Os frutos da Palavra | Mês de Novembro

Aquele que permanece em mim e Eu nele produz muito fruto; porque, sem mim, nada podeis fazer.” (Jo 15,5)

Em Ruanda, durante e após o dramático genocídio que deixou mais de 800 mil mortos, os cristãos deram inúmeros testemunhos da Misericórdia que só o Senhor pode colocar no coração do homem.

Entre tantas experiências que me foram relatadas, gostaria de contar a seguinte: num domingo, enquanto a comunidade celebrava a Eucaristia, um homem, na hora do Pai Nosso, parou a oração e disse:

“Eu não posso orar o Pai Nosso, pois não consegui perdoar quem matou todos os meus familiares! Como posso dizer ‘perdoa como nós perdoamos a quem nos tem ofendido’, se ainda guardo ódio no meu coração? Preciso reconciliar-me com este irmão e pedir-lhe perdão por não o ter perdoado até hoje, pois eu sou discípulo do Senhor que, na Cruz, implorou o perdão por aqueles que o crucificaram.

Peço que orem por mim”. E saiu da igreja. Toda a Comunidade começou a orar, intercedendo com fé. No domingo seguinte, este cristão entrou na igreja com o seu ‘inimigo’, pois dizia: “Eu quero conhecer o Deus que te fez capaz de amar assim, de perdoar assim, pois isto só um Deus vivo e verdadeiro pode realizar”.

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Tenho certeza de que, se realmente formos testemunhas concretas da Misericórdia do Pai, arrastaríamos atrás de nós uma multidão de homens e mulheres ao encontro de Jesus, único Senhor e Salvador.

Hoje e sempre os homens do nosso tempo não querem tanto ouvir falar de Jesus, mas ouvir Jesus falar, amar, agir em nós! Hoje e sempre, os homens e as mulheres, os jovens e as crianças, mesmo sem saber, carregam em seu coração uma sede infinita, uma busca incansável, um clamor que não silencia: “Queremos ver Jesus!” (Jo 12,21).

Isto, que os gregos pediam para Filipe e André no capítulo 12 do Evangelho de São João, hoje o mundo tem direto de pedir para nós que nos chamamos cristãos.

Tenho certeza de que não existem homens maus. Só existem pessoas feridas, sedentas e famintas, que se tornaram duras, violentas, inescrupulosas, pois não conseguem encontrar a fonte do puro amor, que só poderá saciar a sede do seu coração.

Em outras palavras, o mundo precisa de Cristo. Tenho certeza de que, como dizia Santa Catarina, “se vos tornastes o que são, incendiarão o mundo”.

Como conseguir este milagre? Vivendo a Palavra, permanecendo assim em Cristo para que Cristo viva em nós!

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Aquele que permanece em mim e Eu nele produz muito fruto; porque, sem mim, nada podeis fazer.” (Jo 15,5)

De fato, os frutos que a Palavra produz em nossa vida são inúmeros, pois as perfeições divinas são sem medida. A Bíblia nos ensina que a Palavra cria (cf. Gn 1,3ss), santifica (Ex 19,5-6a), cura (Mt 8,8), faz renascer (1Pd 1,22-23), nos torna familiares de Jesus (Lc 8,21), nos enche de alegria plena (Jo 15,11), instrui, corrige, educa, aperfeiçoa (2Tm 3,16-17).

Vale a pena ler atentamente e meditar o Salmo 118(119), o mais comprido salmo da Escritura, com 176 versículos, pois em cada versículo procura glorificar um fruto da Palavra de Deus naqueles que a acolhem.

São tantas graças, tantos frutos que não se podem contar. Sabem por que? Jesus nos revela o segredo: “Se alguém me ama, guardará minha Palavra e meu Pai o amará e a ele viremos e nele estabeleceremos morada” (Jo 14,23). A Palavra acolhida, guardada no coração e na vida, nos torna “sacrários vivos” de Deus; nos torna como Maria, “grávidos”, “recheados” de Deus, nos torna novas “arcas da Aliança”. E a Arca era o lugar onde Deus manifestava a sua presença: a Shekinah!

Sabem por que, com a vinda de Cristo e o nascimento da Igreja, o Templo foi destruído e a Arca, misteriosamente, desapareceu? Tenho certeza de que isto aconteceu para que entendêssemos que o novo tempo que Jesus veio instaurar no mundo, é tempo do novo “templo” que cada um de nós é chamado a tornar-se, para que o mundo experimente e creia na Presença do Deus vivo que vive em nós. É maravilhoso! E é, também para nós, uma imensa responsabilidade.

Dentro da Arca era guardada a Palavra de Deus, o maná e o cajado da autoridade sacerdotal de Aarão. O Espírito Santo hoje quer escrever a Palavra nas tábuas do nosso coração (cf. 2Cor 3,3) e nos dá o Pão da vida e a autoridade do Senhor para sermos testemunhas do seu poder, sacerdotes no mundo e verdadeiros adoradores.

A alegria do Pai é que possamos produzir muito fruto com Cristo, pois sem Ele, nada podemos fazer. Deve ser claro para nós: “Se permanecerdes em mim e minhas palavras permanecerem em vós, pedi o que quiserdes e vos será dado. Meu Pai é glorificado quando produzis muito fruto e vos tornais meus discípulos” (Jo 15,7-8).

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Gravamos, então, e vivamos com fé viva e ousadia no amor, esta Palavra:

Aquele que permanece em mim e Eu nele produz muito fruto; porque, sem mim, nada podeis fazer.” (Jo 15,5)

A nossa vocação, neste mundo e na eternidade, é nos tornarmos uma Palavra viva para os homens. Ao criar-me, o Senhor proclamou uma Palavra diferente, particular, que me deu vida, esta vida única, esta missão especifica que nenhum outro homem ou mulher, na história da humanidade, poderá realizar, a não ser eu.

E esta Palavra, que eu sou, não poderá voltar ao céu sem ter realizado sua própria missão, sem produzir o fruto pela qual foi enviada ao mundo, como diz o profeta Isaias (cf. Is 55,11).

Pense o quanto é preciosa a tua vida, “uma palavra viva” que os homens poderão ler sem precisar de palavras (cf. 1Pd 3,1). Peça ao Espírito Santo que possa mostrar-lhe aquela Palavra específica que você é chamado a ser para o mundo… sua missão única, sua forma particular de deixar viver Jesus em seu coração, que o tornará um reflexo da única santidade de Deus na história da humanidade.

Você se recorda do que Santo Agostinho dizia, como já escrevemos, que se queimassem todas as Bíblias e permanecesse uma única Palavra “Deus é amor” (1Jo 4,8), toda a Bíblia seria salva?

Muito bem… Chiara Lubich chega a dizer que se também este versículo de 1Jo 4,8 fosse queimado, mas ainda existisse no mundo um verdadeiro discípulo de Cristo que guarda a sua Palavra no coração, toda a Bíblia ainda seria salva e poderia ser lida em nossa vida, atos, gestos de amor e de Misericórdia.

Se, pois, Deus é Misericórdia, e disto o mundo precisa para encontrar a paz, “sejamos misericordiosos como o Pai é misericordioso” (Lc 6,36) e assim alastraremos no mundo o incêndio de amor do Deus vivo e Santo!

Pe. João Henrique

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