Infância Espiritual: um caminho de confiança e pequenez

 “… se não vos tornardes como um desses pequeninos não entrareis no reino dos céus” Mt 18,3

A ciência dos pequenos

Esse foi um ensinamento de Jesus aos seus apóstolos e a cada um de nós; São Paulo acrescenta que “o próprio Espírito assegura que somos filhos de Deus” (Rm 8,16) e nos aconselha com frequência a ter uma grande docilidade ao Espírito Santo.

Essa docilidade ao agir e querer de Deus se encontra particularmente na via da infância espiritual, que foi proposta pela pequena santa de Lisieux, Santa Teresinha do Menino Jesus.

Ela compreendeu em profundidade essas palavras de Jesus, e as transferiu para sua vida interior, na certeza de que sendo uma criança confiante em seu Pai do Céu alcançaria a grande meta da vida cristã – tornar-se santo!

Mesmo sendo uma via aparentemente simples e fácil, é tão pouco conhecida e seguida… Qual seria o motivo? Muitos pensam que a vivência da infância espiritual é destinada só para aqueles que já têm uma grande pureza e inocência.

Outros ainda que é uma espiritualidade muito “infantil”, que não convém a eles ou à sua situação atual no caminho cristão… todas são ideias falsas!

Esta via foi um caminho pensado pelo próprio Jesus, um caminho de confiança e pequenez, que ao aprofundarmos na vida e escritos de Teresinha, visitarmos os lugares por onde ela passou e conviveu, podemos perceber tão claramente.

Tornar-se uma criança

Para se ter um olhar correto sobre a infância espiritual é necessário comparar quais são as semelhanças e as diferenças desta com a infância comum. Quais são as qualidades de uma criança?

Elas são simples, dóceis, não tem duplicidade, inveja, não fingem ser o que não são; elas têm consciência de suas fraquezas e incapacidades e como tem necessidade de receber tudo de seu pai e sua mãe são humildes, e acreditam em tudo que os pais dizem em absoluta confiança, e amam sem esperar nada em troca.

As diferenças se encontram também na palavra: “não sejam crianças no modo de julgar; sejam crianças quanto à malícia, mas quanto ao modo de julgar, sejam adultos” (1Cor 14, 20). A infância espiritual se distingue pela maturidade do julgamento, que é sobrenatural, inspirada por Deus.

Na ordem natural, quanto mais uma criança cresce mais ela fica independente – na ordem da graça quanto mais o filho de Deus cresce mais ele entende que precisa de Deus, que jamais poderá ser autossuficiente e dependerá intimamente de Deus.

Teresinha, doutora da Igreja

Teresa tinha consciência daquilo que os padres do Concílio Vaticano II intuíram como “a vocação de todos à santidade”, pois “essa é a vontade de Deus, a vossa santificação” (1Ts 4,3 cf Ef 1,4).

“Deus chama à santidade não somente as grandes almas, mas também “une légion de petites âmes – uma legião de almas pequeninas”.(Santa Teresinha)

No dia 6 de agosto de 1897, ela explicou à sua irmã Inês o que ela entendia por ‘permanecer criancinha’ “perante o bom Deus”:

“É reconhecer o seu nada, é esperar tudo do bom Deus, assim como uma criança pequena espera tudo do pai; é não se preocupar com nada… Mesmo entre os pobres, dá-se à criança o que lhe é necessário, mas assim que ela cresce o pai não quer mais alimentá-la, dizendo-lhe: ‘Agora vá trabalhar, você pode se sustentar.

Foi para não escutar isso que eu não quis crescer, sentindo-me incapaz de ganhar a vida, a vida eterna do Céu. Permaneci, então, sempre pequena, tendo uma só ocupação: colher flores, as flores do amor e do sacrifício, oferecendo-as ao bom Deus, para seu agrado.”

Na escola dos pequenos

Tive a graça de visitar a terra dessa flor do Carmelo e doutora da Igreja; tudo respira a certeza de que não precisamos de grandes coisas para chegar até Deus – basta ser pequeno!

E as crianças nos ensinam demais… uma vez fiz uma adoração na Fraternidade Cenáculo com um menininho, filho de um casal do Caná, cantando músicas infantis para o Menino Jesus. Tenho certeza que Ele ficou feliz com nossa espontaneidade de coração!

Da mesma forma, recentemente em uma visita ao Santuário de Banneux, na Bélgica, na Festa da Assunção de Maria, uma criança de 5 anos, participava feliz da procissão, mas sem uma vela na mão, pois sua família era muito pobre… mas isso não o impediu – levantou os bracinhos como se segurasse uma vela e rezava e cantava para sua mãezinha Maria!

Nos tocou seu gesto, demos a ele uma vela e qual não foi sua alegria… depois com um abraço me agradeceu e meu coração se enterneceu pela simplicidade e devoção desse menino. Basta isso, meu irmão, minha irmã:

“O que agrada a Deus, em minha pequena alma, é que eu ame minha pequenez e minha pobreza”. (Ziza Fernandes, música ‘O que agrada a Deus’)

Ana Teresa e Ana Clara – Missionárias Comunidade de Vida

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