Pe. Luiz Paulo fala sobre ‘fanatismo’ em entrevista

Ainda como resultado da participação da X Assembleia Diocesana da Renovação Carismática Católica de Funchal, padre Luiz Paulo, missionário da Aliança de Misericórdia em Portugal, concedeu entrevista ao “Jornal da Madeira”, publicação local que também noticia eventos/feitos religiosos.

A entrevista está português de Portugal e você confere parte dela logo abaixo:

Chama-se Luiz Paulo, nasceu em Alfenas, Estado de Minas Gerais, no Brasil. Em Portugal, para onde veio fazer o seu Mestrado Integrado em Teologia, foi ordenado presbítero a 10 de abril de 2016, na Sé de Setúbal, por Dom José;

Jornal da Madeira – O Pe.Luiz Paulo foi convidado para ser o orador da X Assembleia do Renovamento Carismático no Centro de Congressos da Madeira. Um convite que certamente aceitou com muita alegria.

Pe. Óscar, Pe. Luiz e os seminaristas Gilson e Danilo | Foto: Duarte Gomes

Pe. Luiz Paulo – Sim. De facto foi com muita alegria que recebi e aceitei esse convite. Eu já conhecia, há algum tempo, as pessoas que estão aqui à frente do Renovamento. Esta é a minha segunda vez na Madeira. A primeira foi como turista, mas o desejo de vir como padre, como pregador era ainda maior. Como turista a gente vem, passa e esquece, mas a fé ninguém esquece. Então, vir anunciar a palavra de Deus é algo muito maior que um simples turismo. Logo, aceitei e vim com muito gosto, acompanhado de dois seminaristas: o Gilson e o Danilo.

Jornal da Madeira – Apesar de ser brasileiro foi em Portugal, para onde veio fazer o Mestrado Integrado em Teologia na Universidade Católica, que foi ordenado a 10 de Abril de 2010. E foi ficando…

Pe. Luiz Paulo – É! Fui ordenado em 2016, na Sé de Setúbal, por D. José. É em Setúbal que exerço o meu presbitério, onde tenho uma paróquia. Sou Vigário Paroquial da Paróquia de Arrentela/Seixal.

Jornal da Madeira – Também é responsável pela Regional Europa da Comunidade Aliança Misericórdia. Este Movimento Eclesial está presente em mais de 50 cidades do Brasil e em seis outros países, incluindo Portugal…

Pe. Luiz Paulo – A Aliança Misericórdia não pertence ao Renovamento. Ela é Carismática. Ela vive na dimensão Carismática da Oração, nessa vivência do protagonismo do Espírito Santo. Eu conheci a minha comunidade no Brasil, há 14 anos e indentifiquei-me muito com o Carisma, porque vai da dimensão da evangelização, ao anúncio aos jovens, a pregação às famílias, às crianças, o trabalho com os mais carênciados. Como a minha vocação nasceu no seio do Renovamento Carismático, lá na minha cidade do interior do Brasil, então foi um casamento perfeito. Depois fui enviado para Portugal há 8 anos, pela minha comunidade para fazer missão e continuar os meus estudos em Teologia em Setúbal, onde iniciamos uma comunidade e foi tudo se encaixando como um bom quebra-cabeças.

Jornal da Madeira – Disse-me há pouco que também tem a experiência de trabalho numa paróquia, mas há diferenças entre o trabalho paroquial e o trabalho na Comunidade…

Pe. Luiz Paulo – Boa pergunta. É verdade. Eu não sou Diocesano logo, definitivamente, não sei falar como seria a vida de um diocesano. Mas no que toca à comunidade posso dizer que é muito próximo o nosso relacionamento com as pessoas. Eu não vivo sozinho, tenho irmãos, religiosos e religiosas, que moram comigo, nós vivemos em comunidade e o nosso trabalho é muito feito em parceria com o povo de Deus, inseridos como missionários no meio da sociedade, no meio do povo de Deus. Nós não fazemos nada sozinhos. Temos sempre alguém ao nosso lado. A dimensão comunitária da Igreja para nós é muito forte, a dimensão da vida fraterna. Então, para nós, viver em comunidade é essencial para o nosso carisma. Aliás uma das regras para ser membro da minha comunidade é o desejo de viver em vida fraterna, não viver sozinho.

Jornal da Madeira – Apesar dessa valorização da comunidade, a verdade é que se dá também muita importância à experiência pessoal com Deus.

Pe. Luiz Paulo – É verdade. Lá na minha comunidade nós ouvimos muito os nossos fundadores dizerem que a boa vida comunitária é resultado de uma boa vida pessoal com Deus. Só podemos viver a vida comunitária de maneira sádia, sólida e equilibada se a nossa vída íntima com Deus é boa. Quando não acontece isso, é sinal que nós estamos rezando mal ou errado. A vida de oração pessoal dá frutos, na comunidade. Também na vida de um Diocesano, a vida de oração pessoal tem repercussões na boa vida da paróquia e do clero.

