A plenitude do amor: reciprocidade – Dezembro de 2017

Palavra do Mês – Dezembro 2017

Missionário alimenta idoso.

A PLENITUDE DO AMOR: A RECIPROCIDADE

Nisto reconhecerão todos que sois meus discípulos, se tiverdes amor uns pelos outros.” (Jo 13,35)

Com este versículo bíblico chegamos à revelação da “plenitude do Amor”: a “reciprocidade”. Somos feitos pela comunhão, gerados à imagem e semelhança de um Deus uno e trino, “família de amor”.

Fomos gerados como “transbordar” da vida de comunhão trinitária, criados para a comunhão com Deus, com os irmãos e com o cosmo inteiro. Temos um “DNA” Trinitário!

Todo homem buscar a reciprocidade do Amor como maior riqueza e realização da sua existência, e precisa desta comunhão mais do que o ar para viver, e viver plenamente.

É verdade que a minha resposta ao amor de Cristo, que deu a vida por mim, é dar a vida pelos irmãos: “amai-vos uns aos outros como eu vos amei” (cf. Jo 15,12-13).

Acima de tudo, porém, o “cume” deste amor está naquele: “uns aos outros”. A mais forte aspiração de todo homem é experimentar no amor com os irmãos aquela reciprocidade que nos lança na unidade e fecundidade divina, trinitária.

Deus disse: façamos o homem à nossa imagem e semelhança, homem e mulher os criou” (cf. Gn 1,26-27). Como consequência para entender o mistério do homem, do seu coração, preciso então contemplar o mistério do eterno e recíproco doar-se do Pai e do Filho, no Espírito Santo, Senhor que dá vida.

No seio da Trindade Santíssima entramos na eterna dança do amor que “unifica” e “gera”. “O Pai se doa com generosidade gozosa, o Filho responde com gratidão gozosa, o Espírito Santo é o Amor, o gozo incessante, pleno” (Papa Paulo VI – na Carta sobre a alegria).

Jesus veio na terra para revelar-nos o mistério da vida do céu e convidar-nos a participar deste movimento do amor recíproco que é o próprio paraíso.

Assim como o Pai se doa totalmente, gratuitamente ao Filho, “se perde” no Filho e o Filho, nesta acolhida de infinita gratidão, “se perde” no Pai, gerando o Espírito Santo como Graça e eterna fecundidade, todo homem é chamado a encontrar no amor a plena realização da sua natureza.

Ainda mais, toda a criação é movida e sustentada pela força do amor trinitário, pela lei da relação e reciprocidade fecunda, que une e distingue toda criatura como única e irrepetível.

Realização humana

Concretamente, eu me realizo de verdade somente no amor recíproco. A maior aspiração do ser humano é amar e ser amado, é sentir-se uma só coisa com o outro e mesmo assim, único, distinto e irrepetível, fecundo e capaz de gerar, no amor, nova vida.

Eu me realizo saindo fora de mim para ir ao encontro do outro e me torno “pessoa” de verdade enquanto entro em relação com o outro, trazendo-o dentro de mim e “habitando” dentro dele, à imagem da Santíssima Trindade.

Esta era a característica dos primeiros cristãos, onde tudo entre eles era em comum e o amor que os unia era tão forte que os pagãos se convertiam e diziam surpreendidos: “olha como se amam”!

Nisto reconhecerão todos que sois meus discípulos, se tiverdes amor uns pelos outros.” (Jo 13,35)

O pecado original desfigurou essa “imagem” de Deus que é o homem. Toda a história da salvação consiste em “restaurar” na criatura aquela imagem originária que o Senhor criou em nós: a capacidade de amar e sermos amados.

Jesus, revelando-nos o Pai, derramando nos nossos corações o seu Amor, o Espírito Santo, veio para levar-nos do isolamento do egoísmo que nos mata. Pela sua cruz somos arrancados do inferno do individualismo e orgulho satânicos para o paraíso da relação e comunhão trinitária.

Ser “imagem e semelhança” de Deus é expresso no grego com o termo “ícone”. O ícone é uma imagem que me “transfigura” como uma “palavra de Deus” traduzida em pintura e, como toda Palavra é eficaz, realiza aquilo que expressa.

Em outras palavras, contemplando e meditando este ícone do mistério trinitário eu me transfiguro de grau em grau no mistério que contemplo: entro em comunhão divina. Existe, porém, um outro termo grego que expressa a palavra imagem. É o “ídolo”: esta é uma imagem distorcida da verdade.

O ídolo me desfigura, destrói a minha natureza, me mata. Sabemos que satanás é o “macaco de Deus”, O imita distorcendo a verdade pois ele é “mentiroso e pai da mentira”.

Ele nos leva a buscar a vida procurando salvá-la na defesa dos próprios interesses egoístas. Jesus nos ensina que a salvação está na alegria de dar a vida para os outros pois só o amor realiza a nossa natureza divina.

Na comunhão está a nossa realização e salvação. No individualismo egoísta está a destruição nossa, de toda criação e a nossa eterna condenação. Uma antiga parábola budista explica bem esta verdade.

Breve história

Conta-se que um homem foi levado para conhecer o inferno e o paraíso. O inferno era uma sala maravilhosa com uma grande mesa cheia de todo bem de Deus. Os talheres, porém, eram maiores do que os braços das pessoas de forma que ninguém conseguia trazer a comida na boca.

As pessoas agonizavam e morriam de fome, desesperadas, sem poder-se alimentar apesar de tanta abundância de deliciosos alimentos. A surpresa foi quando, levado ao paraíso, descobriu que as coisas estavam exatamente como no inferno: tudo era igual.

Os bem-aventurados, porém, podiam alimentar-se na maior alegria e satisfação pois cada um alimentava com aqueles talheres tão compridos os irmãos que estavam na própria frente. Alimentado, eram alimentados e, acima de tudo, amando, eram amados!

Só depende de nós “fazer o paraíso” acontecer no nosso meio, buscando no amor recíproco o pleno gozo do amor divino já aqui na terra.

Nisto reconhecerão todos que sois meus discípulos, se tiverdes amor uns pelos outros.” (Jo 13,35)

Como viver, então, esta Palavra?

Amando o outro! Simplesmente amando o outro pois o amor gera amor e amando serei amado.

Sonho o dia em que na terra os governos do mundo estabelecerão o “dia da Misericórdia”. Um dia em que cada um escolhe de fazer feliz apenas uma pessoa! Sempre penso: naquele dia todos serão felizes, e seria tão simples. Se cada um fizer um outro feliz, todos amarão e serão amados.

Seria um dia de paraíso no mundo. Não tenho dúvida de que a alegria seria tão grande que todos desejarão amar também no outro dia e no dia depois e no outro ainda…

Desta forma, não será mais apenas o “dia da Misericórdia” mas, o “Tempo da Misericórdia”. Trará ao mundo uma nova civilização do Amor e o paraíso perdido voltará a estar presente no meio de nós.

Vivamos então com entusiasmo o “novo mandamento” que Jesus veio trazer na terra para sermos homens novos antecipando em nossa vida a nova terra e os novos céus que aguardamos na esperança.

Pe. João Henrique

Fundador Aliança de Misericórdia

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