Devemos confessar os pecados somente com Deus?

mulher sentada sozinha
A decisão pela confissão é pessoal.

Volta e meia nós católicos ouvimos dos nossos irmãos protestantes (e até outros católicos, diga-se de passagem), que é errado confessar os pecados a um padre, pois ele é um pecador como nós. O que vale mesmo é confessar direto com Deus. Porém, o que é o desejo de Deus? O que Ele nos pediu?

Através da Palavra

A confissão sacramental como conhecemos hoje não nasceu do nada. O sacerdote não fica horas a fio ouvindo pecados por puro prazer. Este ministério está implícito em seu serviço ao povo de Deus, justamente porque o próprio Jesus assim o quis.

Duvida? Então, vamos fazer um passeio bíblico para entender este mandato de Deus para a sua Igreja.

“Jesus tomou de novo a barca, passou o lago e veio para a sua cidade. Eis que lhe apresentaram um paralítico estendido numa padiola. Jesus, vendo a fé daquela gente, disse ao paralítico: “Meu filho, coragem! Teus pecados te são perdoados”. Ouvindo isto, alguns escribas murmuraram entre si: “Este homem blasfema”. (Mt 9,1-3)

Interessante notar neste trecho é que os escribas e fariseus ficaram escandalizados com Jesus por ter ousado fazer algo que só é atribuído a Deus. Nós sabemos que Ele é o Filho de Deus, mas eles ignoram tal fato; para os judeus Jesus era um homem comum, pecador como qualquer outro.

“Jesus, penetrando-lhes os pensamentos, perguntou-lhes: “Por que pensais mal em vossos corações? Que é mais fácil dizer: Teus pecados te são perdoados, ou: Levanta-te e anda? Ora, para que saibais que o Filho do Homem tem na terra o poder de perdoar os pecados: Levanta-te – disse ele ao paralítico –, toma a tua maca e volta para tua casa”. (Mt 9, 4-6)

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A missão dos Apóstolos

É o próprio Jesus quem reconcilia o homem com Deus e isto está bem claro nesta passagem. Todavia, Ele voltaria ao Pai e sabendo da necessidade de seu rebanho, delegou o serviço da reconciliação aos seus Apóstolos.

“Disse-lhes outra vez: “A paz esteja convosco! Como o Pai me enviou, assim também eu vos envio a vós”. (Jo 20, 21)

Como o Pai enviou Jesus ao mundo? Com qual motivação? Reaproximar, reatar, reconciliar o mundo com Seu Amor Misericordioso! Não é lindo? Esta mesma missão, Jesus estende aos Seus Apóstolos.

“Depois dessas palavras, soprou sobre eles dizendo-lhes: “Recebei o Espírito Santo. Àqueles a quem perdoardes os pecados, lhes serão perdoados; àqueles a quem os retiverdes, lhes serão retidos”. (Jo 20, 22-23)

Jesus faz este gesto quase como uma forma de selar as palavras que anteriormente ele havia dito “como o Pai me enviou também eu vos envio a vós”.

Ele sabia que as pessoas continuariam a procurar os discípulos atrás de reconciliação, atrás de uma experiência com o Amor de Deus e, não há experiência com Jesus sem o perdão dos pecados. Não há! E é somente dentro da Igreja que o sacramento tem sentido.

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Missão da Igreja

“Ao tornar os Apóstolos participantes do seu próprio poder de perdoar os pecados, o Senhor dá-lhes também autoridade para reconciliar os pecadores com a Igreja.

Esta dimensão eclesial do seu ministério exprime-se, nomeadamente, na palavra solene de Cristo a Simão Pedro: ‘Dar-te-ei as chaves do Reino dos céus; tudo o que ligares na terra ficará ligado nos céus, e tudo o que desligares na terra ficará desligado nos céus‘ (Mt 16, 19).

‘Este mesmo encargo de ligar e desligar, conferido a Pedro, foi também atribuído ao colégio dos Apóstolos unidos à sua cabeça’ (Mt 18,18; 28, 16-20)”. (Catecismo da Igreja Católica, 1444)

Quando nos apresentamos na frente de padre para a confissão, não estamos simplesmente na frente de um homem; é pelo poder Deus que ele está ali. Assim desejou o próprio Jesus, que através de homens frágeis Sua graça chegasse até nós.

Fizemos uma série de artigos para ressaltar a importância do sacramento da confissão e agora a decisão é individual.

“Portanto, sem Cristo nada pode a Igreja perdoar; nada quer Cristo perdoar sem a Igreja. A Igreja não pode perdoar a não ser ao penitente, isto é, àquele a quem Cristo tocou”. Sermão 11 (PL 194, 1728-1729), Bem Aventurado Isaac Abade, sec. IX)

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