• Ele está no meio de nós – Palavra do mês de Agosto

    Ele está no meio de nós – Palavra do mês de Agosto

Ele está no meio de nós – Palavra do mês de Agosto

 

“E o Verbo se fez carne, e habitou entre nós.” (Jo 1,14)

Com esta Palavra, João revela o grande mistério da encarnação do Filho de Deus. Jesus, o verdadeiro Homem e verdadeiro Deus, mostra o seu ser “Filho do Pai eterno” na sua vida terrena, agindo e falando no nome do Pai.

Estas palavras parecem tão simples, mas, por trás, carregam um segredo, um mistério, uma verdade que, compreendida, transforma nossa vida.

Seria melhor dizer que transformaria a nossa vida, porque o condicional diz uma realidade que nós devemos descobrir e viver.

À espera do Messias libertador

Desde o tempo dos Juízes, antes do rei Davi, no Antigo Testamento, foi crescendo a compreensão de que no tempo teria chegado um Messias, o qual seria o rei e sacerdote do povo de Israel.

Não devemos nunca esquecer que o pequeno povo judaico vivia no meio de grandes potências bélicas que tinham reis potentes que dominavam o mundo.

Os judeus, perseguidos por estes povos guerreiros, lutavam e ansiavam pela liberdade e por uma terra próspera onde correria leite e mel em abundância.

Lentamente, foi se formando, também por meio dos profetas, a convicção de que Deus teria mandado um grande rei, um messias, que como o rei Davi, traria a paz e a prosperidade para a região.

A ideia que se formou no tempo foi de um rei que, como os reis inimigos, teria sido um grande combatente, vitorioso, guiado pelo Deus.

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Ele teria conquistado não somente a região de Israel, mas também dominado as outras nações com o braço potente e a justiça e, finalmente, a paz teria chegado para eles.

Esta era a mentalidade daquele tempo. Mas, devemos dizer com sinceridade que esta é também a nossa mentalidade, o pensamento da pessoa humana. Também nós, sem perceber, às vezes seguimos estas ideias.

Queremos e procuramos um Deus forte, que vença tudo aquilo que é contrário ao nosso modo de pensar; um Deus que se coloque ao nosso lado na guerra, para eliminar quem é contrário ao nosso modo de viver.

É claramente um Deus feito a nossa imagem e semelhança, para realizar os nossos interesses.

Um rei diferente

“E o Verbo se fez carne, e habitou entre nós.” (Jo 1,14)

Dois mil anos atrás apareceu Jesus! No princípio era o Verbo e o Verbo era Deus, e ele se fez carne como nós. Jesus revolucionou e revoluciona todo o pensamento que nós temos sobre Deus.

  • Ele podia nascer no palácio do Imperador Tibério, mas nasceu em uma gruta e foi colocado numa manjedoura;
  • Ele podia ser honrado pelos príncipes e sacerdotes do Templo, mas foram adorá-Lo um pequeno grupo de pastores, pessoas que naquele tempo não valiam nada, levando aquilo que tinham: queijo, ovelhas etc;
  • Ele podia ser formado culturalmente no Templo em Jerusalém, aprendendo sobre os segredos da Torá para tornar-se um grande escriba. Ao contrário, teve que fugir para o Egito e depois viver numa aldeia desconhecida da Galileia, chamada Nazaré;
  • Ele podia formar-se na arte da guerra para dirigir legiões e, depois, governar com a força da espada e da guerra. Mas, trabalhou como marceneiro, um trabalho que somente os pobres faziam.

Que Deus é este, que se apresenta assim aos judeus e a nós?

Nós queremos grandes catedrais, imensos palácios onde se estude a teologia para formar grandes teólogos, cálices dourados e ricas casulas para celebrar a Missa.

Exibimos crucifixos dourados no peito… ainda bem que Papa Francisco rejeitou tudo o que é rico e que manifesta poder!

O Papa nos pede para voltar a viver a Palavra concretamente, abandonando o conceito que construímos de um Deus potente, abandonando a crença que somente os católicos são perfeitos e que, infelizmente por isso, podem acabar com todos os cristãos e tudo o que não é cristão.

Não quero afirmar que não precisamos de teólogos preparados, mas os teólogos, nós padres, que queremos ser só de Jesus, devemos aceitar viver numa pobre casa e com poucas coisas, amando a Deus em primeiro lugar… e os últimos?

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Jesus, o nosso Senhor Deus, quis mostrar com a vida que a única coisa importante é seguir a Palavra do Pai do Céu. Jesus aceitou viver como os pobres, ser rejeitado, chagado, chicoteado, crucificado, ficou coberto de chagas, teve misericórdia com os míseros.

Foi considerado ladrão como os ladrões que colocaram crucificados ao seu lado, um à sua direita e outro à sua esquerda.

A humildade de Cristo

“E o Verbo se fez carne, e habitou entre nós.” (Jo 1,14)

Ele viveu o que na teologia chamamos de kenosis, mesmo sendo Deus se fez o último de todos para levar Deus a todos. Ele, que era Deus, por meio da obediência, mostrou ser Filho do Pai, que ama quem é simples, pobre, sofrido, pecador.

E nós? Será que percebemos a necessidade de dar um salto de qualidade, que devemos voltar ao primeiro amor para não ser “vomitados por Deus” e não nos tornar como uma cana movida pelo vento, vivendo o anseio de buscar vantagem em todas as circunstâncias.

Deve ser bem claro para nós que só podemos anunciar a Palavra de Deus se somos seguidores de Jesus, se estamos dispostos a tornar-nos pequenos pelos outros; prontos a viver exclusivamente a vontade do Pai, mesmo se devêssemos passar por sofrimentos e incompreensões.

Até diria que somente se estivermos na cruz com Ele poderemos, com humildade, proclamar a Palavra.

Por isso, não devemos ter medo de colocar-nos no último lugar ou de ser criticados como pessoas que vivem fora da realidade do mundo.

Nos passos do Mestre

Olhemos os santos, como por exemplo, São Pe. Pio. Vivia numa aldeia do sul da Itália. Ele não quis se mostrar, mas ser fiel ao chamado de Deus.

Foi crucificado junto a Jesus também pela Igreja, mas não desistiu, continuou rezando, amando, aceitando as chagas físicas e espirituais.

Agora ele é conhecido no mundo todo. Não procurou nem televisão nem rádio para tornar-se famoso, viveu somente a Palavra e Deus o exaltou pelo bem que fez para tantas pessoas.

Chegou o tempo de viver como Jesus nos pede, para poder ser verdadeiros profetas. Façamos um exame de consciência bem profundo.

Olhemos quais são os ídolos e a imagem errada que temos do Messias e, finalmente, joguemos tudo isso no lixo para viver somente a verdade e ser Palavra viva de Jesus.

O mundo está precisando disso. A nós, cabe a escolha.

Pe. Antonello Cadeddu

Fundador da Aliança de Misericórdia

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