Esperança e sonhos, como cultivá-los

Criança sorri sob a chuva

Quando perdemos a esperança nestas realidades, que dão sentido a nossa existência, a consequência é lógica: perdemos o próprio sentido de viver.

Meditar como vivemos

Façamos um breve exame de consciência respondendo estas duas perguntas:

1- Quanto estamos dispostos a esperar e a lutar para realizarmos grandes sonhos que temos?
2- Agora uma pergunta ainda mais difícil: ainda temos grandes sonhos?

Vivemos em uma “geração doente”. Nunca houve tantas pessoas acometidas pela ansiedade e pela depressão, que hoje já são consideradas as doenças do século.

O globalismo, a popularização da internet, o bombardeio de informações novas a cada minuto contribuem para nos dar a impressão de que o tempo está passando mais rápido e por consequência muitas vezes temos vivido apenas de efemeridades.

Tudo o que quisermos, ou quase isso, a qualquer hora do dia, está a um click de distância.

Por meio dos serviços delivery e dos tantos e variados aplicativos dos nossos smartfones.  Podemos conversar com alguém de qualquer canto do mundo, a qualquer momento, por telefone, por mensagem a até por vídeo chamada.

A cada 24 horas temos acesso a vida das pessoas atualizadas. O que comem, o que vestem, onde trabalham… Tudo está mais fácil, nas palmas das mãos e também mais rápido, atualizando-se constantemente, como um “stories” de uma rede social.

Facilidades e conquistas

Consequência: estamos desaprendendo a esperar e a lidar com as frustrações, razões que alimentam esse estado de ansiedade e depressão.

Toda essa agitação e rapidez tem influenciado diretamente em nossa forma de sonhar, de formular objetivos e correr atrás deles, de tomar decisões, de fazer escolhas definitivas, de firmar-se em princípios e valores e ser fiel a eles.

Desaprendemos a esperar por aquilo que demora, e pior: temos perdido até mesmo a esperança.

Muitos tem perdido a esperança no matrimônio, outros de que se é possível viver a castidade, outros ainda desesperançaram do amor e até de Deus, do céu e da eternidade.

Quando perdemos a esperança nestas realidades, que dão sentido a nossa existência, a consequência é lógica: perdemos o próprio sentido de viver.

Deixamos de realmente viver e apenas sobrevivemos, “empurramos a existência com a barriga”, vivemos no mundo do “tanto faz como tanto fez”, e é isso que nos tem adoecido.

Sem sentido, nos deprimimos, sem sabermos esperar, ou se quer pelo o que esperar, ficamos ansiosos por tudo e ao mesmo tempo por nada.

Voltar a sonhar

Diante de tudo isso, o que nós, cristãos, que cremos em Deus e que ainda assim, muitas vezes também somos acometidos pelo desânimo e pela desesperança, devemos fazer para transformar essa triste realidade?

A pergunta parece difícil, mas a resposta é simples: temos de voltar a sonhar. Sim, temos de voltar a sonhar e lembrarmos aos outros que eles precisam fazer o mesmo.

Temos de voltar a construir sonhos, desde as coisas mais práticas, como a profissão que queremos seguir; os lugares e pessoas que desejamos conhecer; coisas que almejamos possuir, até as realidades mais importantes como o sonhar com a santidade, com o céu e com a eternidade ao lado de Deus.

São Paulo nos lembra que “o amor de Deus foi derramado em nossos corações pelo Espírito Santo que nos foi dado”, e que isso é motivo de esperança. E afirma ainda mais, que “a esperança não decepciona.” (cf. Romanos 5, 4-5)

Sim, a esperança não decepciona. Mas é importante lembrar de qual esperança o apóstolo se refere: àquela fundada nas coisas do Alto, firmada em Deus.

Como alimentar os sonhos?

Ainda é importante, e hoje mais do que nunca, termos e alimentarmos sonhos. Sonhar com as coisas do alto, sonhar em sermos santos, e não apenas santos, mas aqueles dignos de estarem nos altares, não por vaidade, mas para glória de Deus que nos santifica.

Sonharmos com o céu, em nos encontrarmos com Maria e os santos, em especial aqueles de nossa devoção. Temos de voltar a sonhar em vencer aqueles defeitos e fraquezas mais difíceis que enfrentamos.

Voltar a sonhar com a nossa vocação, com o encontrar a pessoa amada, com um matrimônio fiel e até que a morte nos separe, ou com a entrega total a Deus por um celibato consagrado.

Aquele curso da faculdade que tanto almejamos, aquele trabalho que sempre quisemos conseguir. E até mesmo conseguirmos bons amigos, solucionar os problemas do dia a dia na família, conseguir o dinheiro para quitar aquelas dívidas ou para conseguir a casa própria ou o necessitado automóvel.

Os sonhos nos movem, e para alcançarmos tudo isso é necessário antes de tudo sonhar com essas realidades e lutar por elas.

Sair do lugar e lutar

Esse é o segundo passo para nosso processo de cura, tão importante quanto sonhar: correr atrás desses nossos sonhos, lutar para concretizá-los.

Nesse caminho, na maioria das vezes tão difícil, contamos com a esperança e com a confiança em Deus.

Tudo que planejamos devemos submeter aos cuidados do Senhor pela oração, e aceitarmos aquilo que Ele nos conceder.

Mas é de extrema importância também estarmos preparados para os “nãos” que a vida nos dá. Temos de aprender a esperar, a sermos pacientes. Se confiamos em Deus a nossa vida e os nossos sonhos, devemos saber confiar também no Seu tempo, que por vezes é diferente do nosso, mas que sempre é melhor.

Precisamos saber reciclar os nossos sonhos, aqueles que não conseguimos realizar, pelas diversas intempéries da vida, devemos, em vez de ficarmos frustrados, murmurando e procurando culpados, ou até mesmo culpando o próprio Deus, como muitas vezes fazemos, reciclar, renovar e adaptar esses sonhos para a realidade em que estamos.

Deus sonha conosco. Nós somos obra e fruto de um sonho de Deus, que Ele mesmo realizou. Ele tem sonhos para cada um de nós.

Que possamos, por meio da oração e da intimidade com o Senhor, através de Sua Palavra e dos sacramentos, descobrir quais são os sonhos Dele para nós e tentarmos realiza-los e apresentar também a Ele todos os nossos próprios sonhos, firmando sempre a nossa esperança Naquele que nunca nos decepcionará: o próprio Deus.

Fernando Silva, seminarista da Diocese de Crato e Amigo da Aliança de Misericórdia

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