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O amor maior: dar a vida pelos seus amigos.

“Este é o meu mandamento: que vos ameis uns aos outros, assim como eu vos amei. Ninguém tem maior amor do que aquele que dá a própria vida por seus amigos (Jo 15,12-13)”.

  Ao voltarmos nosso olhar ao texto de Jo 15,1-17 somos continuamente marcados pelo convite de Jesus: “permanecei em mim, permanecei no meu amor”. Em outras palavras Jesus anuncia aos seus discípulos a sua morte iminente e explica o seu significado convidando-os para “habitar” e unir-se intimamente a Ele. A morte na cruz é apresentada como glorificação e não como infâmia, pois Jesus, ao dar a vida pelos seus amigos, revela a grandeza do seu próprio amor e do amor do Pai, que tanto amou o mundo oferecendo por amor da humanidade o seu Filho único. Por esta razão, somos a cada mês interpelados a vivermos numa união íntima de amor com Jesus, enxertados nele, porquanto habitar nele é uma dádiva, um presente. Compreender que o amor que o Pai tem pelo Filho Jesus – esse amor único e total pelo Filho – é o mesmo amor que ele tem por cada um de nós, torna-se a nossa necessidade, o que precisamos profundamente conhecer. Se conhecemos esse absoluto amor, permanecemos nele. Essa é a nossa casa, a nossa habitação: a casa do amor, a morada de Deus. Se estou na casa do amor, aprendo a amar e, portanto, amo. É neste caminho que Jesus nos adverte: “amem-se uns aos outros como eu os amei” (cf. 13,34; 15,12). Ele se apresenta como modelo, porque nos ama até as últimas consequências (cf. 13,1). E, desse modo, é amando nosso irmão, que permanecemos na casa do amor, na Casa do Pai.

O texto que propomos para nossa meditação correspondem as anteriores indicações do tema acerca do amor do Pai pelo Filho, do Filho por nós e do nosso amor pelo Pai e pelo Filho, que se torna amor pelo próximo. Em outras palavras, pode-se dizer que na vida cristã o amor ao próximo não é um outro mandamento, mas que o amor a Deus e ao próximo, é um único mandamento. Amando o Pai, amo os irmãos, se não amo os irmãos, não amo o Pai. Por quê? Porque o Pai ama nossos irmãos como ama um filho.

Este é o meu mandamento: que vos ameis uns aos outros, assim como eu vos amei. Este é o mandamento do Senhor, um único mandamento, muito simples. Ele já havia anunciado em João 13,34 depois de lavar os pés dos seus discípulos: “que vos ameis uns aos outros“. Observe que o único mandamento de Deus é o amor mútuo entre nós. Talvez não consigamos dizer que o amor de Deus e do homem é um só amor, é o mesmo amor que o Pai tem pelo Filho, o Filho tem por nós, é o mesmo que nós temos por Jesus, pelo Pai e pelos irmãos. Ou seja, o amor é único, é Deus, é o Espírito Santo. Portanto, não existe amor a Deus e amor ao próximo separadamente, existe apenas um amor, aquele que vem de Deus, do Pai oferecido em sua totalidade ao Filho, que do Filho chega aos irmãos (outros filhos) e os irmãos então amam o Pai e o Filho, e assim vivem amando-se uns aos outros. Onde há amor entre nós, Deus, o Pai, se manifesta, porque vivemos como irmãos, estabelecendo o Reino do Deus-Amor. O Evangelho segundo João usa pouco o termo “Reino de Deus”, usa frequentemente a palavra “Glória”, indicando que Deus é glorificado, seu nome como Pai é santificado no amor entre os irmãos.

