Moisés: um homem de fé que olha para a vida segundo à vontade de Deus

Palavra do Mês de Junho/2020 – Moisés: um homem de fé que olha para a vida segundo à vontade de Deus

“Quem sou eu para ir ao faraó e tirar os filhos de Israel do Egito?”. Ele disse: “Eu estarei com você!” (Ex 3,11-12). 

Meditar o chamado de Moisés significa ter uma oportunidade extraordinária de poder ler todo o livro do Êxodo, que representa o “coração” do “Pentateuco” (os primeiros cinco livros da Bíblia). Como também, é impossível resumir em poucas linhas esta história que revela a Misericórdia de um Deus que nunca desiste do seu povo.

A vocação e a história de Moisés fazem parte do itinerário de salvação do povo de Israel. Pense que esta narrativa pode ser a minha história ou a sua história. A “Páscoa” (pessach que significa passagem) para nós cristãos é o centro de um mistério que encontra na Ressurreição de Jesus a sua plena realização, dando sentido à toda vida humana, por conseguinte, à nossa existência.

Precisamos limitar-nos a poucos aspectos que poderão nos ajudar à luz da vocação de Moisés, compreender o sentido do nosso chamado, como também algum passo concreto para o nosso caminho espiritual.

1 – Deus quer precisar de mim

Deus viu o sofrimento do povo de Israel, ouviu seu clamor, desceu para libertá-lo… e, por isso, escolhe alguém para ser instrumento de libertação, e o envia: “vai, eu estou enviando você ao faraó, para tirar o meu povo do Egito” (cf. Ex 3,10-11).

Deus ouve, vê, conhece e desce para libertá-los. Mas quer precisar de Moisés, mesmo se carregado de um passado difícil. Lendo as páginas que precedem a manifestação da sarça ardente no capítulo 3, vemos que Moisés estava exatamente fugindo do faraó porque tinha assassinado um soldado egípcio. Ele estava jurado de morte! Agora, Deus quer enviá-lo ao faraó para libertar o seu povo!

Ele capacita!

É importante entendermos bem este particular: todo profeta que encontramos na Bíblia, foi chamado por Deus, e não se sentiam aptos, capacitados, prontos para a missão que Deus lhes confiava. Precisavam confiar no chamado, na ordem de Deus para suas vidas que visava o bem de um povo.

Mas pergunto: e se fosse o contrário? Se nos sentíssemos sempre prontos? De verdade, eu sempre fico desconfiado quando um jovem me fala: “quero ser Padre!”. Normalmente, nestes anos de vida consagrada noto que logo a pessoa sente medo do chamado missionário.

Como encontrar força para responder o “nosso sim para um mundo melhor”?

1 – Vendo e ouvindo o sofrimento do povo que clama por libertação, por amor. Há uma multidão de filhos escravos, rejeitados, excluídos, que ainda não conheceram o amor do Pai;

2 – Vendo e ouvindo o chamado do Senhor que nos capacita.

As duas perguntas que seguem são as mesmas que São Francisco fez para o Senhor: “Quem sou eu? Quem és Tu?”. Deus quis precisar de mim, de você, como de Moisés. Há uma “Promessa” e Ele é fiel: “Eu estarei contigo” (cf. Ex 3,12) e “Eu estarei em tua boca!” (cf. Ex 4,12).

2 – Deus nunca desiste de mim

Aquele que nos chama é fiel e levará a termo a obra que começou em nós (cf. Fl. 1,6). Deus não desistiu de Abraão quando este duvidou do Seu chamado, e não desistiu de Moisés, que não apenas duvidou, bem como resistiu insistentemente ao Seu chamado. Porém, mesmo em meio as duvidas interiores, Deus continuou insistindo com Moisés.

Ele que se sentia o menos apto para a missão, recebe de Deus autoridade, poder para realizar milagres e através da promessa para tocar sua boca gaga, Deus lhe deu o dom da profecia: “Eu estarei em tua boca e te ensinarei o que hás de falar” (Ex 4,12). Mesmo assim, Moisés resistiu ao chamado e Deus lhe deu o irmão Aarão, para falar em seu lugar: “Eu estarei na tua boca e na boca de teu irmão!” (Ex 4, 15). É incrível o mistério da eleição de cada um. Ninguém responde no meu lugar, cada um é único para Deus, e Ele com sua misericórdia e paciência nunca desiste de nós!

3 – Deus continuamente me liberta para libertar

O Êxodo (saída) da terra da escravidão que o povo de Israel viveu, pode ser atualizado na nossa vida, a começar pelo “êxodo” de mim mesmo em direção ao amor a Deus e ao próximo. Assim, poderemos entender que a libertação que em nossos tempos o Senhor deseja para o seu povo, começa no meu coração.

Quando lemos toda a história de Moisés, notamos que sua vida foi caracterizada por três ciclos de 40 anos, e 40 anos é o tempo do Êxodo de Israel.

Moisés viveu “três êxodos” na sua vida:

  • O primeiro “êxodo” começou com a sua libertação das águas do Nilo, onde sua mãe o colocou num cesto para salvá-lo do extermínio das crianças, decretado pelo faraó. Este primeiro êxodo continuou por 40 anos, até ele sair da casa do próprio faraó, onde tinha sido criado (Ex 2,1-15).
  • O segundo “êxodo” foi na casa de Jetro, seu sogro, onde ficou por 40 anos aprendendo a ser pastor de ovelhas e a viver no deserto, no serviço, na obediência, na dureza do trabalho (Ex. 2,15-24).
  • O terceiro “êxodo” começou com o chamado de Deus na sarça ardente e terminou no monte Nebo, quando o Senhor o abandonou, com 120 anos, perto de Si, sem que pudesse entrar na terra prometida (Ex 3-40).

Prepare-se!

Este caminho de Moisés nos ensina que ninguém “nasce pronto”. Todo aquele que Deus chama tem que “preparar-se para a provação” (cf. Ecl 2,1), pois Deus purifica e forma aqueles que ama, aqueles que Ele chama.

Tudo isso exige paciência, perseverança e confiança. Deus não desiste de mim. Assim sendo, será que tenho direito de desistir de mim quando Ele deseja levar a termo a obra começada em nós? Será que tenho direito de desconfiar dEle se Ele confia em mim?

Ele diz para nós: “Eu estarei contigo!”, e nós podemos respondê-Lo: “Jesus eu confio em Ti!”.

Coragem, Ele te chama! Levanta-te!” (Mc 10,49).

PE. JOÃO HENRIQUE
Fundador da Aliança

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