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Não deixe que os pecados da língua te dominem

“Vede como um pequeno fogo pode incendiar uma floresta! Assim também a língua é fogo, é um mundo de iniquidade”. (Tg 3, 5b)

Guia prático de adestramento da língua

Pois é! Um dos menores membros do nosso corpo faz estragos incontáveis. Queremos com este texto mostrar de forma prática e verdadeira, os estragos que a palavra mal dita faz na vida das pessoas.

Com a língua podemos pecar contra todas as virtudes:

1 – blasfemando contra Deus, santos, a Igreja;

2 – pecando contra a castidade com linguajar chulo, palavras de duplo sentido;

3 – contra a veracidade falando uma mentira;

4 – contra a justiça e a caridade difamando, ou caluniando.

Boa fama e má fama

Fama é a estima que as pessoas têm sobre outro. Ela pode ser boa quando suas ações são dignas de tal qualidade, ou má quando publicamente sua conduta é imoral ou escandalosa.

Temos o direito natural da boa fama, pois, todo homem é digno de fé. Até que se prove o contrário devemos defender a fama do próximo.

Quando atacamos esse direito à boa fama, pecamos contra a justiça e a caridade praticando a difamação. Aqui, não entramos no mérito de que tal fato foi verdade, estamos falando em preservar um direito de todo ser humano de ter uma boa imagem.

Difamação

É configurada difamação em dois casos:

1 – Quando faço uma maledicência

“Quem poderá Senhor, entrar no teu Santuário? (…) aquele que não usa sua língua com maledicência, que nenhum mal faz a seu semelhante, nem lança calúnias ou afrontas contra seu companheiro”. (Sl 15, 3)

Torno-me um detrator ou maledicente quando manifesto, sem justa causa, o pecado, o vício ou um defeito verdadeiro de alguém.

A pessoa tem direito à uma boa fama sendo verdadeira ou falsa. Explico: para que serve tornar público pecados ocultos? Aqui entra a regra dos três filtros: o que tenho para falar é verdadeiro, é bondoso, é necessário? Se respondermos não a pelo menos uma CALO-ME.

Do que me serve algo que é necessário e bondoso se não é verdadeiro. Do que adianta falar algo verdadeiro se não há bondade e não trará benefício algum?

Mesmo que o assunto em questão seja verdade, ao revelá-lo pecamos contra a caridade.

2 – Calúnia e detração

Quando atribuo falsamente à alguém um vício, um pecado ou defeito. Ela pode ser direta, quando manifesto claramente o pecado do próximo.

Posso pecar:

  • pelo exagero em relatar o pecado, inventando detalhes;
  • ao inventar um pecado que o outro teria cometido;
  • quando vejo má intenção numa boa ação.

Posso também destruir a boa fama de alguém de maneira indireta:

  • negando ou diminuindo suas boas qualidades, calando maliciosamente o bem que o outro fez;
  • diminuindo o bem feito ao próximo “tal pessoa fez isso, mas…”, ou “é melhor eu nem falar”;
  • com olhares, insinuações, expressões faciais. Isso basta para destruir a reputação de uma pessoa.

Gravidade: pecado grave e pecado mortal

“A gravidade desse dano depende da gravidade do defeito atribuído à outra pessoa, mas depende também da qualidade da pessoa criticada, do prestígio e da credibilidade do difamador, da quantidade e qualidade dos ouvintes, das consequências para a família do difamado ou para os seus bens”.

Outra coisa que torna o pecado grave, ou mortal, é quando ao difamar, temos a intenção de provocar algum dano, ou a ação é guiada pelo ódio: que tal pessoa perca o emprego, que fique envergonhada, que seja humilhada, que pague pelo que fez…etc.

“Assim, quando se difama é sinal de que a caridade está ausente. Além de ir contra a justiça e a caridade, a revelação sem motivo suficiente de pecados ou a invenção de pecados prejudicam o bem comum, favorecendo brigas, rixas, vinganças, etc., que perturbam a paz e tranquilidade social”.

Eu pequei e me arrependi. Como reparar?

Primeiro, um bom exame de consciência e uma confissão bem feita. Deve-se colocar para o padre todo os elementos. Por que fiz, o que me motivou?

Depois é preciso imediatamente reparar o dano. Se foi feita uma difamação pública é necessário que publicamente peça desculpas pelo ato de falar tal coisa publicamente. Procurar cada pessoa envolvida e se retratar.

É necessário restituir a boa fama, exaltando também as qualidades da pessoa difamada. Se por acaso, é fatual o que você disse, não se pode desmentir, sob pena de pecar contra a verdade.

No caso da calúnia é ainda mais grave a matéria; deve-se imediatamente falar a verdade, mesmo que isso prejudique a sua própria boa fama.

Nada é por acaso

“Cumpre notar, porém, que existe uma relação estreita entre esses pecados da língua e os pecados do ouvido. A língua não fala se não há ouvidos para ouvir as difamações”.

Não há diferença entre quem difama e aquele que acolhe a difamação, pois, os pecados da língua estão relacionados com os do ouvido.

Alguém pensará duas vezes em difamar ou caluniar se for ignorado e não encontrar ouvidos que estejam espertos atrás do último fuxico.

O que fazer quando aparece um difamador?

Atitudes simples podem salvar muitas boas famas por aí, e nos livram de pecar tão gravemente contra a justiça e a caridade. São elas:

  • Fugir de quem diz “Você sabia que fulano…” Use os três filtros para encerrar o assunto. Pergunte à pessoa: “isso que você irá dizer é verdadeiro, é bondoso, é necessário?”

Tenha a certeza que nunca mais esta pessoa vai trazer maledicências para você outra vez;

  • Quando começar uma conversa maledicente e difamatória entre amigos, procure reparar dizendo as qualidades da pessoas em questão, levando à consciência de todos que aquela conversa não é boa;
  • Se for preciso, deixe o ambiente e manifeste sua discordância com a situação;

Nossa língua foi feita para louvar a Deus e nossos ouvidos para escutar a Palavra que irá nos salvar. Sejamos prudentes e pessoas íntegras, para que sejamos reconhecidos como filhos de Deus.

“O Senhor Deus ensinou-me o que devo DIZER, para saber dar palavras de alento aos desanimados. Cada manhã desperta meus OUVIDOS, para que eu aprenda como os discípulos”. (Is 50, 4)

As citações foram retiradas do site Missa Tridentina em Brasília

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