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Amemos Maria, Mãe da Igreja

A Constituição Dogmática Lumen Gentium é um dos principais textos do Concílio Vaticano II. Ele se debruça sobre a reflexão do Mistério da Igreja, sua constituição e sua natureza e, dentre os seus oito capítulos, dedica o último à Virgem Maria, Mãe da Igreja, como que a “coroar” de maneira significativa toda a sua reflexão e o Concílio e, principalmente, apresentando Maria como o verdadeiro modelo de Igreja:

“Efetivamente, a Virgem Maria, que na anunciação do Anjo recebeu o Verbo no coração e no seio, e deu ao mundo a Vida, é reconhecida e honrada como verdadeira Mãe de Deus Redentor… Está, porém, associada, na descendência de Adão, a todos os homens necessitados de salvação; melhor, «é verdadeiramente Mãe dos membros (de Cristo)…, porque cooperou com o seu amor para que na Igreja nascessem os fiéis, membros daquela cabeça». É, por esta razão, saudada como membro eminente e inteiramente singular da Igreja, seu tipo e exemplar perfeitíssimo na fé e na caridade; e a Igreja católica, ensinada pelo Espírito Santo, consagra-lhe, como a mãe amantíssima, filial afeto de piedade” (LG, 53)

 

Com a promulgação deste Documento, Papa Paulo VI quis conferir solenemente à Maria o título de “Mãe da Igreja”. Após o Concílio, várias menções e celebrações nesta honra foram feitas pelos Papas ulteriores, e, somente em 2018, o Papa Francisco institui no Calendário Romano a Memória da Bem-Aventurada Virgem Maria, Mãe da Igreja, que a partir de então deverá ser celebrada todos os anos na segunda feira após Pentecostes.

Celebrar Maria, Mãe da Igreja é, em primeiro lugar celebrar sua maternidade para com toda a humanidade. Sendo escolhida desde toda a eternidade para ser Mãe de Deus, e por causa disto tendo sido cumulada de todas as graças necessárias para tão grande missão – a começar pela sua Imaculada Conceição (CIC, 491) – Maria tornou-se, portanto, Mãe do gênero humano. Ao encarnar-se no ventre puro de Maria, Cristo assume a condição humana, e ao gerar o Verbo feito carne, Maria torna-se, por Ele, Mãe da Humanidade: “está associada a todos os homens necessitados de salvação” (LG, 53).

Em seguida, celebramos a maternidade de Maria para com todos os cristãos. Sendo Mãe da “Cabeça, que é Cristo”, Maria torna-se também Mãe de todo o Corpo, que é a Igreja: é verdadeiramente Mãe dos Membros de Cristo, porque cooperou com seu amor para que na Igreja nascessem os fiéis, membros daquela Cabeça” (LG,53).

A Maternidade de Maria na vida dos cristãos se expressa na vigorosa influência que ela exerce na vida espiritual dos seus filhos! Maria contribui, pela graça, na formação dos “filhos de Deus” (I Jo 3,1). Deixando-se tocar por sua maternal intercessão, o cristão tende a se aprofundar na sua verdadeira vocação e chamado: viver, de fato, como filhos de Deus!

Em uma de suas aparições ainda tão pouco conhecida no Brasil, em Cimbres, Pernambuco, Maria se apresenta a duas pobres crianças como “A Graça”. Como canta um antigo hino dedica do à Maria “Por Vós, Mãe de Graça, mereçamos ver a Deus nas alturas com todo prazer, pois sois esperança dos pobres errantes…”. Esta maternidade espiritual de graça da Virgem Maria em nossas vidas é efetiva e eficaz. São Luis Maria Grignion de Monfort, conhecido por sua afetuosa devoção à Maria diz que “A quem Deus quer fazer muito santo, o faz muito devoto da Virgem Maria”. E ainda Santo Agostinho, a respeito de sua materna intercessão para conosco: “As orações de Maria Santíssima junto a Deus têm mais poder junto da Majestade Divina que as preces e intercessão de todos os anjos e santos do Céu e da Terra”.

Ainda o Catecismo da Igreja Católica, a respeito da Maternidade espiritual de Maria na Igreja afirma que:

Maria é, ao mesmo tempo, virgem e mãe, porque é a figura e a mais perfeita realização da Igreja: «Por sua vez, a Igreja, que contempla a sua santidade misteriosa e imita a sua caridade, cumprindo fielmente a vontade do Pai, torna-se também, ela própria, mãe, pela fiel recepção da Palavra de Deus: efetivamente, pela pregação e pelo Baptismo, gera, para uma vida nova e imortal, os filhos concebidos por ação do Espírito Santo e nascidos de Deus. E também ela é virgem, pois guarda fidelidade total e pura ao seu esposo» (CIC, 507)

 

Por fim, encontramos no trecho acima o projeto espiritual da Igreja, à exemplo de sua Mãe: tornar-se mãe de novos cristãos, pela pregação da Palavra e pelo Batismo. Aqui se encontra a dimensão evangelizadora e fecunda da missão da Igreja, e de forma particular, da Aliança de Misericórdia, “gerar para uma vida nova e imortal, os filhos concebidos por ação do Espírito Santo” (CIC, 507). Ademais, o Catecismo nos indica ainda uma maneira de tornar-se fecundos, à exemplo de Maria: de forma virginal, guardando “fidelidade total e pura” a Deus, o iniciador de toda obra e o centro de nossa Fé!

Uma autêntica devoção à Virgem Maria, Mãe da Igreja, sempre aponta para Cristo e produz, como fruto, os traços de Seu Filho Jesus em seus novos e pobres filhos! Por isso, vale a pena entregar-se nas mãos desta bondosa Mãe e ser por Ela conduzidos! Amemos Maria!!

“Somos todos teus, oh Mãe, e tudo o que temos te pertence!”

Marina Helena
Consagrada Celibatária da Aliança de Misericórdia

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