Jornal da Madeira – Na sua homilia, aqui na Visitação, incentivou os paroquianos a “descer do monte”, a “não ficarem no bem-bom”, mas serem missionários no meio da sociedade.

Pe. Luiz Paulo – Um grande exemplo que nós temos hoje de alguém que vive isso é o nosso Papa Francisco. A forma espontânea, verdadeira como ele se comporta, aqui em Portugal diz-se muito terra-a-terra, como ele surge nos sítios mais improváveis é ser Igreja. Uma Igreja de saída, que não tem portas, onde as pessoas podem entrar à hora que quiserem. Nós como Igreja, eu como sacerdote, somos ordenados para amar a Cristo no povo. Então não podemos ficar na sacristia. A sacristia é um lugar bonito, mas o povo de Deus é mais bonito. E nem sempre o povo vem à Igreja. Às vezes ele fica lá fora. Por várias razões. Às vezes pode ser por um excesso de intelectualismo, que dificulta a compreensão do povo.

Devemos por isso usar uma linguagem mais próxima das pessoas que facilite a comunicação. Na verdade, e o Papa tem defendido muito isso, nós como padres como Igreja temos de trazer os mesmos sentimentos do povo de Deus.

Quanto à dimensão missionária ela vai, de facto, muito além do ser padre ou não ser padre. Nós como batizados somos sacerdotes, profetas e reis. Temos uma vocação natural, enquanto cristãos, para sermos missionários. O sacerdote tem uma vocação específica, só alguns são eleitos. Mas missionários somos todos. E a Igreja está redescobrindo de forma cada vez mais forte a sua dimensão missionária. Esse é o caminho. Fala-se muito de Nova Evangelização. Para mim Nova Evangelização é isso mesmo, é voltar às origens, é ir para as ruas, é evangelizar onde o povo está, é entender que a igreja é muito maior que do tempo, que a Igreja está acontecendo no meio do povo, no tempo de cada coração.

Jornal da Madeira – Terminamos falando do Renovamento Carismático que nasce no seio da Igreja, mas cuja existência ainda não é consensual. As águas ainda estão agitadas ou já se percebeu, pela prática, que estamos perante o incentivar da tal vivência da experiência pessoal com Deus?

Pe. Luiz Paulo – Nós pregamos em vários países, experimentamos diversas realidades eclesiais. É preciso perceber a dimensão do Renovamento. Nós somos convidados a uma oração íntima, mas não intimista. Qual é a diferença? Numa oração intima, Deus fala ao teu coração para você servir o próximo. Precisa obrigatoriamente de um fruto para a Comunidade, para a Igreja. Quando não há fruto e a oração fica só para ti é intimista. Então, a dimensão Carismática precisa obrigatoriamente precisa dar fruto. Do outro lado disto tudo temos o fanatismo religioso. Como nós trabalhamos muito a parte psicológica, a parte emocional surgem exageros de todos os lados. É esse aspecto que a Igreja e os nossos bispos orientam. Eu vivo a dimensão Carismática, mas vivo também toda a dimensão da Igreja. Não podemos ser, salvo seja já que estamos na Madeira, uma ilha no contexto do mundo. Temos de ser Igreja.

O fanatismo religioso é um grande risco. As pessoas são tomadas pela emoção e perdem a razão. Acreditam em todas as aparições, em todo o tipo de profetas, mas poucas vezes vão à Missa, poucas vezes meditam no Evangelho do dia, poucas vezes procuram a Doutrina da Igreja. Essa é uma chamada de atenção que eu próprio faço algumas vezes, porque se trabalhamos com a emoção, com o lado psicológico das pessoas, então temos de ter responsabilidade. Estamos a falar de algo muito sério. Neste momento temos uma boa aceitação em todos os lados que nós vamos, porque nós trabalhamos isso. Muito mais importante do que dizer eu senti isso, eu ouvi aquilo, eu tive uma visão, é dizermos Deus tocou-me para servir, eu estou em Comunhão com a Igreja. Sem isso nada se faz, porque a Igreja é Comunhão e Jesus quis fazer comunhão. A nossa fe é uma Fé de Trindade, uma fé de família, uma fé comunitária. Se não estamos em comunhão com os nossos padres, com os nossos bispos, com aqueles que nos orientam, então não vamos para a frente.

Leia na íntegra: http://www.jornaldamadeira.com/2018/03/04/pe-luiz-a-proposito-dos-riscos-do-fanatismo-religiosoquando-as-pessoas-sao-tomadas-pela-emocao-perdem-a-razao/

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