Nicarágua – Mortes e ataques ao povo e à Igreja

Um ataque de grupos paramilitares ligados ao ditador da Nicaraguá, Daniel Ortega, deixou 10 mortos no último domingo. No mesmo dia, o bispo Dom Aberlado Mata sofreu um atentado a tiros, porém saindo ileso.

Desde abril o país vive uma onda de protestos reprimidos pelo governo com violência extrema. O povo que está nas ruas, em sua maioria estudantes e jornalistas, com o apoio da Igreja, quer a saída do ditador que está há 21 anos no poder e a realização de novas eleições.

As maiores vítimas

De acordo com organizações humanitárias, desde o início dos protestos foram assassinadas 351 pessoas.

A igreja da Divina Misericórdia na cidade de Managuá abrigou 200 estudantes que fugiam de grupos armados que atentavam contra suas vidas. Eles deixaram a igreja escoltados por bispos e pela Cruz Vermelha.

No mês passado um coroinha foi assassinado por grupos paramilitares apoiadores do governo, seu nome era Sandor Dolmus. A cerimônia de corpo presente reuniu milhares de pessoas, como mostra o vídeo divulgado no Facebook da Diocese de León.

Uma matéria do dia 18/07, no site oficial de notícias do Vaticano, afirma que a Igreja Católica é cada vez mais alvo de ameaças e ataques.

Recorda que no dia 9 de julho, o cardeal Leopoldo Brenes, arcebispo de Manágua, foi agredido, junto com o núncio e o bispo auxiliar de Manágua, Dom Silvio Báez, por ativistas próximos ao governo.

Oração de toda Igreja

O CELAM (Conselho Epsicopal Latino Americano), no domingo dia (22/07) toda a Igreja na América Latina dedicou orações pela Nicaraguá.

O Papa Francisco – disse Dom Avilés, vigário de Manágua – nos apoia nesse caminho de diálogo. Os cidadãos nos incentivam a seguir em frente.

O país está em um período de jejum e oração pela paz: católicos e tantos irmãos não-católicos estão há semanas rezando, jejuando, fazendo adoração. O povo católico não parou de recitar o Rosário durante esses 100 dias.

Num vídeo divulgado nas redes sociais do Padre Augusto Bezerra, o bispo auxiliar Dom Silvio José Báez, denuncia emocionado a violência e a injustiça do governo ditatorial:

Tradução do discurso do bispo

“Na Nicarágua há motivos para chorar. Temos visto mortos e feridos nas ruas, temos visto famílias e crianças de colo, feridos pelo fogo. Temos visto um povo desarmado atacado por hordas militares cruéis com armas de guerra. Nicarágua chora neste momento!

Temos chorado pelas torturas nos nossos jovens, temos chorado por tanto desaparecidos, por tantos encarcerados injustamente, temos chorado pelas mães que estão em frente às cadeias, pedindo pelos seus filhos, que os libertem.

Há motivos para chorar. Diz um livro da Bíblia, em Eclesiastes 3, que há um tempo para rir e um tempo para chorar e na Nicarágua é o tempo para chorar. Se consomem nossas lágrimas, nos olhos de amargura, nas entranhas, por causa da ruína do nosso povo.

Devemos aprender a chorar. O primeiro que chora e sente a dor humana é Deus. Se há algo que o Senhor não tolera são os corações insensíveis, que não são capazes de sentir a dor alheia”.

Que à partir deste dia possamos rezar pela Nicarágua, que assim como a Venezuela, vem sofrendo com governos cruéis e impiedosos.

Segundo Fonte de Vaticannews

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