É possível viver em comunidade este amor recíproco, amar-nos uns aos outros? Sim, é possível. Quando somos conscientes de que Jesus nos ama com o amor que o Pai nos ama, podemos amar na medida em que somos amados e como somos amados. É possível afirmar que esta é a mensagem central de todo o Evangelho: revelar-nos como somos amados por Deus em Jesus, aquele que demonstra todo o seu amor com a sua Paixão e morte de cruz. Se eu conheço esse amor, então posso viver desse amor. Se sou amado, posso amar, se não, não posso. Deus se reconhece como Pai, se nos amarmos uns aos outros. Trata-se de amar os outros como Jesus me ama, ou seja, cuidando deles fielmente, fazendo-se irmão até a morte, até que se oferte a vida por eles. Há no amor cristão uma forma, um estilo determinado por Jesus. Somos discípulos deste Mestre, o único Mestre que nos coloca na “arte de amar”. Seria fácil falar de amor ou acreditar que estamos vivendo o amor, mas vivê-lo como Jesus o viveu, ao preço do dom da vida, é arte, é obra-prima do amor, portanto é manifestação da glória de Deus que é a glória do ‘amor’. Assim, este amor torna-se um “sinal”, isto é, um sinal de que onde há amor, há vida cristã, a vida do discípulo de Jesus. De fato, o discípulo de Jesus não se distingue porque reza, não se destaca porque faz milagres, porque tem uma sabedoria refinada, mas porque ama como Jesus ama!

“Ninguém tem maior amor do que aquele que dá a própria vida por seus amigos” (João 15,13). Com esta expressão, Jesus diz em que consiste o seu amor, isto é, a dimensão e a qualidade do seu amor. Ele aponta qual é o ponto mais alto do amor, acenando a sua entrega na cruz como ato extremo, o dar a vida por seus amigos como expressão máxima desse amor “para que todos tenham vida e vida em abundância” (cf. 10,10). Aqueles a quem Jesus chama de amigos oferecendo a própria vida são: Judas que o traiu, Pedro que o negou e os outros considerados desertores, fugitivos do escândalo da cruz. São estes que Ele chama de “amigos”. É precisamente aqui que Jesus apresenta o princípio para todos os seus discípulos, afirmando que “o sumo grau do amor” está na oferta da própria vida pelos seus amigos, uma disposição a dar a vida, uma decisão de não por limite à entrega. À vista disso, para ser amigo de Jesus não basta ser amado por Ele, é preciso também amar como Ele amou. Então, devemos amar quem? Podemos dizer que devemos em primeiro lugar amar Jesus. No entanto, Jesus não pede isso: ao contrário, pede para amarmos uns aos outros como Ele amou. Uma pergunta ainda permanece: por que a reciprocidade exigida pelo mandamento de Jesus não consiste em amar primeiro a Ele, mas em amar os irmãos?

Jesus ama os seus discípulos por iniciativa própria e gratuita. De iniciativa própria, porque o amor de Jesus não é motivado pelos méritos dos seus discípulos, mas brota do amor com que o Pai o amou antes da criação do mundo (cf. 17,24). Gratuitamente, porque Jesus ama também aqueles de quem não espera retribuição. Com efeito, também Jesus escolhe e ama Judas, mesmo sabendo que o trairia (cf. 13,18). Quando Jesus pede aos discípulos que amem como Ele ama, a medida do seu amor não pode ser alcançada pelos discípulos, a menos que eles, por sua vez, tomem a iniciativa de amar gratuitamente. É o que Jesus oferece como lição de vida no lava-pés, um exemplo de como amar gratuitamente, extinguindo qualquer mentalidade motivada por méritos (cf. 13,15).

Em síntese, o amor é o fundamento da vida dos que creem em Jesus. E, desse modo, a autenticidade da missão de todos os cristãos consiste no “oferecer a vida” para os irmãos, como o próprio Cristo ama e revela com seus atos, tornando suas palavras a sua própria vida. Por isso, não tenhamos medo de oferecer-nos até afirmarmos como São Paulo declarou: “eu vivo, mas já não eu, é Cristo que vive em mim” (cf. Gl 2,20).

Unimos as nossas vidas e desejemos ser no coração da Igreja testemunhas visíveis do amor misericordioso do Pai.

Coragem!

Paz e Misericórdia!

 

PROPOSTA PARA A VIVÊNCIA DA PALAVRA DO MÊS:

 

– Vivência Pessoal: Como tenho vivido a minha vida? Amo sem interesses ou espero sempre as retribuições? Oferto a minha vida? Aprendo de Jesus ou obedeço outros mestres deste mundo? A quem tenho seguido? Talvez, preciso questionar-me se os meus atos imitam a vida de Jesus ou se tenho consciência de uma verdadeira vida cristã.

 

– Vivência comunitária: Partilha comunitária. Escolher pessoas afastadas para serem contatadas ou visitadas.

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