Alerta amarelo em tempo de pandemia

Foto: Zohre Nemati @zohre_nemati-unplash

Tudo isso tem nos dado muito medo! Medo de pegar o vírus, de perder pessoas, de transmitir, medo do que virá, medo de passarmos necessidades, dentre tantos outros medos que já existiam em nós e que se acentuam em momentos de tensão.

Situação ímpar na história

Todas as pessoas de algum modo estão sendo afetadas nas suas emoções na pandemia que ainda estamos vivendo. Cada pessoa vem reagindo de forma muito pessoal às tensões desse momento.

De um modo geral, por toda a instabilidade causada pela expansão do vírus, a humanidade está sendo afetada também em suas emoções e em seu comportamento. Não fazemos ideia da enorme transformação mundial que este vírus tem como efeito!

A instabilidade deve-se a muitos elementos, desde a falta de conhecimento total dos profissionais de saúde e cientistas diante do problema, às questões econômicas, até ao ajuste e reajuste constante da rotina de todos ou ao fato de podermos abraçar novamente os nossos amigos e encontrar pessoas para assistir algo juntos.

A impotência da incerteza

As perguntas dentro de nós são constantes… Quando isso tudo vai acabar? E se não acabar? Como sonhar e fazer planos? Como estaremos depois que tudo isso passar? Por onde começar?

Tudo isso tem nos dado muito medo! Medo de pegar o vírus, de perder pessoas, de transmitir, medo do que virá, medo de passarmos necessidades, dentre tantos outros medos que já existiam em nós e que se acentuam em momentos de tensão.

Quando a tensão estiver alta, é importante buscar atividades que lhe dão prazer, como jogar videogame, ler um livro, ouvir uma música etc. Aproveite bem a companhia das pessoas que ama, com quem convive, mantendo uma constante escolha de amor e de gratidão, isso pode tornar o seu dia mais leve!

Muita informação

Pensamentos antecipados costumam gerar muita ansiedade! E a ansiedade traz muitos prejuízos físicos e emocionais. Desse modo, faça uma boa reflexão sobre esse assunto e, sobretudo, tente encontrar caminhos para viver de forma mais branda o seu dia a dia, isto é, viver muito bem o presente!

Muitas pessoas nos procuram para falar de tantos medos e incertezas, bem como muitos sentimentos e pensamentos negativos. A maioria deles com relação ao futuro. Hiperfocar no futuro pode não ser a melhor opção! O melhor que podemos fazer agora é dar atenção ao presente.

É claro que tendemos a nos programar para o amanhã e que nos virão sempre memórias do passado que não foram tão boas assim, mas sabiamente nos ensinou Santa Teresinha ao dizer: “Só tenho para amar-Te, nesta terra, ó Meu Deus, o momento presente!”[1].

Ou seja, até para viver a santidade, o convite que nos é feito, é para focarmos no momento presente. Caso contrário, viveremos de um constante estado de medo.

Qual a saída?

Frente ao medo, o ser humano sempre tende a se comportar de três maneiras básicas: fuga, enfrentamento ou paralisia. A Pandemia está ressaltando nossas tendências ao medo e as reações podem ser das mais diversas.

Caso você ou pessoas com quem tem contato têm mais tendência a fugir do medo ou a paralisar-se, é importante observar se a condição emocional em que se encontra tem o levado ao desespero.

A Campanha do SETEMBRO AMARELO nos alerta: Uma das fugas, ou seja, “falsas” soluções para o medo ou pânico interior, diante da realidade dolorida, tem sido o suicídio.

Não é pequeno o número de suicídios pelo mundo e talvez esteja acontecendo uma possibilidade bem perto de mim e de você.

A maioria dos casos estão ligados a situações de enfermidade mental, dependência química, situações socioeconômicas, emocionais, culpa, falta de sentido, angústias interiores, etc.

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Os sinais claros

Mas precisamos lembrar que para o suicídio acontecer não precisa de motivos grandes, nem mesmo é tão óbvio que todos deixam sinais claros ou façam despedidas. Se nos mantivermos em constante atitude de amor, atenção, diálogo e escuta, podemos perceber com mais sensibilidade caso tenha alguém com essas ideações.

