Mártir da Polônia: Pe. Jerzy Popiełuszko, morto por pregar a liberdade

Quando autoridades comunistas sequestraram e mataram o padre Jerzy Popiełuszko, no dia 19 de outubro de 1984, eles provavelmente não pretendiam criar um herói polonês, mártir e futuro santo da Igreja Católica.

Os crimes do Pe. Popiełuszko

Embora os comunistas estivessem tentando matar Popiełuszko de uma maneira que parecesse um acidente, eles o capturaram há 34 anos atrás, no dia 19 de outubro de 1984. Eles o espancaram até a morte e jogaram seu corpo em um rio. Pe. Jerzy tinha 37 anos de idade.

Seus crimes: encorajar a resistência pacífica ao comunismo por meio das ondas de rádio da Radio Free Europe e trabalhar como capelão dos trabalhadores do Movimento Solidariedade e do sindicato, conhecido por sua oposição ao comunismo.

Vida e trajetória

Popiełuszko nasceu em 14 de setembro de 1947 numa família de agricultores em Okopy, uma vila no leste da Polônia, fronteira com a atual Ucrânia. A Segunda Guerra Mundial havia terminado, e o regime do Partido Comunista, que havia derrotado os nazistas, governava a Polônia na época.

Quando jovem, Popiełuszko cumpriu o seu tempo de serviço militar antes de concluir os estudos do seminário e tornar-se sacerdote da Arquidiocese de Varsóvia. Foi ordenado a 28 de maio de 1972 com a idade de 24 anos.

Como sacerdote em Varsóvia, Popiełuszko serviu em paróquias regulares e estudantis. Ele ficou conhecido por sua firme e não violenta de resistência ao comunismo, sobre a qual ele falou com frequência em suas homilias, que foram transmitidas pela Radio Free Europe.

Popiełuszko participou da greve dos trabalhadores do Solidariedade em Varsóvia em 27 de março de 1981, uma advertência nacional de quatro horas que paralisou a Polônia, e foi a maior greve na história do bloco soviético e da história da Polônia.

Perseguição dos comunistas

Após esta greve, o Partido Comunista declarou a lei marcial até julho de 1983 no país, restringindo severamente a vida cotidiana dos poloneses em um esforço para reprimir sua crescente oposição política.

Durante este tempo, Popiełuszko celebrou mensalmente as chamadas “Missas pela Pátria” no último domingo do mês, defendendo os direitos humanos e a resistência pacífica do comunismo e atraindo milhares de participantes. Seu escritório em Varsóvia também se tornou um centro oficial de atividades do Solidariedade.

Padre Popeluszko faz homilia para milhares de pessoas
Padre Popeluszko faz homilia para milhares de pessoas.

Foi também nessa época que os ataques comunistas contra o padre aumentaram. Em 1982, as autoridades comunistas tentaram bombardear a casa do padre, mas ele escapou ileso. Em 1983, Popiełuszko foi preso por falsas acusações pelas autoridades comunistas, mas foi libertado pouco depois, após uma pressão significativa do povo polaco e da Igreja Católica.

Intercessão do Papa João Paulo II

De acordo com um artigo de 1990 no Washington Post, o cardeal Józef Glemp, arcebispo de Varsóvia na época, recebeu uma mensagem secreta do Papa polonês João Paulo II, exigindo que Glemp defendesse Popiełuszko e advogasse sua libertação.

Defenda o padre Jerzy – ou eles vão começar a encontrar armas na mesa de cada bispo“, escreveu o Papa.

Mas os oficiais comunistas não cederam. De acordo com o testemunho do tribunal, em setembro de 1984, oficiais comunistas decidiram que o padre precisava ser empurrado de um trem, ter um “belo acidente de trânsito” ou ser torturado até a morte.

Sequestro, tortura e morte

Em 13 de outubro de 1984, Popiełuszko conseguiu evitar um “acidente” de trânsito que foi planejado para matá-lo. O plano de captura e tortura, que obteve “sucesso” foi realizado pelas autoridades comunistas em 19 de outubro.

Um grupo atraiu o padre, fingindo que seu carro havia quebrado em uma estrada ao longo da qual o padre estava viajando.

Os sequestradores bateram no padre com uma pedra até ele morrer, e então amarraram seu corpo mutilado, à pedras e sacos de areia e o despejaram em um reservatório ao longo do rio Vístula.

Seu corpo foi encontrado em 30 de outubro de 1984.

Sua morte afligiu e revoltou os católicos e membros do Movimento Solidariedade, que esperavam realizar uma mudança social sem violência.

A dor do povo

Funeral do padre Popeluszko
Funeral do padre Popeluszko. Milhares de pessoas compareceram.

“Quando a notícia foi anunciada em sua igreja paroquial, sua congregação ficou em silêncio por um momento e depois começou a gritar e chorar de tristeza“, a BBC escreveu sobre a morte do padre.

O pior aconteceu. Alguém o matou, porém, não matou não apenas um homem, não somente um polonês e não apenas um padre. Alguém queria matar a esperança de que é possível evitar a violência na vida política polonesa”, disse o líder do Solidariedade, Lech Walesa, amigo de Popiełuszko na época.

Ele também pediu às pessoas que ficassem calmas e pacíficas durante o funeral do padre, que atraiu milhares de pessoas.

Novamente enfrentando a pressão da Igreja e do povo polonês, o presidente polonês, general Wojciech Jaruzelski, foi forçado a responder pela morte do padre e prendeu o capitão Grzegorz Piotrowski, Leszek Pękala, Waldemar Chmielewski e o coronel Adam Pietruszka como responsáveis pelo assassinato.

“Nossas fontes de inteligência na Polônia não acreditam nisso”, informou o Washington Post em 1990, quando o caso estava sendo revisitado.

Jaruzelski havia presidido uma campanha anti-igreja de longo alcance. Pelo menos dois outros padres morreram misteriosamente. E Jaruzelski criou o clima que permitiu ao SB (Serviço Secreto Comunista) perseguir e matar o padre Jerzy”. 

Um mártir para os nossos tempos

Em 2009, Popiełuszko recebeu postumamente a Ordem da Águia Branca, a mais alta decoração civil e militar da Polônia. Nesse mesmo ano, foi declarado mártir da Igreja Católica pelo Papa Bento XVI, e em 6 de junho de 2010 foi beatificado.

Um milagre na França através da intercessão de Popiełuszko está sendo investigado como o último passo em sua causa para a canonização.

Popiełuszko é um dos mais de 3.000 padres martirizados na Polônia sob os regimes nazistas e comunistas que dominaram o país de 1939 a 1989.

Na sexta-feira (19/10), o arcebispo Stanisław Budzik, da Polônia, e a conferência dos bispos poloneses divulgaram uma declaração em homenagem à memória do padre Popiełuszko e de todos os mártires sacerdotes do século XX na Polônia.

“Hoje, lembrando o pe. Jerzy Popiełuszko, lembramo-nos dos inabaláveis sacerdotes que pregavam o Evangelho, serviam a Deus e às pessoas nos momentos mais terríveis e tinham a coragem não só de sofrer pela fé, mas de dar o que é mais querido aos homens: as suas vidas”.

Peçamos a intercessão do Beato Padre Jerzy Popiełuszko, pela situação política das nações para que acima de tudo procurem a paz. Assim seja.

Segundo Fonte de ACI digital/Inglês

Com Informações de BBC Londres

Para aprofundar sobre a situação da Polônia nos anos 70 e 80

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