Discernir o carisma: o que levar em conta na hora de decidir

AGOSTO é o mês dedicado às vocações no Brasil. Em cada semana do mês, a Igreja destaca uma modalidade vocacional. Esta semana, falaremos sobre a vocação religiosa.

Um consagrado para amar

Quem nunca se deparou em algum momento com o desejo sair pelo mundo em missão, abdicar de uma vida em família e dedicar-se somente a Deus?

Quem nunca suspirou assistindo o filme “Irmão Sol, Irmã Lua”, vendo a entrega total de Francisco e Clara de Assis? Pois é, Deus é um Sujeito sedutor: quando Ele passa, nunca deixa as coisas muito estáticas.

O chamado a ser um consagrado é uma verdadeira revolução no coração de uma pessoa; o mundo ao redor perde a cor, o que fazia sentido já não tem graça, literalmente como disse são Francisco “e o que era amargo se tornou doce”.

Se você já sente que é isso mesmo, que você deve entregar sua vida para Deus, terá que dar agora um segundo passo no discernimento: onde servir, em que carisma?

Unidade e diversidade

A alma da Igreja é o Espírito Santo e Ele é dinâmico, atualiza e rejuvenesce a Esposa de Cristo com criatividade e alegria. Vivemos um tempo favorável onde surgem novas expressões e carismas, além das congregações e institutos de vida consagrada tradicionais.

As novas comunidades surgiram com um novo florescer da vocação missionária da Igreja e existem centenas delas aqui no Brasil, centenas de opções de carismas onde podemos servir. Para você que está procurando um lugar, pode até ficar confuso na hora de se identificar com um só, mas vamos dar algumas dicas de como discernir bem.

São quatro pontos básicos para se levar em conta quando for sondar algum lugar. Você vai observar se:

1 – Há coerência com a doutrina

Isso é obvio, mas nem sempre é tão evidente à primeira vista. Observe se as atividades litúrgicas, pregações, diretrizes dadas aos membros da comunidade estão de acordo com os ensinamentos do Magistério.

Por exemplo, se o grupo divulga heresias, pregar a favor de coisas que a Igreja já se manifestou contrária, faz questão de manter práticas já abolidas pela Igreja em determinada época.

2 – Há unidade com a Igreja

Desconfie se uma nova comunidade caminha por si mesma, sem o conhecimento do pároco local ou do bispo. Quando um novo grupo nasce ou se instala em determinada região, é necessário criar um laço de comunhão com igreja local e se colocar à disposição dos pastores para as necessidades reais de lá.

Fique atento quando algum bispo bloqueia as atividades de determinado grupo naquela diocese. Procure saber os motivos, entenda a situação e não dê nenhum passo enquanto esta situação não se resolver e se este grupo começar a desobedecer a ordem.

3 – Há equilíbrio dos membros

Pelos frutos conhecereis a árvore. Como são os membros desta comunidade, como eles se tratam, como acolhem visitantes, como celebram a fé?

Cada movimento organiza sua vida baseada em determinadas regras para melhor viver aquele carisma suscitado por Deus. O ideal é que essas regras sejam de acordo com os ensinamentos da Igreja para a vivência de uma consagração saudável.

Existem carismas já consolidados que encontraram o equilíbrio, há aqueles que estão a caminho (acompanhados por bispo) e outros que adotam comportamentos extremos como se fossem um ideal de vida e santidade.

Há quem seja mais rígido no sentido moral e litúrgico: “a mulher é mais virtuosa se usar véu”, “você não é digno se não receber a comunhão de joelhos”, jejuns extremos, sinais externos que destoam como correntes com cadeados grandes.

Por vezes, os membros são expostos a humilhações públicas ou vexatórias quando não cumprem tais práticas.

Existem os grupos extremamente relaxados: membros que não demonstram nenhuma piedade com os sacramentos ou com os lugares santos, lhes falta modéstia e pudor nas vestimentas e no comportamento.

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4 – Virtude comprovada dos fundadores

Aqui chegamos num ponto muito delicado. A figura do fundador é de grande importância para qualquer congregação; é a partir dele que os membros se guiam para dar forma ao carisma em ação. Ele têm as inspirações e intuições de qual caminho seguir para uma melhor vivência. Deus o chamou e deu uma missão, um serviço. Sim, a fundação é um serviço dos mais humildes dentro da Igreja.

Acontece que eles são humanos e não anjos de luz e infelizmente podem errar. Se você está se aproximando de algum movimento e percebe que o fundador de alguma forma é colocado como a 4ª pessoa da Santíssima Trindade, acenda a luz vermelha.

Muitos se deixam venerar pelos membros e outros, vendo a falta de figura paterna e materna, permitem que os jovens os tratem como pai ou mãe. Isso não está certo!

Quais virtudes devemos encontrar num fundador? Vida de oração, humildade, disponibilidade, ser próximo dos membros (do menor ao maior), acolhedor. Isso é só para começar, pois com o tempo e a fidelidade deste, o Espírito Santo irá adorná-lo com muitas outras virtudes úteis para que ele exerça, com dignidade, esse serviço.

Melhorou ou piorou?

Esperamos que esses quatro pontos ajudem você a escolher e a discernir melhor o lugar onde darás o melhor de si. Cada ponto acima levantado foi baseado em vivências e conhecimento de fatos e casos, em cada um deles vimos a mão amorosa de Deus através da Igreja, corrigindo e ajustando as coisas.

Pedimos ao Espírito Santo que te ajude no discernimento vocacional e do carisma. Boa jornada!

NaFonte

O Padre Custódio, presidente da Aliança, gravou um programa explicando o que é e para que serve um carisma no seio da Igreja. Vale a pena assistir!

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