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Por que o Espírito Santo é Deus?

Foto: Joseph Barrientos-unplash-

Os Macedonianos ou pneumatômacos, como Santo Atanásio gostava de se referir a eles, pois combatiam a divindade do Espírito Santo, foram condenados em vários momentos pela Igreja.

Origem do Macedonianismo

Após as polêmicas em torno do arianismo e de suas vertentes, que negavam a igualdade de natureza entre o Pai e o Filho, surge, a partir da segunda metade do século IV, uma corrente de pensamento que negava a divindade do Espírito Santo. Tal heresia recebeu o nome de Macedonianismo ou Pneumatomaquismo.

O mentor de tal corrente foi Macedônio, o Patriarca de Constantinopla, seguidor do pensamento ariano. Se de fato já havia uma dificuldade em aceitar a plena divindade do Filho subordinando-o ao Pai, a pessoa do Espírito Santo será mais ainda colocada dentro de uma relação de subordinação ao Pai e ao Filho. Assim, o Espírito seria, por exemplo, superior aos anjos e o grande canal de todas as graças, mas inferior ao Pai.

A heresia

Os Macedonianos ou pneumatômacos, como Santo Atanásio gostava de se referir a eles, pois combatiam a divindade do Espírito Santo, foram condenados em vários momentos pela Igreja. No ano de 362, por exemplo, um Sínodo em Alexandria considerou tal doutrina herética.

Mesmo morrendo em 362, Macedônio deixou vários adeptos de seu pensamento.

Desta maneira, a condenação mais veemente foi no I Concílio de Constantinopla em 381. Os Padres conciliares reafirmaram a fé professada no I Concílio de Nicéia afirmando o “Cremos no Espírito Santo”, porém acrescentando: “Senhor que dá a vida e procede do Pai, e com o Pai e o Filho é adorado e glorificado, Ele que falou pelos profetas”.

Igualdade na Trindade

Nesta afirmação conciliar, vemos claramente a defesa da igualdade entre o Pai, o Filho e o Espírito Santo do ponto de vista da natureza e da dignidade. É condenado, portanto, qualquer tipo de subordinação na Trindade. Em “Deus Uno e Trino” não há um inferior ou superior, mais ou menos que o outro. Em Deus, temos três pessoas e uma mesma natureza ou substância.

Tanto na Igreja Oriental como na tradição Ocidental, vários Padres da Igreja combateram o macedonianismo por intermédio de várias obras. No oriente, temos a figura dos Padres Capadócios, ou seja, São Basílio – o Grande, São Gregório de Nazianzo e São Gregório de Nissa. No mundo latino, temos a pessoa de Santo Ambrósio e Santo Hilário de Poitiers.

A mesma glória do Pai e do Filho

Enfim, como diria São Basílio no Tratado sobre o espírito Santo 6,15:

“Que defesa adequada teremos perante o temível e comum tribunal onde comparecerão todas as criaturas, se apesar de ter o Senhor manifestamente prometido vir na glória do Pai, e de Estevão ter visto Jesus de pé à direita de Deus, e de Paulo ter atestado no Espírito acerca de Cristo que ele está à direita de Deus, e embora tenha dito o Pai: “Senta-te à minha direita”, e o Espírito Santo ter testemunhado que ele está sentado à direita da majestade de Deus, procuremos colocar numa posição inferior aquele que possui igual trono, igual honra, devido à igualdade com o Pai e o Filho?”.

Prof. Dr. Joel Gracioso

Para aprofundar:

Altaner B. e Stuiber A. Patrologia. São Paulo: Paulinas, 1972.

Basílio de Cesaréia. Tratado sobre o Espírito Santo. In: Coleção Patrística vol.14. São Paulo: Paulus, 1999.

Drobner, H. R. Manual de Patrologia. Petrópolis: Vozes, 2003.

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