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Jovens e santos. Por que não?

Escalar, esquiar, surfar, namorar, ser jovem e santo ao mesmo tempo é possível? O testemunho dos muitos santos e beatos católicos nos atestam que sim. O próprio Catecismo da Igreja nos recorda que “Todos somos chamados à santidade: «Sede perfeitos, como o vosso Pai Celeste é perfeito» (Mt 5, 48) (CIC 2013). Ou seja, não só podemos, como é a nossa vocação sermos santos.

Ao olharmos a realidade em que vivemos, para as tantas ofertas que o mundo nos faz e para as nossas próprias fraquezas, somos tentados a achar que a santidade é algo muito difícil, e muitas vezes até que não vale a pena lutar por ela.

Mas, basta lembrarmos da vida e do testemunho de alguns irmãos nossos, que passaram pelas mesmas dificuldades que passamos, mas que souberam escolher por Deus e hoje nos precedem no reino do céu, para nos reanimarmos nessa luta.

“Todas as nossas ações devem visar o amor de Deus.”

Essa é  uma das primeiras coisas que devemos sempre ter em mente quando buscamos uma vida de santidade, pois ser santo, em resumo, é viver o amor a Deus e aos irmãos.

O autor dessa frase era um brasileiro, médico e surfista, que após dedicar seus primeiros anos de trabalho na medicina atendendo os pobres, decidiu largar tudo para ser padre, pois tinha como meta o paraíso e sabia que para isso era necessário não somente ser jovem, mas também santo!

Guido Schäfer transmitia o amor que tinha a Deus e aos irmãos com sua constante alegria e disponibilidade em servir, e contagiava a todos em sua volta com essa sede de ser de Deus e de santidade. Estando ainda no seminário, veio a falecer em 2009, enquanto fazia uma das coisas que mais gostava: surfar. Hoje está em processo de beatificação pela Igreja.

Para sermos santos é necessário “buscarmos as coisas do alto”, é o que nos ensina o apóstolo Paulo na sua carta aos Colossenses no capítulo 3, verso 1. Era esse desejo pelas coisas do alto que motivava o Beato Pier Giorgio Frassati a gostar tanto de escalar pois, nas altas montanhas se sentia mais perto de Deus.

O jovem italiano, amante da arte, costumava frequentar museus, teatros e óperas, mas o que mais gostava de fazer era estar com os pobres, os órfãos e ajudar nos cuidados dos feridos que chegavam da primeira guerra mundial. “Rumo ao alto”, é uma de suas frases mais conhecidas, com a qual ele exortava os jovens a buscarem a Deus e o seu Reino em primeiro lugar.

Buscar a Deus não nos exime de passar por provações e sofrimentos. O próprio Cristo nos alertou que, para segui-lo era necessário tomarmos, como Ele, a nossa cruz a cada dia. O apóstolo Paulo também nos recorda que nem mesmo o sofrimento é capaz de nos afastar do amor de Deus. (cf Romanos 8, 35-39).

A Jovem santa italiana Chiara Lucce sabia bem disso, e mesmo quando, aos 17 anos, descobriu que estava com câncer, não duvidou em nenhum momento do amor de Deus por ela e testemunhava, mesmo em meio as dores: “Deus ama-me com amor infinito.”

Era uma jovem alegre, gostava de se divertir com os amigos e de praticar esportes, e mesmo em sua doença, buscava forças em Deus para animar sua família e amigos que a encontravam cada vez mais debilitada, e contagiava a todos com o seu testemunho de entrega a Deus. E essa sua entrega a fez ser proclamada beata pela Igreja, e já aguardamos a sua canonização.

Veja também: A bela vida da Beata Chiara Luce Badano

“Felizes os puros de coração, porque verão a Deus.” (Mateus 5, 8). Para alcançarmos o céu e nos encontrarmos com o Senhor, é preciso buscarmos a virtude da pureza, tão árdua de ser vivida em tempos tão depravados como os que vivemos.

Mas devemos nos animar e buscar seguir o testemunho de jovens santos como São Domingo Sávio, que lutavam para viver essa e tantas outras virtudes. “Antes morrer do que pecar”, era o que dizia e buscava viver desde a adolescência.

O jovem e Santo Domingos fazia todas as coisas da melhor maneira possível, para agradar a Deus. Conviveu com outro grande santo, São João Bosco, e faleceu da mesma forma como viveu toda sua breve vida: em odor de santidade, antes de cometer graves pecados, como desejava.

O que dava força a estes jovens santos e a todos que buscam trilhar o caminho de santidade são os sacramentos, que são as melhores vias para nos unirmos Àquele que nos santifica: Jesus.

O beato Carlo Acutis sabia muito bem disso e por isso aproveitou do seu talento e habilidade com as novas tecnologias e a internet, para fazer um belíssimo apostolado do sacramento da Eucaristia, ele sabia a importância de ser um jovem santo para o mundo!

“A Eucaristia é a minha auto estrada para o céu”, era o que costumava dizer e testemunhar com a vida essa verdade. Foi esse amor por Jesus Eucarístico que lhe deu forças para enfrentar a doença que lhe levou a morte, a leucemia, ainda tão jovem, apenas 15 anos. E foi o amor pela Igreja, que lhe dava os sacramentos, que o fez ofertar os sofrimentos em sua doença pelas intenções do Papa.

Veja também: A bela e breve vida de Carlo Acutis, o mais novo beato católico

Há vários outros testemunhos de jovens que buscaram a santidade, mas gostaria de citar apenas mais um, que mesmo não morrendo tão jovem, foi alguém que teve um carinho todo especial com a juventude e que ajudou a ascender a chama e o fervor pela busca do céu em muitos de nós jovens, em seu tempo e ainda hoje, mesmo após sua morte: o querido São João Paulo II.

Quando jovem, o futuro papa gostava de literatura e teatro, chegando a escrever algumas peças. Antes de decidir-se pelo sacerdócio trabalhou em uma pedreira e tinha como hobbys: praticar montanhismo, esqui e remo.

E, mesmo quando tornou-se papa, chegou ainda a sair escondido do Vaticano para esquiar. Tinha profundo amor pelos jovens e foi o primeiro papa a viajar para fora da Itália e da Europa para celebrar com eles a Jornada Mundial da Juventude, idealizada para estar mais próximo deles. Ele dizia que “a Igreja só será jovem, quando o jovem for Igreja.”

Ser jovem e Santo é um sonho possível, mais do que isso, é a vocação de todos nós. Que o exemplo dos santos nos motive a lutar para que em nossa juventude, no nosso dia a dia, em nossa faculdade, trabalho, no meio de nossa família e de nossos amigos, busquemos em primeiro lugar o reino do céu, nosso verdadeiro lar.

Ouçamos o conselho de São João Paulo II: “Jovens, não tenham medo de serem santos.” Abandonemos todo o medo e nos lancemos nessa aventura rumo ao céu.

“Sejamos santos, é o que Deus quer e o que o mundo precisa.”

Fernando Silva, Seminarista da Diocese do Crato-Ce

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