Círio de Nazaré e a fé do povo do Norte do Brasil

Quem é paraense ou já passou o mês de outubro no Pará sabe que nessa época do ano tudo se torna diferente por lá. As ruas se enfeitam, o cheiro da maniçoba (comida típica paraense) começa a subir, os familiares começam a chegar e o povo, que já é acolhedor por natureza, se torna ainda mais receptível. É o Círio de Nazaré outra vez, e com ele um sentimento que só quem já viveu sabe, mas que de forma alguma se consegue explicar.

A semana mais esperada para os paraenses começa com a abertura do Círio, na Basílica de Nazaré, onde a imagem original é descida do ‘glória’ para o altar, ficando mais acessível aos fiéis. Já a imagem peregrina começa as suas romarias, sendo conduzida por uma multidão de ciclistas, navegantes, motoqueiros e, por fim, pelos promesseiros que trazem a sua berlinda (redoma de vidro) puxada por uma corda.

Estive em Belém no ano de 2017, participei dessa grande festa e tive a oportunidade de estar presente durante toda a programação com a Virgem de Nazaré. Posso dizer que a sensação, a devoção e a alegria do povo nortista é incrível.

Histórico

No ano de 1700, o caboclo Plácido (descendente de portugueses e de índios) andava pela região do igarapé Murutucu na cidade de Belém (área que corresponde aos fundos da Basílica de Nazaré), quando encontrou uma réplica da imagem de Nossa Senhora de Nazaré.

Plácido então, levou-a para sua residência, onde limpou e improvisou um altar para a imagem. De acordo com a história da tradição local, a imagem retornou inexplicavelmente ao lugar do achado por diversas ocasiões até que, interpretando o fato como um sinal divino, o caboclo decidiu erguer sozinho uma pequena ermida no local.

Com o passar do tempo, a primeira ermida erguida por Plácido já não comportava mais tantos devotos e assim, foram construídas mais duas ermidas e a matriz, sucessivamente, antes do majestoso templo como o temos hoje.

Devido a divulgação do milagre o então governador da CapitaniaD. Francisco Maurício de Sousa Coutinho, determinou a transferência da imagem para a capela do Palácio da Cidade, em Belém. Porém, mesmo mantida sob a guarda do Palácio, a imagem novamente desapareceu, ressurgindo na ermida do caboclo Plácido.

Em 1773 o bispo do ParáDom João Evangelista, colocou a cidade de Belém sob a proteção de Nossa Senhora de Nazaré. No início do ano seguinte (1774) a imagem foi enviada à Portugal, onde foi submetida a uma completa restauração.

O seu retorno ocorreu em outubro desse mesmo ano, tendo a imagem sido transportada do porto até o Santuário por fiéis em romaria, acompanhada pelo Governador, pelo Bispo e pelas demais autoridades civis e eclesiásticas, sendo assim considerado o primeiro Círio.

Desde então, o Círio de Nazaré é realizado anualmente, no segundo domingo do mês de outubro e é considerado como a maior manifestação católica do planeta, atraindo mais de dois milhões de pessoas às ruas de Belém.

O Círio é o coração do paraense

A festa em honra à Nossa Senhora de Nazaré só termina no final do mês, com a subida da imagem original ao ‘glória’ e entrega da imagem peregrina ao Colégio Gentil Bittencourt (lugar onde ela permanece durante os dias do ano).

Não tem como descrever a sensação, a emoção de ver milhares de pessoas nas ruas, com réplicas de casas, carros, ou seguindo a procissão de joelhos.  Posso dizer que vale muito a pena viver essa experiência de devoção, de amor e sobretudo de fé que esse povo tem a nossa mãe, a Virgem Maria.

Pois há de ser mistério agora e sempre
Nenhuma explicação sabe explicar
É muito mais que ver um mar de gente
Nas ruas de Belém a festejar

É fato que a palavra não alcança
Não cabe perguntar o que ele é
O Círio ao coração do paraense
É coisa que não eu não sei dizer
Deixa pra lá…”
(Trecho da música ‘Eu sou de lá – Fafá de Belém)

Nayane Ramos, colaboradora da Aliança de Misericórdia

Com informações: https://ciriodenazare.com.br/site/cirio/historia/

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