhar o céu como hoje e não quero perder a oportunidade” – disse Joselito, como era conhecido, ao se dirigir à sua mãe antes de ir para os cristeros.

São José Sanches – fonte: Pinterest

Ele se tornou um dos mártires da Guerra Cristera (1924-1929) que aconteceu no México contra um governo ateísta. José Sanches foi brutalmente assassinado quando tinha apenas 14 anos.

Mas, antes de sabermos mais sobre sua história, você sabia que morrer por causa da fé dá a pessoa a entrada direta ao céu? O mártir leva até às últimas consequências sua vocação batismal.

“Chama-se Batismo, por causa do rito central com que se realiza: batizar (baptizeis, em grego) significa “mergulhar”, “imergir”. A “imersão” na água simboliza a sepultura do catecúmeno na morte de Cristo, de onde sai pela ressurreição com Ele, como “nova criatura” (2 Cor 5, 17; Gl 6, 15). (Catecismo da Igreja Católica – 1214)

O selo do batismo

No batismo somos chamados a morrer para o mundo, a não fincar raízes profundas nesta terra, mas a guardar com esperança a recompensa celeste. Deste modo, somos muitas vezes, pelas nossas escolhas e práticas, expostos ao ridículo e taxados com os mais diversos adjetivos depreciativos.

Experimentamos a “morte” diariamente quando renunciamos a vida de pecado e nos entregamos a Cristo de todo o coração, em escolhas, renúncias e mortificações. Dessa forma, o Espírito Santo “nos treina” para provas maiores, porque “no mundo tereis tribulações” – disse o Senhor antes de partir. (Jo 14)

Não esperemos que a vida do cristão seja fácil; se for, desconfie se estás levando a fé realmente a sério. 

O cristão sempre incomoda

O mundo em que vivemos é hostil a Cristo e sempre o foi! Nossa vida incomoda por diversos motivos, como explicita este famoso escrito dos primeiros séculos: 

“Embora não tenha recebido injustiça por parte dos cristãos, o mundo os odeia, porque eles se opõem aos seus prazeres desordenados… Maltratada no comer e no beber, a alma se aprimora; também os cristãos, maltratados se multiplicam mais a cada dia. Esta é a posição que Deus lhes determinou; e a eles não é lícito rejeitá-la”. (Carta a Diogneto, IV-V)

Levados à morte

Nossa vida não será diferente da de Jesus; dizer ao mundo que o Reino de Deus está próximo, que Cristo veio nos salvar do pecado e da morte. Quando levamos a missão a sério, fatalmente seremos expostos ao martírio, seja ele o branco ou o vermelho. 

Sobre o martírio branco citamos alguns exemplos acima, mas mais concretamente podemos falar por exemplo da posição atual da Igreja contra o aborto e a eutanásia, a defesa da vida no geral. 

Nadar contra a corrente

A cultura atual, classificada por São João Paulo II como cultura de morte, procura a todo custo banalizar a vida humana em seus diversos estágios, chegando ao cúmulo de afirmar que as pessoas deveriam parar de ter filhos para salvar o planeta (ver matéria sobre o movimento antinatalista, que prega a extinção voluntária da humanidade). Fora as questões de teoria de gênero, legalização das drogas, da prostituição e tantas outras coisas.

Em meio a esse turbilhão, o cristão que se posiciona contra essa cultura de morte (porque existe o que nada faz), acaba sendo desprezado pela sua crença, ridicularizada, agredido, tendo os símbolos maiores da fé vilipendiados (neste link você pode contar quantas profanações aconteceram nos templo somente em 2020).

Quanto mais o mundo se afasta de Deus mais se tornara hostil aos cristãos. Você estaria preparado para defender a sua fé até o extremos, até ao martírio? 

Voltemos a falar do nosso pequeno Joselito

O México passou por diversas revoluções desde o século XIX, quando o governo cortou relações com a Igreja Católica. Em 1861 a secularização começou no país. O povo, porém, não aceitou as medidas e houve uma série de embates. 

No ano de 1917 uma nova Constituição foi aprovada e praticamente tirava a Igreja da vida política, tirando dos padres o direito de dar opinião política, proibindo jornais de confissão religiosa de circular…, enfim.

Estas leis nunca foram aplicadas com rigor até o ano de 1924, quando subiu ao poder o ‘anticlericalista’ Plutarco Elías Calles. Dentre outras medidas ele implementou:

  • A paulatina destruição da educação católica, que seria substituída de uma vez por todas pela educação estatal, laica e compulsória.
  • A expropriação gradual de todas as propriedades eclesiásticas, bem como a redução progressiva do número de sacerdotes no país.
  • A destruição de qualquer influência política da Igreja Católica, através da censura e negação de direitos políticos a membros do clero;
  • Incentivou o surgimento da “igreja católica mexicana”, separada, em oposição ao Papa e simpática ao governo;

Em defesa da fé

Em algumas cidades, o culto católico foi completamente proibido e escolas católicas foram fechadas. A Liga Nacional para a Defesa das Liberdades Religiosas (composta por leigos), provocou um boicote ao governo convocando os católicos a não pagarem seus impostos até terem segurança de culto.

Esta mesma organização começou a se armar para se defender dos abusos que estavam acontecendo, principalmente nas zonas rurais. Pessoas eram fuziladas proclamando sua fé; outras foram executadas por enforcamento e seus corpos expostos nos postes de iluminação do trilho do trem.

Assim, nasceram os “cristeros”, com o famoso grito de guerra “Viva Cristo Rei”. Eles eram recrutados ou se voluntariavam para se juntarem à resistência. É neste contexto que José Sanches aparece.

A vida e entrega

Joselito sempre foi um jovem muito religioso e incentivava os colegas a orarem. Aos 14 anos se voluntariou para fazer parte do exército cristero. Ele não foi aceito de cara, mas pela sua insistência foi designado para carregar o estandarte da Virgem de Guadalupe.

Durante uma batalha, um dos líderes dos cristeros perdeu seu cavalo e estava prestes a ser capturado pelo inimigo. Joselito, então, ofereceu seu animal para que ele fugisse, e o jovem foi preso logo em seguida.

Ali começou o suplício deste pequeno herói.

O martírio

Os oficiais do governo tentaram convencê-lo a abandonar a fé e ele resistia bravamente. Sua prisão foi uma igreja transformada em galinheiro. Ofereceram a ele uma vida militar, as melhores escolas, dinheiro e nada o convencia a renunciar e amaldiçoar a Cristo.

Seu padrinho de primeira comunhão queria pagar uma fiança, mas José implorou para que não pagassem pela sua liberdade. Ele dizia com força que sua fé não estava à venda. Foi exatamente seu padrinho quem arquitetou sua morte.

Começaram as torturas! Cortaram as solas de seus pés, depois o fizeram andar assim até o cemitério com uma cova preparada para ele. No caminho gritava a plenos pulmões: “Viva Cristo Rei. Viva a Virgem de Guadalupe!”

Ali foi esfaqueado e caiu. Como ainda mostrava sinais de vida deram-lhe dois tiros na cabeça. Era 10 de fevereiro 1928.

Peçamos a intercessão de São José Sanches, para que nos inflame um espírito de zelo pela fé e pela Igreja, e que nunca caiamos na desgraça de renunciar a Cristo, o nosso Rei!

Com informações e imagens de:

ACI Digital

Direitas Já

pt.Aleteia

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