Muitos profissionais acreditam que, na maioria dos casos, pode ser que no fundo a pessoa não quer morrer. Mas a sensação de não ter saída a leva ao ato, por puro desespero!

Faz-se necessário ajudar a pessoa a pensar que, assim como os momentos bons passam e ficam muitas vezes só na memória, a sensação de infinita dor e os sentimentos ruins também mudam. Muitos dizem que só querem arrancar uma dor insuportável, não querem deixar de viver.

Como enxerga a realidade

Acontece naturalmente, em uma mente alterada por um processo depressivo, reações químicas tão fortes que, apesar de parecer real, a visão que naquele momento a pessoa tem da realidade fica como que embaçada, como se estivesse utilizando um óculos que não é dela.

Ela precisará do auxílio de pessoas mais próximas e de profissionais para que consiga ver bem novamente. Ninguém é depressivo, é um estado! A dor emocional ou mental precisa ser cuidada com zelo.

Há uma ideia utópica de que saúde mental corresponde a um estado de nunca ter medo, nunca ter tristeza, nunca precisar de ajuda.

Assim como as situações e sentimentos positivos não são constantes e eternos, precisamos aprender a suportar a dor, raiva ou culpa, como algo passageiro, mesmo que pareçam eternos ou que a única saída pareça morrer ou machucar-se.

Como agir em tempos de crise

Aprendemos com Santo Inácio, e com tantos outros santos e até mesmo profissionais de saúde, que em momentos difíceis, de trevas e tribulação, não podemos tomar nenhuma decisão de mudança ou de solução. Em crise ou desolação não se faz muitos movimentos! É necessário esperar passar a tempestade, para que todo o ser integrado e ordenado, tome enfim algum decisão.

Falar sobre uma dor emocional, em especial em momentos mais difíceis, com amigos, parentes, pessoas de confiança, é uma das maneiras mais eficazes de retomar as forças, recompor-se de uma crise e procurar o foco da própria vida. Só o fato de falar com a real certeza de estar sendo escutado, pode muito contribuir para as ideias pessimistas serem desfeitas.

Existe um número de telefone de uma ONG chamada CVV, que 24 horas por dia recebe ligações de pessoas que estão com ideação suicida. Eles têm pessoas preparadas para esse tipo de atendimento. O Número da CVV é 141.

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Buscar um sentido

Ir até um cantinho de oração que a pessoa tem em casa, pedir a graça de Deus e procurar retomar Palavras e experiências que fazem sentido para si, pode ser de grande ajuda para não só acalmar a mente, bem como para receber de Deus um auxílio, pois nEle se encontra a graça necessária para superarmos nossas angústias.

“Na minha angústia eu clamei ao Senhor, clamei ao Meu Deus. Ele escutou a minha voz do Seu Templo” (II Sm 22,7).

Nessa vida de missão e como psicóloga, conheci muitas pessoas que já tentaram se matar e que não tiveram êxito no plano. Por unanimidade, posso dizer: todas se arrependeram!

Assim como existe uma utopia quanto à saúde mental, também existe quanto à vida com Deus, quanto à vida de fé: pensa-se que não haverá mais dor ou tristeza, e até muitos religiosos destoam a Palavra de Deus, dizendo que um cristão que vive sua fé não adoece.E pior, não pode ter angústia ou depressão.

Se agarrar à Esperança

É verdade que Deus nos quer bem e felizes, mas também é verdade que com o pecado original, a humanidade vive em constante luta aqui nessa terra, tendo sim momentos difíceis e escuros, bem como momentos felizes e realizações, mas a plenitude da paz, da alegria, da realização só acontecerá no Paraíso, bem como a total tristeza e angústia só acontecerá no Inferno. Enquanto estamos aqui nessa terra, Ele é a nossa Esperança!

Podemos viver com muita dignidade e fé, na companhia de Deus, que também está com os que sofrem desses males:

“Porque assim diz o Alto e o Sublime, que habita na eternidade, e cujo nome é Santo: Num alto e santo lugar habito; como também com o contrito e abatido de espírito, para vivificar o espírito dos abatidos, e para vivificar o coração dos contritos” (Is 57,15).

Vanessa Paula de Jesus, Missionária Celibatária/ Psicóloga, Aliança de Misericórdia

[1] carmelitas.org.br/index.php/2018/10/01/santa-teresinha

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